<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640</id><updated>2011-07-28T16:33:49.727-07:00</updated><title type='text'>Mrs Groove</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>144</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-3867005453346773301</id><published>2011-04-03T07:03:00.000-07:00</published><updated>2011-04-03T07:05:55.187-07:00</updated><title type='text'>O que a falácia da ditabranda revela</title><content type='html'>A escolha do termo "ditabranda" pela Folha de S. Paulo para caracterizar a ditadura militar brasileira não foi um descuido linguístico. Trata-se de uma profissão de fé ideológica embalada por uma falácia. O núcleo duro dessa falácia consiste em dissociar a ditadura brasileira das ditaduras em outros países do continente e do contexto histórico da época, como se não integrassem um mesmo golpe desferido contra a democracia em toda a América Latina. A ditadura brasileira apoiou política e materialmente uma série de outras ditaduras na região, sendo responsável por muitas torturas, mortes e desaparecimentos em outros países. "A gente não matava. Prendia e entregava", admitiu um general brasileiro.&lt;br /&gt;Marco Aurélio Weissheimer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um editorial publicado no dia 17 de fevereiro de 2009, o jornal Folha de S. Paulo utilizou a expressão “ditabranda” para se referir à ditadura que governou o Brasil entre 1964 e 1985. Na opinião do jornal, que apoiou o golpe militar de 1964 que derrubou o governo constitucional de João Goulart, a ditadura brasileira teria sido “mais branda” e “menos violenta” que outros regimes similares na América Latina. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como já se sabe, a Folha não foi original na escolha do termo. Em setembro de 1983, o general Augusto Pinochet, em resposta às críticas dirigidas à ditadura militar chilena, afirmou: “Esta nunca foi uma ditadura, senhores, é uma dictablanda”. Mas o tema central aqui não diz respeito à originalidade. O uso do termo pelo jornal envolve uma falácia nada inocente. Uma falácia que revela muita coisa sobre as causas e consequências do golpe militar de 1964 e sobre o momento vivido pela América Latina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É importante lembrar em que contexto o termo foi utilizado pela Folha. Intitulado “Limites a Chávez”, o editorial criticava o que considerava ser um “endurecimento do governo de Hugo Chávez na Venezuela”. A escolha da ditadura brasileira para fazer a comparação com o governo de Chávez revela, por um lado, a escassa inteligência do editorialista. Para o ponto que ele queria sustentar, tal comparação não era necessária e muito menos adequada. Tanto é que pouca gente lembra que o editorial era dirigido contra Chávez, mas todo mundo lembra da “ditabranda”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A falta de inteligência, neste caso, parece andar de mãos dadas com uma falsa consciência culpada que tenta esconder e/ou justificar pecados do passado. Para a Folha, a ditadura brasileira foi uma “ditabranda” porque teria preservado “formas controladas de disputa política e acesso à Justiça”, o que não estaria ocorrendo na Venezuela. Mas essa falta de inteligência talvez seja apenas uma cortina de fumaça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O editorial não menciona quais seriam as “formas controladas de disputa política e acesso à Justiça” da ditadura militar brasileira, mas considera-as mais democráticas que o governo Chávez que, em uma década, realizou 15 eleições no país, incluindo aí um referendo revogatório que poderia ter custado o mandato ao presidente venezuelano. Ao fazer essa comparação e a escolha pela ditadura brasileira, a Folha está apenas atualizando as razões pelas quais apoiou, junto com a imensa maioria da imprensa brasileira, o golpe militar contra o governo constitucional de João Goulart. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está dizendo, entre outras coisas, que, caso um determinado governo implementar um certo tipo de políticas, justifica-se interromper a democracia e adotar “formas controladas de disputa política e acesso à Justiça”. A escolha do termo “ditabranda”, portanto, não é acidental e tampouco um descuido. Trata-se de uma profissão de fé ideológica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma cortina de véus que tentam esconder o caráter intencional dessa escolha. Um desses véus apresenta-se sob a forma de uma falácia, a que afirma que a nossa ditadura não teria sido tão violenta quanto outras na América Latina. O núcleo duro dessa falácia consiste em dissociar a ditadura brasileira das ditaduras em outros países do continente e do contexto histórico da época, como se elas não mantivessem relação entre si, como se não integrassem um mesmo golpe desferido contra a democracia em toda a região.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O golpe militar de 1964 e a ditadura militar brasileira alimentaram política e materialmente uma série de outras ditaduras na América Latina. As democracias chilena e uruguaia caíram em 1973. A argentina em 1976. Os golpes foram se sucedendo na região, com o apoio político e logístico dos EUA e do Brasil. Documentos sobre a Operação Condor fornecem vastas evidências dessa relação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recordando. A Operação Condor é o nome dado à ação coordenada dos serviços de inteligência das ditaduras militares na América do Sul, iniciada em 1975, com o objetivo de prender, torturar e matar militantes de esquerda no Brasil, Argentina, Chile, Paraguai, Uruguai e Bolívia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pretexto era o argumento clássico da Guerra Fria: "deter o avanço do comunismo internacional". Auxiliados técnica, política e financeiramente por oficiais do Exército dos Estados Unidos, os militares sul-americanos passaram a agir de forma integrada, trocando informações sobre opositores considerados perigosos e executando ações de prisão e/ou extermínio. A operação deixou cerca de 30 mil mortos e desaparecidos na Argentina, entre 3 mil e 7 mil no Chile e mais de 200 no Uruguai, além de outros milhares de prisioneiros e torturados em todo o continente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na contabilidade macabra de mortos e desaparecidos, o Brasil registrou um número menor de vítimas durante a ditadura militar, comparado com o que aconteceu nos outros países da região. No entanto, documento secretos divulgados recentemente no Paraguai e nos EUA mostraram que os militares brasileiros tiveram participação ativa na organização da repressão em outros países, como, por exemplo, na montagem do serviço secreto chileno, a Dina. Esses documentos mostram que oficiais do hoje extinto Serviço Nacional de Informações (SNI) ministraram cursos de técnicas de interrogatório e tortura para militares chilenos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em uma entrevista ao jornal O Estado de São Paulo (30/12/2007), o general Agnaldo Del Nero Augusto admitiu que o Exército brasileiro prendeu militantes montoneros e de outras organizações de esquerda latino-americanas e os entregou aos militares argentinos. “A gente não matava. Prendia e entregava. Não há crime nisso”, justificou na época o general. Humildade dele. Além de prender e entregar, os militares brasileiros também torturavam e treinavam oficiais de outros países a torturar. Em um dos documentos divulgados no Paraguai, um militar brasileiro diz a Pinochet para enviar pessoas para se formarem em repressão no Brasil, em um centro de tortura localizado em Manaus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante a ditadura, o Brasil sustentou política e materialmente governos que torturaram e assassinaram milhares de pessoas. Esconder essa conexão é fundamental para a Folha afirmar a suposta existência de uma “ditabranda” no Brasil. A ditadura brasileira não teve nada de branda. Ao contrário, ela foi um elemento articulador, política e logisticamente, de outros regimes autoritários alinhados com os EUA durante a guerra fria. O editorial da Folha faz eco às palavras do general Del Nero: “a gente só apoiava e financiava a ditadura; não há crime nisso”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é coincidência, pois, que o mesmo jornal faça oposição ferrenha aos governos latino-americanos que, a partir do início dos anos 2000, levaram o continente para outros rumos. Governos eleitos no Brasil, na Venezuela, na Bolívia, na Argentina, no Paraguai e no Uruguai passam a ser alvos de uma sistemática oposição midiática que, muitas vezes, substitui a própria oposição partidária. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Folha acha a ditadura branda porque, no fundo, subordina a continuidade e o avanço da democracia a seus interesses particulares e a uma agenda ideológica particular, a saber, a da sacralização do lucro e do mercado privado. Uma grande parcela do empresariado brasileiro achou o mesmo em 64 e apoiou o golpe. Querer diminuir ou relativizar a crueldade e o caráter criminoso do que aconteceu no Brasil naquele período tem um duplo objetivo: esconder e mascarar a responsabilidade pelas escolhas feitas, e lembrar que a lógica que embalou o golpe segue viva na sociedade, com um discurso remodelado, mas pronto entrar em ação, caso a democracia torne-se demasiadamente democrática.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-3867005453346773301?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/3867005453346773301/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=3867005453346773301' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/3867005453346773301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/3867005453346773301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2011/04/o-que-falacia-da-ditabranda-revela.html' title='O que a falácia da ditabranda revela'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-3012426744010022069</id><published>2010-10-12T19:04:00.000-07:00</published><updated>2010-10-12T19:04:36.383-07:00</updated><title type='text'>Blog da ESTELA Almagro: Quem mais fez tem mais poder</title><content type='html'>&lt;a href="http://estelaalmagro13.blogspot.com/2010/10/quem-mais-fez-tem-mais-poder.html?spref=bl"&gt;Blog da ESTELA Almagro: Quem mais fez tem mais poder&lt;/a&gt;: "Tomo a liberdade de republicar o repente feito pelo blogueiro Regis Braga e publicado no SAIBATUDO SOBRETUDO    QUEM MAIS FEZ TEM MAIS PODER..."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-3012426744010022069?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://estelaalmagro13.blogspot.com/2010/10/quem-mais-fez-tem-mais-poder.html?spref=bl' title='Blog da ESTELA Almagro: Quem mais fez tem mais poder'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/3012426744010022069/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=3012426744010022069' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/3012426744010022069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/3012426744010022069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2010/10/blog-da-estela-almagro-quem-mais-fez.html' title='Blog da ESTELA Almagro: Quem mais fez tem mais poder'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-4003645144226966055</id><published>2010-08-27T11:43:00.000-07:00</published><updated>2010-08-27T11:43:41.184-07:00</updated><title type='text'>Blog da Estela 13258: Mercadante, sua história, suas lutas. Vamos divulg...</title><content type='html'>&lt;a href="http://estelaalmagro13.blogspot.com/2010/08/mercadante-sua-historia-suas-lutas.html?spref=bl"&gt;Blog da Estela 13258: Mercadante, sua história, suas lutas. Vamos divulg...&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-4003645144226966055?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://estelaalmagro13.blogspot.com/2010/08/mercadante-sua-historia-suas-lutas.html?spref=bl' title='Blog da Estela 13258: Mercadante, sua história, suas lutas. Vamos divulg...'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/4003645144226966055/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=4003645144226966055' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/4003645144226966055'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/4003645144226966055'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2010/08/blog-da-estela-13258-mercadante-sua.html' title='Blog da Estela 13258: Mercadante, sua história, suas lutas. 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"Se a executiva decidir incluir na convenção o registro da pré-candidatura de Roberto Requião à presidência da República pelo PMDB, ok. Caso contrário, exigirei a intervenção do TSE", resumiu Simon, no início desta tarde. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O senador lidera o grupo que defende a pré-candidatura própria do PMDB à presidência da República. Apesar de saber que são dadas como inexistentes as chances de a tese prosperar, o grupo promete fazer barulho em relação à decisão prévia de coligação do PMDB com o PT na disputa presidencial. Sob orientação de Simon, o PMDB do Rio Grande do Sul (que tem 52 dos 804 votos na convenção) vai votar em bloco pela candidatura própria. O advogado do diretório gaúcho, Milton Cava, já está em Brasília para trabalhar sobre os pontos que podem ser questionados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Simon questiona o fato de a votação sobre a candidatura própria não ter sido incluída no edital de convocação para a convenção. De acordo com o grupo que quer a candidatura própria do PMDB na disputa presidencial, a pré-candidatura de Requião foi registrada mais de uma vez: primeiro por um grupo de lideranças partidárias, no ano passado, e depois pelo próprio Simon, por procuração de Requião, na semana passada, em 2 de junho. "E na segunda-feira desta semana, dia 7, novo documento formalizando a inscrição foi entregue ao presidente do partido, o deputado Michel Temer", informa o deputado federal pelo PMDB gaúcho Darcísio Perondi. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo ele, Temer garantiu que a reunião da executiva para tratar da questão ocorrerá nesta quarta, mas ela não havia sido convocada até o início da tarde. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O edital da convocação da convenção, também datado do dia 2 de junho, foi publicado no Diário Oficial da União do dia 4 de junho. Na terça-feira (8), Simon foi informado extraoficialmente por funcionários do partido de que os registros da candidatura de Requião não eram considerados válidos porque precisariam ser feitos diretamente pelo próprio pré-candidato. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Requião é aguardado por parte do partido em Brasília ainda nesta quarta-feira, de forma a registrar de novo, desta vez pessoalmente, a pré-candidatura. Mas, sua assessoria informou ao Terra que ele só estará na capital federal na quinta-feira (10) e que o registro já está feito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Simon invoca a Resolução nº 2 da Comissão Executiva Nacional, datada de 30 de março de 2002, e apontada no edital de convocação da convenção de 2010 para assegurar que o registro de Requião é válido. O artigo 2º da Resolução estabelece que o pedido de registro de candidatura deve ser requerido pelo próprio candidato ou pela Comissão Executiva até 48 horas antes da realização da convenção, sem detalhamentos. "Se ele vier, é interessante, mas não há nenhuma exigência de que o registro seja feito pessoalmente", diz Perondi. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O outro ponto que deve ser questionado pelos peemedebistas gaúchos é o fato de o edital prever de forma casada a votação da coligação com o PT e a indicação do nome de Temer como vice na chapa da pré-candidata do PT à presidência da República, Dilma Rousseff. Simon afirma que primeiro os convencionais deveriam definir se querem fazer aliança para a disputa presidencial e a indicação do vice deveria acontecer só no caso de a maioria decidir pela aprovação de coligação. O edital convoca os delegados a comparecerem ao encontro para votar a decisão que a executiva nacional tomou em 18 de maio, quando aprovou o nome de Temer para vice de Dilma. Segundo o texto, a ordem do dia é: "aprovar o nome do deputado federal Michel Temer como candidato à vice-presidência da República na Eleição Nacional de 2010, na coligação do PMDB com o PT - Partido dos Trabalhadores".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-2119823931451683670?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/2119823931451683670/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=2119823931451683670' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/2119823931451683670'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/2119823931451683670'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2010/06/pmdb-gaucho-insiste-em-candidatura-de.html' title='PMDB gaúcho insiste em candidatura de Requião à presidência'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-5487294914064454169</id><published>2010-06-10T07:31:00.000-07:00</published><updated>2010-06-10T07:32:56.603-07:00</updated><title type='text'>PMDB do MS formaliza apoio a Serra nesta quinta-feira</title><content type='html'>Ítalo Milhomem &lt;br /&gt;Direto de Campo Grande &lt;br /&gt;O pré-candidato do PSDB à presidência, José Serra, desembarca nesta quinta-feira (10) em Campo Grande (MS), onde receberá o apoio oficialmente do governador de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O anúncio será formalizado depois que o Partido dos Trabalhadores (PT), o principal adversário do PMDB no Estado, ratificou a candidatura do ex-governador Zeca do PT ao governo durante o encontro regional do partido realizado no último domingo (3). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na ocasião, o presidente nacional da sigla petista, José Eduardo Dutra, afirmou que o palanque de Dilma e Lula seria de Zeca do PT, pois o governador do Estado teria demonstrado indiferença em apoiar a presidenciável petista. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;André, que considerava Dilma sua "noiva" durante as articulações para sufocar a candidatura petista no Estado, viajou nesta quarta-feira (9) a Brasília para comunicar sua decisão ao presidente de sua legenda, o deputado federal Michel Temer (PMDB), que já foi indicado pelo seu partido como vice de Dilma. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Programação&lt;br /&gt;Os peemedebistas do Mato Grosso do Sul serão os primeiros a oficializar o apoio a candidatura tucana à presidência. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Serra tem chegada prevista para às 16h em Campo Grande e deve seguir direto para a entrevista coletiva programada para acontecer no clube da comunidade luso-brasileira Estoril, às 16h30. Ainda no mesmo local será realizado um encontro com militantes e demais integrantes de outros partidos que darão sustentação a Serra em Mato Grosso do Sul. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sua última agenda na cidade, Serra participará da festa de Santo Antônio, padroeiro de Campo Grande, realizada no Parque de Exposições Laucídio Coelho&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-5487294914064454169?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/5487294914064454169/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=5487294914064454169' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/5487294914064454169'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/5487294914064454169'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2010/06/pmdb-do-ms-formaliza-apoio-serra-nesta.html' title='PMDB do MS formaliza apoio a Serra nesta quinta-feira'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-5688963764381985835</id><published>2010-06-10T07:30:00.000-07:00</published><updated>2010-06-10T07:31:01.748-07:00</updated><title type='text'>MG: fundadora do PT deixa partido em protesto contra Costa</title><content type='html'>Laryssa Borges &lt;br /&gt;Direto de Brasília &lt;br /&gt;Uma das fundadoras do Partido dos Trabalhadores (PT), a ex-deputada Sandra Starling, anunciou, nesta quarta-feira (9), que irá se desfiliar da legenda como forma de protesto contra a "imposição" do nome do senador Hélio Costa (PMDB) como candidato da base aliada na disputa pelo governo de Minas Gerais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeira representante do sexo feminino a ser candidata pelo PT ao governo mineiro, em 1982, Starling condenou a postura da cúpula petista de abrir mão da indicação do ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, ao Palácio da Liberdade, ainda que o nome do político tenha saído vitorioso das prévias realizadas pela legenda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Pensei que ficaria no PT até meu último dia de vida. Mas não aceito fazer parte de uma farsa: participei de uma prévia para escolher um candidato petista ao governo, sem que se colocasse a hipótese de aliança com o PMDB. Prevalece, agora, a vontade dos de cima. Trocando em miúdos, vejo que é hora de, mais uma vez, parafrasear Chico Buarque: eu bato o portão sem fazer alarde. Eu levo a carteira de identidade. Uma saideira, muita saudade. E a leve impressão de que já vou tarde", disse a fundadora petista em artigo publicado nesta quarta no jornal mineiro O Tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"É com o coração partido e lágrimas nos olhos que repudio essa frase (manda quem pode, obedece quem tem juízo) e ouso afirmar que, talvez, eu não tenha mesmo juízo, mas não me curvarei à imposição de quem quer que seja dentro daquele que foi meu partido desde sempre", declarou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na última segunda-feira (7), dirigentes do PT e do PMDB confirmaram que o senador Hélio Costa será o candidato da base aliada ao governo de Minas Gerais. Com a decisão das cúpulas do PT e PMDB de bancar a candidatura de Costa, caberá a Pimentel disputar uma vaga ao Senado. Um outro petista, possivelmente o ex-ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, comporá a chapa de Hélio Costa como candidato a vice-governador. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A polêmica relação entre petistas e peemedebistas - que já foi alvo de protesto do presidente do PSB, Eduardo Campos, à pré-candidata Dilma Rousseff - corre o risco de ter ainda outro desdobramento: o deputado Domingos Dutra (PT-MA) ameaça entrar em greve de fome caso o PT reveja sua posição de apoiar o deputado Flávio Dino (PCdoB) como candidato ao governo do Maranhão e resolva encampar o projeto de reeleição da atual governadora, Roseana Sarney (PMDB). O caso maranhense deve ser analisado pelo diretório do PT em Brasília nesta sexta-feira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-5688963764381985835?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/5688963764381985835/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=5688963764381985835' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/5688963764381985835'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/5688963764381985835'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2010/06/mg-fundadora-do-pt-deixa-partido-em.html' title='MG: fundadora do PT deixa partido em protesto contra Costa'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-1463336627644608597</id><published>2010-06-10T07:00:00.000-07:00</published><updated>2010-06-10T07:24:34.940-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;iframe scrolling="No" width="132" height="349" src="http://www.politicaparapoliticos.com.br/external/estatico_atualidades.php" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" hspace="10" vspace="0"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-1463336627644608597?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/1463336627644608597/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=1463336627644608597' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/1463336627644608597'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/1463336627644608597'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2010/06/blog-post.html' title=''/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-8076465334712264193</id><published>2010-05-28T06:39:00.000-07:00</published><updated>2010-05-28T06:44:41.257-07:00</updated><title type='text'>Brasil: regressão nos direitos das comunidades quilombolas</title><content type='html'>27/05/10 por raquelrolnik &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde a última Constituição, o Brasil afirmou o reconhecimento da existência de comunidades quilombolas e seu direito a permanecer na terra que ocupam e o respeito as suas condições de reprodução histórica, social e cultural e de seus modos de vida característicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora legalmente reconhecidos, os direitos de propriedade das comunidades quilombolas estão sendo garantidos lentamente, deixando-as extremamente vulneráveis aos despejos forçados e às ameaças de proprietários rurais, empresas de mineração e projetos de desenvolvimento que visam à posse das terras e de seus recursos naturais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A constitucionalidade e aplicabilidade do decreto nº 4887, de 2003, que regulamentou a constituição, foram contestadas perante o Supremo Tribunal Federal pelo Partido Democratas (DEM), com o apoio da Confederação Nacional da Indústria, da Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária e da Sociedade Rural Brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se derrubado o decreto, volta a vigorar uma norma que torna inexeqüível a regularização das terras quilombolas, tornando as condições para a aquisição de propriedade definitiva mais rigorosas que aquelas estabelecidas para usucapião, e congelando o conceito de quilombo no regulamento de 1740, norma evidentemente repressiva do período colonial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A relação com a terra e com os recursos naturais é essencial para as comunidades quilombolas. Os fundamentos espirituais e materiais de suas identidades culturais são baseados na relação única com as terras que tradicionalmente ocupam. Assim, a terra é mais do que uma mera fonte de subsistência, é uma fonte para a manutenção de suas vidas e identidades culturais. Hoje existem 1.408 comunidades quilombolas oficialmente registradas no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma audiência pública para maiores esclarecimentos, tal como ocorreu com outros temas, como ações afirmativas, células-tronco e anencefalia, seria importantíssima neste momento para que os ministros do STF possam ouvir as vozes e argumentos de todos os envolvidos nesta questão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-8076465334712264193?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/8076465334712264193/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=8076465334712264193' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/8076465334712264193'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/8076465334712264193'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2010/05/brasil-regressao-nos-direitos-das.html' title='Brasil: regressão nos direitos das comunidades quilombolas'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-8479946972983117437</id><published>2009-06-28T16:39:00.000-07:00</published><updated>2009-06-28T16:40:38.393-07:00</updated><title type='text'>Racismo</title><content type='html'>O racismo é a tendência do pensamento, ou do modo de pensar em que se dá grande importância à noção da existência de raças humanas distintas e superiores umas às outras. Onde existe a convicção de que alguns indivíduos e sua relação entre características físicas hereditárias, e determinados traços de caráterr e inteligênciaa ou manifestações culturais, são superiores a outros. O racismo não é uma teoria científica, mas um conjunto de opiniões pré concebidas onde a principal função é valorizar as diferenças biológicas entre os seres humanos, em que alguns acreditam ser superiores aos outros de acordo com sua matriz racial. A crença da existência de raças superiores e inferiores foi utilizada muitas vezes para justificar a escravidão, o domínio de determinados povos por outros, e os genocídios que ocorreram durante toda a história da humanidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-8479946972983117437?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/8479946972983117437/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=8479946972983117437' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/8479946972983117437'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/8479946972983117437'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2009/06/racismo.html' title='Racismo'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-3638623181573903482</id><published>2009-06-28T15:48:00.000-07:00</published><updated>2009-06-28T15:51:07.354-07:00</updated><title type='text'>A rota da liberdade do negro Cosme Bento das Chagas e a Balaiada (1838-1841)</title><content type='html'>Edson Borges*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na província do Maranhão, há 170 anos, ocorreu uma célebre revolta de escravos. A insurreição de milhares de negros (1838-1840) liderados por Cosme Bento das Chagas tornou-se o fermento mais explosivo durante a Balaiada (1838-1841). Aquele acontecimento revelou um aumento do nível de amadurecimento dos negros escravos pois, através da insurreição buscaram superar a escravidão (após sucessivas fugas e a constituição de diversos núcleos de quilombolas) impondo uma forma mais incisiva de resistência àquela sociedade escravista. Tamanha era a resistência ao trabalho e à condição de escravo que, quando eclodiu a Balaiada (1838), a revolta dos negros e os numerosos quilombos já sacudiam todo o Maranhão. E todo aquele movimento ganhou mais consciência quando liderado pelo negro Cosme Bento das Chagas. Inclusive, a insurreição escrava teve continuidade mesmo após o fim da revolta dos balaios (1841). Também, antigos e novos núcleos de quilombos se mantiveram ou foram criados, alguns concentrando cerca de 400 a 500 quilombolas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fabricantes de balaios do século XIX &lt;br /&gt;No Maranhão, constituíram-se, inicialmente, pequenos núcleos esparsos de terras produtoras de açúcar. Em 1622, os primeiros engenhos foram construídos. Desde então, a lavoura canavieira não alcançou grandes índices de produção e comercialização. E, ainda, esteve constantemente ameaçada por grupos indígenas, pela escassez de mão-de-obra e por dificuldades comerciais. De qualquer forma, a província do Maranhão estava plenamente integrada social e economicamente na conjuntura e estrutura coloniais com as suas terras, engenhos e escravos, e com a economia de subsistência (a coleta das "drogas do sertão", a pesca, a caça, a pequena lavoura e a pecuária). Devido ao fato de que a maior quantidade de escravos negros ser absorvida pelas zonas açucareiras de Pernambuco e da Bahia, o problema da constante escassez de mão-de-obra foi "resolvido" pelo aumento do trabalho escravo nativo. No entanto, a oposição da Igreja Católica se opôs à exploração do trabalho escravo indígena, mas não a do trabalho escravo negro. Estes tratados com extremo rigor e violência, andavam quase nus e recebiam uma alimentação insuficiente, geralmente, uma espiga de milho para o almoço, arroz e farinha para o jantar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi, particularmente, desde a 2a metade do século XVIII, que se registrou um grande aumento de escravos negros, vindos das regiões de Cacheu, Bissau e de Angola. A mudança de composição racial da sociedade escravista maranhense refletiu principalmente no decorrer do século XIX, em significativas transformações econômicas e políticas, modificou ainda os padrões e valores sociais. Em conseqüência, a sociedade escravista maranhense foi abalada por diversos conflitos. Em grande parte deles, a ativa participação de escravos e mestiços foi de grande importância. Por conseqüência, a constante resistência ao trabalho forçado se refletiu histórica, individual e socialmente através de fugas, suicídios, insurreições e de crimes contra a condição imposta de ser escravo. Mas, apesar de toda a forma de repressão contra aqueles atos de resistência, o fundamental é que os escravos (submetidos como "coisas" e como homens) à condição de propriedades de outros homens, demarcavam a necessidade de se continuar a luta contra a coisificação e a favor da afirmação da liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As grandes lavouras de arroz e algodão logo se expandiram pelo interior do sertão, criando tensões por onde desalojava as antigas fazendas de gado. Todo aquele movimento de incremento do trabalho escravo negro (cujo preço foi crescente) levou à sujeição ou dependência gradativa dos proprietários de terras e de escravos aos controladores do tráfico negreiro. Este fato também incrementou o tráfico interno de escravos negros para as províncias do Maranhão, Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro entre 1801 e 1839. A necessidade crescente de escravos negros produziu um fato significativo. Na 1a metade do século XIX (ou por volta de 1822), a população total do Maranhão, excetuando os índios, era estimada em cerca de 152 mil e 800 habitantes, sendo que a proporção de escravos negros estava na casa de dois para cada "homem livre". Nas cidades, vilas, povoações e fazendas, além da existência de negros escravos, havia os negros livres, fato este que poderia, certamente, elevar o número de negros. A expansão das lavouras de algodão para o sertão maranhense e a conseqüente necessidade do aumento do tráfico de escravos negros produziu grandes concentrações de escravos no interior. E, a presença de pouca vigilância facilitou (desde o início do século XVIII) as fugas diárias e a constituição de diversos quilombos, onde os ex-escravos mantinham casas, plantações e criações. Em alguns quilombos exploravam-se minas de ouro, o que permitia que se mantivessem mais relações comerciais com os povoados próximos, possibilitando a compra de víveres, tecidos, armas e munições. Outros quilombolas viviam de forma dispersa, em casebres no interior das matas, praticando a agricultura e optando pelo isolamento. As trilhas que levavam até os quilombos eram diversas. Por volta de 1850, alguns daqueles quilombos tinham mais de 40 anos! Era comum os quilombos serem reconstruídos após imporem grandes resistências às tropas oficiais. Renasciam das cinzas de plantações e casebres destruídos, reconstruindo assim a rota da liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos quilombos criados no decorrer do período eram, como testemunham as numerosas áreas Remanescentes de Comunidades de Quilombos, registros atuais daqueles acontecimentos históricos. Neste ponto, acentuamos que entre os heróis da história brasileira devemos enaltecer alguns participantes ativos de revoltas ou insurreições escravas e populares anteriores e posteriores ao século XIX, como o nome de Cosme Bento das Chagas. Por outro lado, deveríamos aprender a negar Duque de Caxias, historicamente imposto aos brasileiros como um dos heróis nacionais quando, uma das suas atividades mais constantes foi a de ser um autêntico representante dos interesses das elites brasileiras e um implacável destruidor de quilombos. Estes foram espaços sociais, políticos e ideológicos conquistados por negros. E, estabeleceram rotas da liberdade contrárias às rotas do tráfico de escravos, da escravidão, do açoite, da submissão, da pobreza, da miséria, do racismo, da exclusão social e racial. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Maranhão, era significativa a presença dos interesses comerciais ingleses, provocando constantes reações de setores nacionais e portugueses. De maneira geral, os períodos de prosperidade que produtos como o algodão e o açúcar alcançaram no mercado internacional beneficiava diretamente os setores e os interesses dominantes do comércio ou do tráfico de escravos. A grande maioria sobrevivia presa à escassez de produtos de subsistência, `a submissão, ao escravismo e à violência. Longe, portanto, das camadas sociais ou famílias que viviam envoltas pela opulência e fortuna. Especialmente, os senhores de engenho (que, assim como os colonos brancos, eram em sua maioria analfabetos e embrutecidos) que concentravam poder, prestígio social e econômico, condição que era alimentada pela manutenção dos grilhões da escravidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De uma maneira geral, negros, índios e mestiços eram social e racialmente desprezados pelos brancos e, é necessário acentuar que, também era comum a rejeição dos negros pelos mestiços. Na sociedade maranhense de então, havia casos exemplares de crioulas e mestiças amasiadas com ricos e poderosos locais que viviam rodeadas de fartura, jóias e de escravos. Porém, a grande maioria das mestiças de tudo fazia para parecer mais brancas e, em decorrência, rejeitavam abertamente negros e "mulatos" que não podiam maquiar as suas origens social e racial. E, foi exatamente no sertão onde se deu uma maior aproximação entre brancos e índios, resultando em uma numerosa população mestiça. Posteriormente, com o avanço das grandes lavouras e com a introdução da mão-de-obra escrava africana (nas plantações, nos trabalhos artesanais - onde o negro convivia com homens livres assalariados - e nos serviços domésticos) resultou em um crescente número de mestiços entre negros e brancos e, também, entre negros e índios. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As relações sociais pautadas na "raça" chegaram ao ponto de as famílias brancas rejeitarem a mistura racial, determinando que a permissão das relações e dos casamentos deveria estar ligada à comprovação da genealogia ou dos antecedentes dos pretendentes. A pureza étnica ou racial deveria estar presente e comprovada até os tetravós!!! O ideal social e racialmente positivo era ser "branco puro". Os mulatos eram estigmatizados e, ser "pardo" era uma desonra. Porém, devido à grande quantidade de membros da "raça cruzada", o "perigo" era um "branco puro" se "casar com bode", ou seja, como se dizia na época, com aqueles que "haviam berrado no ventre materno". Todo esse leque de rejeições levou a que houvesse uma grande conscientização das diferenças sociais, econômicas e raciais, assim como se tornaram um poderoso fermento para o crescimento da violência nas relações sociais maranhenses. Desta maneira, para certos membros das camadas dominantes da província, os movimentos que contestavam aquela rígida sociedade escravista eram compostos por pessoas social e racialmente ignorantes. Com isso, as revoltas e insurreições aprofundaram ainda mais os preconceitos e as barreiras sociais e raciais existentes. Ser pobre e "de cor" eram marcas que rebaixavam a condição dos indivíduos. Mas, logo os movimentos dos balaios e dos escravos tomaram proporções gigantescas e receberam milhares de adesões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na 1a metade do século XIX, alguns elementos serviram para alimentar o caldo de cultura que indicava profundas mudanças. A independência política, ocorrida em 1822, gerou profundas divisões e rivalidades no seio da elite dominante maranhense. Estava em jogo interesses de grupos e a direção dos mesmos diante das novas alianças e projetos que o país independente tomaria. Dentro desta ótica, outro fato significativo foi a substituição do algodão pelo açúcar na economia do Maranhão. No contexto internacional, o século XIX assistiu à definitiva instalação dos interesses ingleses na economia brasileira e a liquidação do domínio colonial português sobre o país. Naquele contexto, também, ocorreu o avanço na desestruturação da economia maranhense (fato que ocorria desde o século XVIII), tanto na agricultura como na pecuária. O alargamento da crise sobre as estruturas produtivas agravou o nível de vida das camadas populares (aumentou a miséria da população devido à falta de recursos e de terras para a produção de subsistência e de víveres e, ainda, cresceu o número de desocupados e de indigentes no sertão da província). Em contrapartida, o escravo era cada vez mais utilizado na maioria das atividades produtivas. Este fato criou tensões constantes entre as camadas pobres e livres e os escravos negros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda aquela ebulição de acontecimentos possibilitou a germinação de certa semente de conscientização política. Esta apontava para a necessidade de expulsão dos portugueses (e outros estrangeiros) e a defesa intransigente da nacionalidade. Outra característica se deu na assimilação de ideais de liberdade, particularmente entre os escravos. É necessário ressaltar que aqueles acontecimentos no Maranhão ocorriam em pleno período regencial (1831-1840), contexto em que ocorreu a Abdicação de D. Pedro I e a Maioridade de D. Pedro II, com a conseqüente crise do poder nacional em constituição e as suas numerosas e sangrentas revoltas, insurreições e revoluções nas demais províncias. O debate político tornou-se intenso. A imprensa impulsionava a ebulição de idéias liberais e nacionalistas entre todas as camadas sociais, especialmente, entre os populares. O ódio aos portugueses era comum a muitas revoltas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os nacionais e as suas idéias nacionalistas e liberais, alimentadas na cidade de São Luís, reivindicavam (com o apoio externo, especialmente, inglês) a tomada dos destinos da província, principalmente frente aos interesses portugueses e propondo uma redefinição das relações entre Portugal e o Brasil. No entanto, estas propostas liberais não superariam as contradições da sociedade hierárquica, racista e escravista maranhense. Foi com a inclusão de vastos setores sociais do interior que se procurou redefinir algumas questões quentes. Ao desfraldar a bandeira do "liberalismo revolucionário", os balaios enfrentaram, além da expulsão dos portugueses, a necessidade de se superar os preconceitos contra os "homens de cor" e os "brasileiros pobres". Nesta luta se destacaram homens das "classes inferiores", como Raimundo Gomes (vaqueiro, sertanejo e mestiço - índio com negro). Estes e outros homens carregavam objetivos, valores, interesses e ambições diferentes dos representantes da elite dominante. Então, no bojo quente da Balaiada, aquelas questões, contidas nos manifestos dos balaios, incentivaram a maior participação de mestiços, "pobres e deserdados", além de ricos proprietários de terras e escravos, famílias influentes, filhos de pobres agricultores entre outros. Desta forma, as motivações e as consciências dos objetivos da luta só podiam ser divergentes, de acordo com as diversas categorias sociais envolvidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante a Balaiada, os negros escravos foram rejeitados pelos líderes mestiços balaios. A maioria deles acabou, no decorrer da luta, se aliando às forças conservadoras e repressoras contra o escravo rebelado. Entre os balaios, principalmente, na fase mais aguda da repressão, as divisões internas incentivaram sérios conflitos entre os "homens de cor" (para os balaios, o "povo de cor" incluía as camadas mestiças, pobres e índios do Maranhão. Entre aqueles, não incluíam os negros livres ou escravos). Contudo, a rejeição inicial aos negros teria sido superada por alguns setores, no momento da desagregação da Balaiada, quando esta recebeu uma grande participação de negros. Aquela atitude inicial era devido à "assimilação dos valores da sociedade escravocrata pelas camadas desprovidas da população, gerando, entre elas, mecanismos de ascensão social e de rejeição ao negro". Este tipo de comportamento envolveu a todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, "o processo de conscientização do escravo negro no Brasil parece ter sido bloqueado, desde os tempos da Colônia, por duas sortes de barreiras: a natureza da própria sociedade escravocrata que, obstruindo ao negro as vias de acesso social, restringia-lhe as possibilidades de uma visão abrangente do meio em que vivia; e, a marginalização da numerosa camada pobre de brasileiros que, vivendo à sombra do escravo, teve sua consciência social condicionada à própria visão do grupo dominante". No caso específico do Maranhão de então, continua a autora, por estar "a quase totalidade da sua população pobre (mestiços e índios) ligada à pecuária extensiva e às atividades de subsistência, a introdução do escravo africano como mão-de-obra exclusiva da lavoura e, mais ainda, infiltrando-se em todos os setores da vida maranhense, representou a perda de oportunidades de trabalho para milhares de pessoas". Entre as conseqüências, "reduziram-se, desta forma, as possibilidades de ascensão em uma sociedade onde, até aquele momento, o trabalho constituía não apenas uma forma de subsistência, mas principalmente um fator de participação social para a numerosa população pobre ligada ao trabalho livre. Vivendo essa população livre à sombra do escravo que se apropriou do trabalho, aviltando-o socialmente, ela rejeita esse escravo, primeiro como concorrente, depois pela assimilação de valores vigentes na sociedade do tempo" (Santos, 1983: 63, 89 e 103).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta maneira, a Balaiada como movimento social, desde o início não conseguiu superar a força da ideologia racista daquela sociedade escravista e, nem o seu fundamento, o trabalho escravo. Consequentemente, quando manifestou um "Fora feitores e escravos", tinha uma relação maior com as possibilidades abertas para a ascensão social da maioria dos balaios, do que qualquer tipo de solidariedade com os negros escravos ou de negação do trabalho escravo. E, por mais que as condições sociais e de vida dos pobres, caboclos, mestiços e índios se assemelhassem àquelas vividas pelo negro escravo ou alforriado, os líderes rebeldes balaios estiveram a maior parte do tempo mais próximos dos liberais maranhenses pois suas reivindicações não chegaram a ultrapassar promessas de "fidelidade à Constituição, à religião católica e ao imperador, voltando-se contra a influência dos portugueses e os privilégios sociais que dificultavam a ascensão de amplos setores da sociedade maranhense" (Santos, 1983: 90). Quando falava em igualdade, seria uma conquista dirigida aos "homens de cor", para que os mestiços, cabras e caboclos, tivessem os mesmos direitos que os brancos. Eram, então, limites que excluíam os negros, assim como ocorria com a ideologia dominante daquela sociedade escravista. Somente quando os movimentos dos balaios e dos escravos perderam a força inicial (por volta de 1840) que houve um princípio de aproximação entre eles. Foi quando a luta assumiu o caráter de uma revolta dos "homens de cor contra os brancos", momento em que se organizou uma implacável repressão contra os últimos e persistentes revoltosos. O líder dos balaios, Raimundo Gomes, após ser derrotado, juntou-se (em 1839) aos quilombolas liderados por Cosme Bento das Chagas. Posteriormente, em 1841, juntou-se a um grupo de índios, até render-se com mais de 700 rebeldes às tropas do futuro Duque de Caxias. A fome, a doença e a repressão venceram os cerca de 11 000 mil balaios. Entre eles, havia grande número de camponeses pobres, índios, mestiços, brancos e negros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grande medo das elites era a ocorrência de uma rebelião negra. Naquela etapa da insurreição "os negros aprenderam com os balaios as táticas de guerrilhas, quando a sua luta extrapolou a resistência dos quilombos para os confrontos em campo aberto com as tropas da legalidade. Como os balaios, também os negros incendiavam as casas e os paióis para que o inimigo não encontrasse recursos de abastecimento". Foi, então, "entre 1838 e 1841 - com a Balaiada - que os movimentos de escravos no Maranhão adquiriram novas performances, ultrapassando os níveis de resistência tradicionalmente utilizados (fugas, assassinatos, quilombos) e caracterizando-se pela resistência ativa com grandes mobilizações e razoável grau de organização" (Santos, 1983: 91 e 96).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o alastramento da revolta dos balaios e dos movimentos de fugas, quilombos e insurreição de escravos foi todo o sistema de poder, produção e dominação escravista maranhense que esteve ameaçado. Em 1839, conservadores e liberais superaram as suas divergências e passaram a unificar a luta contra aqueles que ameaçavam a continuidade do sistema. Imediatamente, unificou-se o uso da força pelo governo. Com a ajuda de proprietários e comerciante organizou-se batalhões provisórios em diversas localidades. Também, em 1840, Luís Alves de Lima, o futuro Duque de Caxias, assumiu a presidência da província do Maranhão. À frente de cerca de 8 000 mil homens, estavam dadas as condições para a grande repressão que reuniu, ainda, lavradores, agregados, feitores e as poderosas famílias locais contra a Balaiada e as diversas formas de resistência à escravidão. Por volta de 1840, o movimento dos balaios começou a se desintegrar, devido às primeiras traições e à força da repressão adotada pelo governo. Para as classes dominantes da época, a cor e a pobreza eram tão pecaminosas quanto aquelas rebeldias. Para alguns, a cor era um defeito maior do que a pobreza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, diante de tudo isso, o grande foco da revolta escravista foi na região de Itapicuru, que chegou a concentrar cerca de 20 mil negros e ameaçou o "sossego público" do Maranhão. Daquela região o negro Cosme, ao fugir da cadeia de São Luís, iniciou uma grande insurreição de negros em várias fazendas da redondeza. O negro Cosme distribuía cartas de alforrias a seus seguidores e concedeu a si próprio o título de "Tutor e Imperador da Liberdade". Cosme sabia ler e escrever, tinha cerca de 40 anos e chamava a sua luta de "Guerra da Lei da Liberdade Republicana". Estendia a Irmandade do Rosário a todos aqueles que apoiavam a sua luta. Como líder espiritual, era onde o negro Cosme concentrava todas as suas forças. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cosme Bento das Chagas, como chefe negro, expressou o seu grau de consciência política e o valor que dava à liberdade, quando procurou estabelecer uma escola de ler e de escrever no quilombo de Lagoa-Amarela, na comarca do Brejo. Chegou a liderar cerca de 3 000 mil negros. Defendia a autoridade do Imperador Pedro II, todavia foi um negro forro e resistente ativo naquela sociedade escravista. Era natural de Sobral, no Ceará, não tinha domicílio certo e vivia de comandar a tropa de negros com o objetivo de acabar com a escravidão. Segundo o futuro Duque de Caxias, o "Tutor e Imperador da Liberdade" foi quem mais assustou os fazendeiros locais. Do grande quilombo situado na fazenda Lagoa-Amarela, próximo ao rio Preto, mantinha piquetes avançados e dirigia grupos de quilombolas que roubavam e incentivavam a insurreição nas fazendas da região. Na verdade, em toda a província do Maranhão eram milhares os negros quilombolas, tornando a insurreição incontrolável e generalizada. O negro Cosme, então, não tinha o controle sobre todos os negros rebelados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir de 1840, as perseguições se tornaram mais constantes e sangrentas para a captura de Cosme e seus homens. No final, cerca de 200 negros resistiram bravamente às tropas do futuro Duque de Caxias. Um grande número de quilombolas foi aprisionado (entre eles muitas crianças), e devolvidos a seus antigos senhores. O negro Cosme, ferido, ainda tentou refugiar-se entre os índios. Mas, foi capturado após uma heróica resistência de todos aqueles negros. Muitos morreram diante das tropas legalistas. O processo de julgamento de Cosme Bento das Chagas ocorreu de março de 1841 até abril de 1842. Em 5 de abril daquele ano, foi condenado à pena de morte. Foi enforcado na vila de Itapicuru-Mirim, talvez, entre os dias 19 e 25 de setembro de 1842. Assim como os búzios de 1798 em Salvador, e tantos outros, o negro Cosme foi justiçado para servir de exemplo. Mas, outros escravos e negros não aceitaram aquele "exemplo", pois os cativos continuaram resistindo e formando quilombos. E, com isso, nos transmitiram verdadeiros exemplos. Histórias como essas nos ensinam o poder da organização e a necessidade de termos a consciência de que a luta continua. Afinal, os afro-brasileiros seguem lutando contra a ideologia, o racismo e a dívida histórica que a sociedade brasileira impõe ao povo negro, mesmo após a superação da escravidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este texto foi baseado nas informações contidas no livro de Maria Januária Vilela Santos. A Balaiada e a Insurreição de Escravos no Maranhão. São Paulo: Ática, 1983.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Edson Borges é Mestre em Antropologia Africana pela USP. Editor da revista Estudos Afro-Asiáticos da Universidade Cândido Mendes (Ucam). Professor do curso de pós graduação "História da África" pela Ucam. Pesquisador e historiador. Esse texto foi escrito há 10 anos, mas o site resolveu dá-lo integralmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leia também&lt;br /&gt;Em busca da igualdade maçônica&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rui Barbosa quis barrar a entrada de escravocratas na maçonaria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maçonaria na luta pela liberdade escrava?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grande comendador soberano da maçonaria brasileira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palmares - Onde o Brasil aprendeu a liberdade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ABC de Palmares&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há 330 anos Zumbi se tornou grande senhor de Palmares&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O crime da água dos irmãos Rebouças&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os "infiltrados" na conspiração dos alfaiates baianos há 210 anos &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Revisão da abolição&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os bodes negros e a abolição no Brasil&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rota da liberdade do negro Cosme Bento das Chagas e a Balaiada (1838-1841)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Conspiração dos Búzios e a urgência de políticas raciais no Brasil &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A marcha que mudou o movimento negro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-3638623181573903482?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/3638623181573903482/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=3638623181573903482' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/3638623181573903482'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/3638623181573903482'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2009/06/rota-da-liberdade-do-negro-cosme-bento.html' title='A rota da liberdade do negro Cosme Bento das Chagas e a Balaiada (1838-1841)'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-1091198524767378144</id><published>2009-06-27T17:29:00.001-07:00</published><updated>2009-06-27T17:29:39.962-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/9frWYmUbq6c&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/9frWYmUbq6c&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-1091198524767378144?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/1091198524767378144/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=1091198524767378144' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/1091198524767378144'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/1091198524767378144'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2009/06/blog-post.html' title=''/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-8775954692783665878</id><published>2009-04-12T09:14:00.000-07:00</published><updated>2009-04-12T09:16:15.847-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_YRJeTabUfRY/SeITyPKalmI/AAAAAAAAADI/CAAelPtWMyA/s1600-h/barra.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 195px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_YRJeTabUfRY/SeITyPKalmI/AAAAAAAAADI/CAAelPtWMyA/s400/barra.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5323839463289951842" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-8775954692783665878?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/8775954692783665878/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=8775954692783665878' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/8775954692783665878'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/8775954692783665878'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2009/04/blog-post.html' title=''/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_YRJeTabUfRY/SeITyPKalmI/AAAAAAAAADI/CAAelPtWMyA/s72-c/barra.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-3613009066565522238</id><published>2009-04-12T09:12:00.000-07:00</published><updated>2009-04-12T09:14:30.266-07:00</updated><title type='text'>Barra Grande e MDL: será possível?</title><content type='html'>Márcia Pimenta*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2005 a concessão da Licença de Operação (LO) para a Usina Hidrelétrica Barra Grande, do Consórcio BAESA, colocou em evidência como interesses econômicos prevalecem sobre os interesses da sociedade. Apoiado em um Estudo de Impacto Ambiental (EIA) fraudulento, o IBAMA concedeu a LO para um empreendimento que inundaria uma área de 4.236 hectares composta por florestas em ótimo estado de conservação, sendo que metade dessa área formada pelas últimas áreas primárias de araucária em todo o Brasil. Além disso, os pesquisadores também encontraram no local as últimas 3 populações de uma espécie endêmica de bromélia, a Dyckia distachia, que pode ter sido extinta, em seu meio natural, devido a UHE Barra Grande.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O relatório da empresa de consultoria Engevix, contratada pela BAESA para elaborar o EIA/Rima (relatório de impacto ambiental) afirmava que a formação dominante na área a ser inundada pelo empreendimento era de capoeirões. A detecção da fraude não foi o suficiente para anular o EIA e o processo de licenciamento. A justiça avaliou o episódio como “fato consumado” já que o muro da barragem já havia sido construído, e validou um crime ambiental irreparável!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Águas passadas não movem moinhos” diz o ditado, mas legalizar um crime ambiental, além de ser um péssimo exemplo vindo de instituições que deveriam salvaguardar os interesses da sociedade, permite que a empresa agora dentro da legalidade avance em direção ao pedido dos créditos de carbono, através do Projeto MDL BAESA. O alerta foi dado pelo Fórum das ONG´s e Movimentos Sociais para Meio Ambiente e Desenvolvimento (FBOMS) que disparou em outubro de 2008 um comunicado onde rejeitava a UHE Barra Grande como Projeto do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) e apresentava suas motivações. O FBOMS faz parte de uma lista de atores envolvidos, interessados e/ou afetados pelas atividades de projeto que recebem cartas-convite a comentários. Os comentários feitos deverão ser levados em consideração pelos empreendedores do projeto e também serão anexados ao Documento de Concepção do Projeto  (DCP), que será analisado pela Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima (CIMGC), aprovando-o ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As críticas referem-se ao desrespeito aos princípios básicos do MDL, já que qualquer projeto, para ser qualificado como MDL, deve satisfazer os critérios de elegibilidade estabelecidos pelo Protocolo de Quioto; promoção do desenvolvimento sustentável e comprovação da adicionalidade do projeto, ou seja, que as reduções de emissões sejam adicionais às que ocorreriam na ausência do projeto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O argumento inicial do FBOMS faz coro com o discurso de estudiosos como Philip Fearnside especialista em Clima e Florestas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA, que afirma que as hidrelétricas no Brasil são fábricas de metano. O metano é um gás com potencial de aquecimento 21 vezes maior do que o CO2 e assim as hidrelétricas no Brasil emitiriam, em média, 4 vezes mais gases de efeito estufa do que as termelétricas a combustíveis fósseis. O metano é gerado pela vegetação que ficou submersa pelo lago represado da hidrelétrica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo o biólogo e mestre em botânica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Paulo Brack, existem outros cálculos que questionam as hidrelétricas como fontes de energia limpa e se fundamenta na floresta como sumidouro de carbono. Assim, além da emissão de metano pela floresta alagada estaria a perda de massa florestal que faz naturalmente a absorção de carbono da atmosfera. Como explica Brack, um estudo encomendado pela BAESA à FUNCATE - Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologia Espaciais - atesta que entre Florestas Primárias Florestas Secundária em Estado Avançado e Florestas Secundárias em Estado Médio de Regeneração foram alagados um total de 5.728,89 ha. Os dois relatórios da FUNCATE apresentam diferenças no número de árvores contidas em cada ha, mas considerando o número mais conservador existiriam 721 árvores /ha. Logo, 4,131 milhões de árvores teriam perecido com a hidrelétrica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se confrontada com a fraude comprovada do EIA apresentado ao IBAMA a proposta da atividade de projeto UHE Barra Grande parece uma peça de ficção! Uma análise à luz do histórico do processo de licenciamento, marcado por uma série de batalhas jurídicas por parte dos movimentos socioambientais, derrubará várias meias verdades contidas no texto do DCP disponibilizado na internet. Escolhi algumas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A empresa orgulhosamente afirma que “comprovou-se com a construção do Projeto BAESA que é possível conjugar desenvolvimento socioeconômico com preservação ambiental” omitindo totalmente o fato de que se o EIA houvesse apresentado a configuração real da área a ser alagada o projeto jamais teria sido licenciado. Também assume que “contribui para o desenvolvimento sustentável dos municípios abrangidos e do país à medida que proporciona o desenvolvimento econômico da região, sem comprometer as gerações futuras, atendendo ao conceito de Desenvolvimento Sustentável”. Ora, isso não é verdade, uma vez que a área alagada era de mais de 2 mil hectares de Mata Atlântica Primária declarada na Constituição Federal de 1988 (art.225, §4º) como Patrimônio Nacional. Isso, certamente, significa que o legislador constituinte, reconhecendo a importância desse bioma quis que ele tivesse uma proteção especial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para atestar sua suposta contribuição para o desenvolvimento sustentável a empresa diz que mantém vários projetos direcionados para a área socioambiental e na verdade estes projetos são condicionantes de sua LO, uma vez que um Termo de Compromisso foi assinado pela BAESA como uma compensação por ter cometido um impacto ambiental de grande dimensão. Diz ela que “dentre os projetos ambientais, pode ser destacado o programa de reflorestamento que tem como meta o plantio de um milhão de mudas até o ano de 2013″ Como salientou o Professor Brack mais de 4 milhões de árvores foram afogadas pelo lago e, sendo assim, o plantio de 1 milhão de mudas mostra-se insuficiente para compensar o dano ambiental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outro momento do DCP a empresa elenca as condicionantes apresentadas na LO e vangloria-se: “Como se vê as ações exigidas pelo órgão licenciador ambiental referem-se fundamentalmente à continuidade dos programas e metodologias de mitigação do impacto ambiental que foram e estão sendo desenvolvidos na implantação do Projeto BAESA, comprovando a qualidade e seriedade da empresa quanto às questões ambientais”. Mais uma tentativa de levar o analista do projeto a um equívoco, já que uma inspeção judicial relativa à Ação Civil Pública movida pela Rede de ONGs da Mata Atlântica e Federação das Entidades Ecologistas de Santa Catarina (FEEC), constatou que “nas ações de mitigação dos impactos ambientais a situação é considerada mais precária. A própria LO 447, expedida em 04/04/05 com validade de 12 meses, não foi renovada pelo IBAMA. Segundo o IBAMA a renovação não ocorreu porque algumas condicionantes da LO não haviam sido atendidas.” A renovação só aconteceu em 14/01/2008. Conclui-se, portanto que as condicionantes expressas na renovação da LO dizem respeito à continuação dos projetos já que os benefícios e resultados previstos ainda não foram alcançados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eloir Denílson Soares integrante do Movimento dos Atingidos por Barragens - MAB alega que na questão social a fraude não foi diferente já que o levantamento da ENGEVIX admitia que 820 famílias haviam sido atingidas pelo empreendimento, mas que na verdade foram mais de 1600. Quanto aos acordos, boa parte deles, assinados com o MAB na presença de procuradores federais e do IBAMA, não foi cumprida, segundo Eloir. Neste sentido a inspeção judicial realizada alega que “entre os diversos itens do Acordo Social, alguns deles não foram cumpridos ou apenas parcialmente, como é o caso da construção de equipamentos para uso coletivo como igrejas, centros comunitários”, autenticando o que foi dito pelo Eloir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No que se refere à adicionalidade o argumento não se sustenta, uma vez que a hidroeletricidade é prática comum no Brasil e segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), responde por mais de 70% da capacidade geradora do país. Além disso, a Licença Ambiental Prévia da Usina foi originalmente emitida no ano de 1999 e a Licença de Instalação em 2001 e nesta época não havia conhecimento sobre o futuro do Protocolo de Quioto e dos seus mecanismos de flexibilização. Assim, lastrear uma decisão de investimento tão importante aos créditos de carbono parece temeroso e não seria uma atitude sensata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A BAESA justifica a adicionalidade de seu projeto colocando-o como alternativa a geração de energia por termelétricas, comuns no Sul do país devido à oferta de carvão mineral abundante na área, como se só existissem estas duas opções. Mas o discurso está bem alinhado com o do governo, que não consegue emplacar suas mega-construções por questionamentos jurídicos de ordem socioambiental e avança na construção de novas termelétricas, catapultando o Brasil para a retaguarda do movimento mundial que vem investindo na descarbonização de sua matriz energética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, toda esta discussão não pode deixar de abordar a real necessidade de o Brasil aumentar sua oferta de energia à custa de impactos socioambientais irreversíveis. É bom lembrar que investimentos em eficiência energética e em energias renováveis não-convencionais, como solar térmica, eólica e biomassa, são uma boa maneira de diminuir as emissões de gases de efeito estufa de forma sustentável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalizando, proponho uma reflexão: será possível uma empresa que apresentou um documento fraudulento para concretizar um empreendimento que acarretou em um impacto ambiental irreversível evocar agora a preocupação ambiental, para arrecadar créditos de carbono que poderiam ser direcionados para iniciativas de fontes energéticas comprovadamente sustentáveis? Se o projeto for realmente submetido, espera-se que essa questão seja levada em consideração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* A autora é jornalista&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Envolverde/O autor)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-3613009066565522238?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/3613009066565522238/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=3613009066565522238' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/3613009066565522238'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/3613009066565522238'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2009/04/barra-grande-e-mdl-sera-possivel.html' title='Barra Grande e MDL: será possível?'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-5950340078916017684</id><published>2009-04-12T09:10:00.000-07:00</published><updated>2009-04-12T09:12:03.169-07:00</updated><title type='text'>MMA propõe energia solar para casas do PAC da Habitação</title><content type='html'>Gerusa Barbosa, para o MMA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ministério do Meio Ambiente vai propor à Casa Civil a utilização de energia solar nas casas populares construídas pelo PAC da Habitação em substituição ao chuveiro elétrico. A idéia foi lançada durante oficina de trabalho, promovida pelo MMA no último dia 10/3, com o objetivo de discutir a elaboração do programa do governo para desenvolvimento e disseminação de ações na área de aquecimento solar de água. A primeira versão do plano deverá ser encaminhada ao Planalto até o final da próxima semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Participaram do encontro técnicos da Secretaria de Mudanças Climáticas/MMA, do Ministério do Minas e Energia (parceiro da iniciativa) e de outros setores do governo e agentes internacionais. Com apoio do Ministério Alemão de Meio Ambiente, Proteção Ambiental e Segurança Nuclear, por meio da Cooperação Técnica Alemã (GTZ), a oficina teve como finalidade compartilhar as experiências dos diversos agentes que atuam na área, de modo a incrementar a utilização do aquecedor solar no mercado nacional de maneira ampla e eficiente, reduzindo seus custos de instalação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A viabilização de um programa de incentivo da energia solar térmica poderá auxiliar na implementação do Plano Nacional sobre Mudança do Clima, que prevê o uso de aquecimento solar de água para mitigação dos efeitos climáticos. A energia solar é superior a qualquer outra forma de captação de energia convencional por tratar-se de uma fonte totalmente natural, ecológica, gratuita, inesgotável e que não agride o meio ambiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O chuveiro é responsável por um terço da energia elétrica consumida em uma residência, por isso é considerado o grande vilão do uso eficiente de energia. O aquecimento de água para banho é responsável por 5% do consumo de energia elétrica no País. Nas regiões Sul, Sudeste e Centro- Oeste, sua participação é de respectivamente 24%, 26% e 26% do total da energia gerada. Já no Norte e Nordeste, esses percentuais são bem mais baixos, da ordem de 2% e 14%, respectivamente. Esse fato é responsável por aproximadamente 18% do pico de demanda do sistema elétrico nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os chuveiros elétricos são grandes consumidores de energia e, apesar de eficientes do ponto de vista de conversão de energia elétrica em térmica, seu uso não é considerado eficiente sob o ponto de vista da utilização da eletricidade. Assim, um sistema misto elétrico-solar torna possível obter até 80% da energia renovável e usar apenas 20% de energia elétrica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(MMA)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-5950340078916017684?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/5950340078916017684/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=5950340078916017684' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/5950340078916017684'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/5950340078916017684'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2009/04/mma-propoe-energia-solar-para-casas-do.html' title='MMA propõe energia solar para casas do PAC da Habitação'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-2467174993777236667</id><published>2009-04-12T09:07:00.000-07:00</published><updated>2009-04-12T09:09:01.392-07:00</updated><title type='text'>Por uma arbitragem justa entre devedores e credores</title><content type='html'>Santaley Kwenda, da IPS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ativistas internacionais contra a dívida pedem a criação de um mecanismo de arbitragem para atender as dificuldades que muitos países do Sul em desenvolvimento enfrentam para pagar seus compromissos atrasados. Reunidos em Johannesburgo na semana passada para a conferência internacional “Mecanismo de arbitragem justo e transparente para as dívidas odiosas e ilegítimas”, os ativistas se manifestaram contra o atual sistema, em que as nações mais pobres afundam cada vez mais no endividamento. Pediram a revisão do poder das instituições financeiras internacionais, a fim de proteger os pobres do saque econômico que significam os pagamentos da dívida. Além disso, sugeriram criar um processo de arbitragem da dívida para equilibrar a atual crise financeira mundial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Há necessidade de um enfoque que possa apresentar uma solução duradoura para a crise da dívida, reconhecendo que os devedores e os credores devem compartilhar a responsabilidade de prevenir e resolver as situações insustentáveis”, segundo Cephas Lumina, especialista independente que trabalha para a Organização das Nações Unidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao falar na conferência, Lumina considerou importante estabelecer um novo mecanismo para solucionar a crise fora do contexto do Clube de Paris e do Clube de Londres, que reúnem devedores e credores. “Falta governabilidade global transparente e justa, manifestada no domínio dos credores nas tomadas de decisões para resolver a crise de dívida e a falta de proteção para os devedores”, acrescentou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por sua vez, Opa Kampijimpanga, da Rede e Fórum Africano sobre Dívida e Desenvolvimento (Afrodad), disse que os atuais mecanismos de pagamento são brutais por natureza e devem ser transformados. A Afrodad organizou a conferência, que terminou segunda-feira, em colaboração com a Rede por Justiça Econômica (EJN, sem fins lucrativos) dos Conselhos de Irmandade Crista na África austral. A Afrodad nasceu do desejo de conseguir soluções duradouras para o problema da dívida, que tem impacto negativo nos processos de desenvolvimento do continente africano. “O atual processo de dívida é manejado por um sistema brutal e capitalista por natureza. Pedimos uma responsabilidade equitativa entre devedor e credor, à luz da corrupção e das más políticas que são aconselhadas. Os credores devem entender que também cometem erros e que devem pagar por eles, e não jogar toda a responsabilidade sobre os países devedores”, acrescentou Kampijimpanga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, destacou a necessidade de aplicar um mecanismo para proteger os países do Sul de algumas das receitas estabelecidas pelo Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial. “Deve haver um mecanismo de arbitragem formulado através da Organização das Nações Unidas para dar às pessoas comuns que sofrem uma voz para lutar por seus direitos, já que seus governos demonstram ser incapazes de fazer isso”, acrescentou Kampijimpanga. Mas, quem pode desempenhar esse papel se os governos são muito fracos? “As organizações da sociedade civil podem fazer isso em nome dos cidadãos e apresentar as acusações nas Nações Unidas em linha com a Carta da ONU, que protege os direitos dos cidadãos. Tudo o que queremos é um espaço para fazê-lo e uma voz para dizê-lo”, ressaltou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por um lado, lamentou as pobres respostas dos credores internacionais ao problema da dívida na África, citando o caso da iniciativa para Países Pobres Altamente Endividados (HIPC) e a Iniciativa Multilateral de Ajuda à Dívida como casos que devem ser estudados. A HIPC foi lançada pela primeira vez em 1996 pelo FMI e pelo Banco Mundial. Foi revisada em 1999, vinculando o alívio da dívida à redução da pobreza, à estabilidade macroeconômica e às reformas estruturais. Para que um país se qualifique ao HIPC deve ter uma carga de dívida insustentável, um histórico de reformas e políticas solicitadas pelo Banco Mundial e pelo FMI e preparar os papeis de Estratégia de Redução da Pobreza (PRSP) através de um processo com ampla participação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os PRSP são os planos sucessores dos programas de ajustes estruturais iniciados nos anos 80. Estas iniciativas supostamente procuram reduzir o dinheiro que os devedores devem pagar às instituições internacionais, porém, a realidade mostra outra coisa. Vários estudos indicam que alguns países ainda gastam mais recursos no ano em serviços de dívida do que nos programas nacionais destinados a reduzir a pobreza e melhorar as condições de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outros participantes da conferência disseram que os mecanismos para o pagamento das dívidas trata os países devedores como vilões e dão mais ênfase no saldar os compromissos do que nas necessidades dos cidadãos, nos direitos humanos e nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Como exemplo foi apontado o caso da insistência do FMI para que Zimbábue pague uma dívida atrasada antes de ter acesso a novos créditos, apesar de esta nação sofrer grandes dificuldades para fornecer serviços básicos à população, como cuidados médicos, água potável e educação. “É uma demanda ridícula do FMI que não deve ser levada a sério”, disse Lumina Vitalis Mea, da Afrodad. “Devemos fazer uso da ONU para pressionar por iniciativas mais fortes e enfrentar as instituições financeiras”, afirmou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Envolverde/IPS)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-2467174993777236667?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/2467174993777236667/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=2467174993777236667' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/2467174993777236667'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/2467174993777236667'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2009/04/por-uma-arbitragem-justa-entre.html' title='Por uma arbitragem justa entre devedores e credores'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-9063093949307270831</id><published>2009-04-12T09:01:00.000-07:00</published><updated>2009-04-12T09:06:33.918-07:00</updated><title type='text'>Diga-me quem te empresta…</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_YRJeTabUfRY/SeIRgE-6OGI/AAAAAAAAADA/LF7Djvuyup0/s1600-h/diga.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 189px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_YRJeTabUfRY/SeIRgE-6OGI/AAAAAAAAADA/LF7Djvuyup0/s400/diga.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5323836952296437858" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sanjay Suri, da IPS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A injeção de US$ 1,1 trilhão no Fundo Monetário Internacional, anunciada pelo Grupo dos 20 países ricos e emergentes em Londres na semana passada, pode ser mais dolorosa do que salvadora para as economias em desenvolvimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2005, o Grupo dos Oito países mais poderosos reunidos em Gleneages (Escócia) comprometeram US$ 50 bilhões em assistência. Metade seria para a África e a outra metade para o resto do mundo em desenvolvimento. Na época, a quantia já parecia muito elevada. Isso ocorreu quando a palavra recessão estava enterrada no dicionário, governos e empresas se encontravam em boa situação e muitos números financeiros eram inflados por malabarismos aos quais ninguém controlava e, ainda, por uma dívida que se podia pagar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como este clube da riqueza e do poder pode ficar mal? O problema com o dinheiro é que o que se pensa sobre ele pode ser real ou não. Torna-se real quando alguém o necessita para pagar. Nem a África nem os outros países em desenvolvimento viram nem mesmo uma fração decente desses US$ 50 bilhões. O governo britânico, incentivado por uma exibição pública de moralidade maior provocada pelas estrelas do rock Bob Geldof e Bono, fez os anúncios. Nas semanas e meses seguintes, os britânicos cumpriram sua parte no compromisso, segundo interpretação do governo. Os outros músicos da banda permaneceram em silêncio. Se nos dias de bonança dos ricos não puderam entregar US$ 50 bilhões, quem nos tempos ruins entregará US$ 1,1 trilhão? Se é que esta quantia pode ser encontrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eis que na cúpula do G-20, realizada quinta-feira passada em Londres, anunciou-se que o FMI receberá um pacote de US$ 1,1 trilhão para azeitar o financiamento do comércio e os bancos regionais de desenvolvimento. Dessa quantia, US$ 500 bilhões procederão dos membros do G-20. A União Européia, os Estados Unidos e o Japão entrarão com US$ 100 bilhões cada, e a China com US$ 40 bilhões. Prevê-se que o restante virá de algum lugar. “Em Gleneagles os países ricos contaram com o cancelamento da dívida como uma parte da assistência. O dinheiro da ajuda é contabilizado com todo tipo de manipulações’, disse à IPS Kumi Naidoo, copresidente do Chamado Mundial à Ação Contra a Pobreza (GCAP).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, de um modo ou de outro, depois disso a assistência diminuiu. A reunião do G-8 de 2005 havia comprometido uma quantia significativamente menor, e “depois disso houve uma queda na ajuda por parte de países como Itália e Canadá”, acrescentou Naidoo. Desta vez, não se fala do mais de um bilhão de dólares como se fosse um pacote de assistência. Mas o cerca uma boa retórica que inclui a ajuda aos pobre e às economias em dificuldades. Considerando que não existe uma economia que não esteja em dificuldades, esse dinheiro é para todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o FMI também emitirá “direitos especiais de giro” no valor de US$ 250 bilhões, isto é, uma espécie de moeda de empréstimo própria desse organismo multilateral. O objetivo é apoiar o comércio dos países mais pobres, mas este compromisso não convence o GCAP. Segundo Naidoo, volta-se a confiar em demasia no FMI e no Banco Mundial como canais de distribuição. “E, em qualquer caso, enquanto se promete este dinheiro para facilitar o comércio, pouquíssimos países em desenvolvimento implementam as facilidades de créditos para a exportação que poderia ajudá-los a aproveitar isto. Assim, o Norte será mais beneficiado do que o Sul”, ressaltou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre a redução dos desequilíbrios, não há nenhum compromisso em absoluto. Isto significa que a Rodada de Doha de negociações multilaterais de comércio não se transformaria em uma “rodada de desenvolvimento”, como é sua denominação oficial. Este processo continua paralisado porque os principais países em desenvolvimento bloqueiam as gestões dos Estados Unidos e da União Européia pela redução de tarifas alfandegárias sem se comprometerem, por seu lado, a reduzir os subsídios à sua produção. “A UE, os Estados Unidos e o Japão estão atuando em interesse próprio”, disse Naidoo. “Eles violaram completamente a Rodada de Doha. A menos que o sistema comercial seja justo, as indústrias em muitos países em desenvolvimento podem deixar de funcionar”, afirmou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos ativistas se preocupam pelo fato de a declaração do G-20 não incluir um compromisso à justa distribuição do dinheiro adicional que supostamente se disporá. “Damos as boas-vindas aos US$ 1,1 trilhão para a recuperação econômica mundial”, disse Duncan Green, porta-voz da Oxfam, em um comunicado. “Mas, devemos assegurar que as nações pobres obtenham sua cota, que Uganda se beneficie da mesma maneira que a Ucrânia”. A Oxfam também expressou preocupação pelo fato de o FMI ter sido nomeado distribuidor do novo dinheiro. “Temos profundas preocupações sobre o quanto o FMI se tornou central nesta crise. O Fundo recebeu um cheque em branco, mas sua reforma continua não passando de uma promessa” disse Green. “A nova ordem mundial anunciada pelo primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, deve funcionar para 192 países, e não apenas para os oito ou 20″, ressaltou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Envolverde/IPS)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-9063093949307270831?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/9063093949307270831/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=9063093949307270831' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/9063093949307270831'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/9063093949307270831'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2009/04/diga-me-quem-te-empresta.html' title='Diga-me quem te empresta…'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_YRJeTabUfRY/SeIRgE-6OGI/AAAAAAAAADA/LF7Djvuyup0/s72-c/diga.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-6491900464966135628</id><published>2009-04-12T08:56:00.000-07:00</published><updated>2009-04-12T09:01:15.605-07:00</updated><title type='text'>58% dos municípios falham contra pobreza</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_YRJeTabUfRY/SeIQMJ7RxCI/AAAAAAAAAC4/dXrOIgC2lnw/s1600-h/grafico2.gif"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 294px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_YRJeTabUfRY/SeIQMJ7RxCI/AAAAAAAAAC4/dXrOIgC2lnw/s320/grafico2.gif" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5323835510514369570" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_YRJeTabUfRY/SeIQL2wP25I/AAAAAAAAACw/I1TB3nh66ow/s1600-h/grafico1.gif"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 294px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_YRJeTabUfRY/SeIQL2wP25I/AAAAAAAAACw/I1TB3nh66ow/s320/grafico1.gif" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5323835505367833490" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Dayanne Sousa, da PrimaPagina&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até 58% dos municípios brasileiros não cumprirão a meta das Nações Unidas de reduzir a pobreza pela metade de 1990 até 2015, caso se mantenha a velocidade de queda da proporção de pessoas vivendo com até meio salário mínimo verificada nos últimos anos. No período de 1991 a 2000, apenas 42% dos municípios apresentavam ritmo de decréscimo suficiente para cumprir o primeira dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM ), série de oito metas que os países da ONU se comprometeram a atingir até aquele ano. Para o Brasil como um todo, a projeção é de que o objetivo seja cumprido, mas o avanço é desigual - em 433 municípios a pobreza chegou a aumentar no período.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os números fazem parte de um levantamento, feito com dados do censo, pela equipe do Portal ODM, site que reúne índices sobre a evolução nos ODM para todos os municípios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A situação mais grave é a de municípios do Maranhão e Piauí. Com alta porcentagem de pessoas pobres, a redução na maioria das cidades foi baixa. Juntando os 438 municípios dos dois Estados, apenas 8% deles tinham conseguido reduzir em mais de 20% a pobreza até 2000. A média brasileira no período foi de 34,4%. Em 1991, os Estados somavam 354 municípios com mais de 80% de pessoas na pobreza. Em 2000, o número caiu para 122, mas quase a totalidade todas as cidades mantém mais da metade da população na pobreza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São Paulo conta com a maioria dos municípios que registraram aumento de pobreza no período. Em 39% das cidades do Estado houve retrocesso na meta e, em cinco delas, a proporção de pobres mais que dobrou. Apesar disso, a porcentagem, desde o início, era baixa nessas cidades: na maioria havia menos de 10% de pessoas vivendo na pobreza em 91.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alby Rocha, estatístico responsável pela análise, diz que esses retrocessos se explicam pela formação de bolsões de pobreza em algumas áreas. Seriam locais em que não há indústrias ou serviços e, portanto, faltam empregos. Em algumas regiões no Norte e Nordeste a atividade monetária é escassa, diz Luciana Brenner, uma das coordenadoras do Portal ODM. O fato de muitos sobreviverem sem necessariamente usar dinheiro causaria dificuldades para a análise com base no salário mínimo. O gráfico abaixo mostra quais municípios que, se mantiverem o mesmo ritmo registrado de 1991 a 2000, conseguirão atingir a meta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levando em consideração os Estados, das 27 unidades da federação, apenas 11 apresentam ritmo suficiente para alcançar a meta até 2015: Tocantins, Goiás, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Espírito Santo e Rondônia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diferentemente dos municípios, para os quais só há informações referentes a anos anteriores a 2000, nos Estados há dados de 2007, o que permitiu uma análise para dois períodos (de 1991 a 2000 e de 2000 a 2007). Roraima tem a pior situação nas duas épocas, tendo a pobreza aumentado 14% no total.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já Santa Catarina é o Estado que mais reduziu a pobreza. A proporção de pobres já era a segunda menor do Brasil em 91 (37,2%, logo depois de São Paulo, com 20,3%). Ainda assim, a redução foi intensa: 69,5%, quase o dobro da média nacional. Luciana diz que, desde a formação de Santa Catarina, dificilmente surgiam na região os bolsões sem atividade produtiva. “A organização se deu de uma forma mais homogênea”, conclui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja abaixo como está o ritmo dos Estados na redução da pobreza:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A coordenadora acredita que investimentos e orientação podem guiar os moradores das áreas mais pobres a criarem associações de negócios e gerarem lucro. “Essas oportunidades é que tiram uma família da pobreza”, argumenta, “assim você dá oportunidade para os filhos dessas pessoas terem boa educação e isso muda aquele ambiente”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(PNUD Brasil)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-6491900464966135628?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/6491900464966135628/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=6491900464966135628' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/6491900464966135628'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/6491900464966135628'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2009/04/58-dos-municipios-falham-contra-pobreza.html' title='58% dos municípios falham contra pobreza'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_YRJeTabUfRY/SeIQMJ7RxCI/AAAAAAAAAC4/dXrOIgC2lnw/s72-c/grafico2.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-1704823302235776904</id><published>2009-04-12T08:55:00.000-07:00</published><updated>2009-04-12T08:56:41.362-07:00</updated><title type='text'>Com igualdade entre gêneros no trabalho, pobreza cairia vinte por cento</title><content type='html'>Renata D’Elia, da PrimaPagina&lt;br /&gt;A desigualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho é uma das causas determinantes da pobreza na América Latina, aponta um estudo do Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo, uma instituição de pesquisa do PNUD em parceria com o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Se o acesso e os salários dos dois sexos fossem semelhantes, a proporção de pobres poderia ter uma queda de até 34% - no Brasil, chegaria a 20%, segundo as projeções da pesquisa, publicadas no artigo Eliminar as desigualdades de gênero reduz a pobreza. Como?.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trabalho levou em conta indicadores de Brasil, Argentina, Chile, República Dominicana, El Salvador, México, Paraguai e Uruguai - países em que geralmente as mulheres amargam menor participação na atividade econômica, maior taxa de desemprego e de informalidade e menor remuneração (mesmo quando o grau de instrução é similar).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para estimar os impactos da desigualdade nos níveis de pobreza de cada país, as autoras, Joana Costa e Elydia Silva, simularam três cenários, sempre comparando homens e mulheres de perfis semelhantes. No primeiro, homens e mulheres têm a mesma probabilidade de ser economicamente ativos. No segundo, ambos têm estatisticamente as mesmas chances de conseguir um emprego formal ou informal, e também de ficarem desempregados. No terceiro, eles recebem salários iguais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os resultados indicam que, se a participação feminina no mercado de trabalho aumentasse, a redução da pobreza no Chile chegaria a 34%. No Brasil, seria de 20%. Mesmo no Uruguai, que obteve os avanços mais discretos da simulação, a diminuição da pobreza atingiria 15%.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Garantindo às mulheres as mesmas chances em conseguir um emprego formal ou informal, e considerando igual probabilidade de desemprego entre elas e os homens, a pobreza cairia 8% na maioria dos países. O recuo seria de até 14% (no Brasil, 9%), caso ambos os sexos tivessem remunerações equiparadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A redução nos três aspectos da desigualdade de gênero no mercado de trabalho ajudaria a reduzir a pobreza”, observam as pesquisadoras. “Ainda que seja importante eliminar outros aspectos da desigualdade de gênero, concluímos que a promoção da participação das mulheres no mercado de trabalho é o aspecto com maior potencial de promover um crescimento que beneficie os pobres”, acrescentam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como a criação de filhos é um dos principais fatores que afastam as mulheres do mercado de trabalho, as autoras sugerem que as políticas públicas implantem ações na área de atenção à criança (como creches e escolas), especialmente voltadas para mulheres pobres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(PNUD Brasil)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-1704823302235776904?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/1704823302235776904/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=1704823302235776904' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/1704823302235776904'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/1704823302235776904'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2009/04/com-igualdade-entre-generos-no-trabalho.html' title='Com igualdade entre gêneros no trabalho, pobreza cairia vinte por cento'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-5803755469810381999</id><published>2009-04-12T08:52:00.000-07:00</published><updated>2009-04-12T08:54:49.587-07:00</updated><title type='text'>Crise financeira ameaça planejamento familiar</title><content type='html'>Thalif Deen, da IPS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A propagação da crise financeira global ameaça prejudicar outro dos principais objetivos da Organização das Nações Unidas em saúde e desenvolvimento: o planejamento familiar. Funcionários da ONU expressaram seu temor de que os fundos propostos para os serviços de saúde reprodutiva não cheguem ao seu objetivo. Segundo as mais recentes cifras, as doações internacionais aos programas de população continuaram crescendo nos últimos anos, passando de US$ 7,6 bilhões em 2006 para US$ 8,1 bilhões em 2007. O financiamento projetado ara 2008 e 2009 foi estimado em cerca de US$ 11,1 bilhões e US$ 11,2 bilhões, respectivamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Mas, devido à atual crise financeira mundial, não está claro se os doadores honrarão seus compromissos futuros e continuarão aumentando seus níveis de financiamento como nos últimos anos”, diz um novo comunicado divulgado por ocasião da sessão esta semana da Comissão da ONU sobre População e Desenvolvimento. é possível que os números finais para 2008 e 2009 “mostrem baixas nos níveis de financiamento para a assistência em população”, alerta o estudo. A ameaça chega quando a ONU alerta que seus Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, especialmente a redução pela metade do número de pobres e famintos até 2015, podem ser prejudicados pela crise econômica mundial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos oito Objetivos prevê o acesso universal aos serviços de saúde reprodutiva, junto com uma redução em três quartos da mortalidade materna. As metas de financiamento fixadas pela Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento, realizada no Egito há cerca de 15 anos, não cobrem as atuais necessidades, que cresceram drasticamente na última década. A crise da Aids é muito pior do que se previa, enquanto a mortalidade materna e infantil são ainda inaceitavelmente altas em muitas partes do mundo. Além disso, diz o estudo, o valor do dólar é hoje muito menor do que na época em que foi feita a conferência, em 1993.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa reunião também fixou a meta de US$ 20,5 bilhões para 2010, mas esta quantia é considerada hoje “simplesmente insuficiente para cobrir as atuais necessidades dos países em desenvolvimento na área de planejamento familiar, saúde reprodutiva, doenças sexualmente transmissíveis, pesquisa básica, informação e análise de políticas sobre população e desenvolvimento”. Foi pedido à Comissão sobre População e Desenvolvimento, que encerra hoje sua atual sessão, que revise e atualize os números, de modo a refletirem os atuais aumentos nos custos da atenção com saúde no mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A diretora-executiva do Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa), Thoraya Ahmed Obaide, disse à IPS que a brecha de financiamento para a saúde reprodutiva, especialmente no planejamento familiar, como parte de toda a ajuda a temas de população, caiu de 55% em 1995, quando somava US$ 723 milhões, para 5% em 2007, apenas US$ 338 milhões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Se não for revertido, o baixo financiamento para o planejamento familiar ameaça descarrilar nossos esforços coletivos para alcançar os Objetivos”, disse Obaid. “Não erradicaremos a extrema pobreza, a fome e a desigualdade, nem conseguiremos os demais Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, a menos que seja dada mais atenção aos temas de população e sejam destinados mais recursos e ao poder das mulheres e à saúde reprodutiva, incluindo atenção médica materna e planejamento familiar”, acrescentou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atualmente, há cerca de 200 milhões de mulheres no mundo em desenvolvimento que precisam de métodos anticoncepcionais efetivos, especialmente na África. “Agora é tempo de renovar as energias do planejamento familiar voluntário. Não há outro investimento em desenvolvimento que custe tão pouco e traga benefícios tão grandes e de longo alcance”, destacou Obaid. Porém, a presidente da organização Norte-americanos pelo Unfpa, Anika Rahman, afirmou que as últimas ações do Presidente Barack Obama e do Congresso dos Estados Unidos “marcam um forte compromisso com a melhoria da saúde e da dignidade das mulheres no mundo. Espero que o apoio do Presidente Obama ao Unfpa tenha um impacto positivo no compromisso dos governos do mundo com a saúde das mulheres”, disse à IPS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mês passado, o Departamento de Estado norte-americano anunciou que contribuiria com US$ 50 milhões para o Unfpa, ou seja, entregaria os fundos congelados há oito anos pelo governo de George W. Bush. A vice-diretora do Programa de Mulheres e População, da Fundação das Nações Unidas, Katherine C. Hall, afirmou à IPS que as metas fixadas pela conferência de 1993 serão revisadas à luz das realidades de 2009. “Ninguém poderia ter previsto a rapidez com que o HIV/aids infectaria várias populações, particularmente mulheres e jovens, nem o custo de tratar os doentes”, acrescentou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Envolverde/IPS)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-5803755469810381999?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/5803755469810381999/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=5803755469810381999' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/5803755469810381999'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/5803755469810381999'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2009/04/crise-financeira-ameaca-planejamento.html' title='Crise financeira ameaça planejamento familiar'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-4440397723840796823</id><published>2009-04-12T08:49:00.000-07:00</published><updated>2009-04-12T08:51:55.702-07:00</updated><title type='text'>Mulheres (e homens) à beira do novo</title><content type='html'>Naná Prado, Leticia Freire e José Maurício de Oliveira, do Mercado Ético&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edição: Fabiano Vidal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mulheres trabalham desde que o mundo é mundo. Trabalho invisível e não-remunerado no que hoje chamamos de economia do cuidar. Trabalho extenuante nos campos e nas fábricas, para complementar o orçamento doméstico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Costumamos esquecer esse fato histórico e cultural quando nos referimos a um fenômeno recente, que ganhou intensidade nas últimas décadas: a conquista do direito ao exercício de profissões que envolvem liderança, gestão e o domínio de corpos estruturados de conhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conquista, sim. Fruto de batalhas intensas pela igualdade de oportunidades entre os gêneros, não apenas no mundo do trabalho, mas no conjunto das relações sociais. Processo que está longe de se esgotar, tal a quantidade de assimetrias ainda vigentes. Mas que temos de reconhecer obrigatoriamente como um avanço a ser celebrado na direção de sociedades mais fraternas e solidárias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As perguntas que raramente fazemos são: como se sentem as protagonistas dessa conquista histórica? Como vivem esse processo em que as cartas socioculturais são reembaralhadas e redistribuídas? Como lidam com as novas demandas e conflitos gerados nessa travessia ainda inconclusa, em que o velho já não comanda mas o novo ainda não o é por inteiro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mercado Ético reuniu um grupo de mulheres de gerações diferentes para conversar sobre as dores e as delícias de viver um tempo de reinvenção. O debate foi mediado por Christina Carvalho Pinto e José Maurício de Oliveira. O resultado, você confere a seguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda sobre o tema, não deixe de ler o artigo de Antônio Andrioli, que publicamos hoje, sobre a águia que vira galinha depois que casa. É leitura obrigatória para homens e mulheres que não estão dispostos a se conformar com velhas soluções para novos problemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Maurício de Oliveira: Vou começar com uma provocação. Nos últimos 50 anos, um grupo crescente de mulheres conquistou o direito de acesso ao ensino superior, o que lhes permitiu construir relações de trabalho diferentes das que vigoraram por séculos - veem-se como profissionais, projetam e gerem carreiras, não se limitam a trabalhar apenas para complementar o orçamento doméstico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse processo, acabam por se transformar em “mães de fins de semana”, como já o eram tradicionalmente seus companheiros. Delegam a socialização dos filhos, quando os têm, a babás, avós e instituições como creches e escolas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mães e pais movidos por sentimento de culpa em relação aos filhos costumam ser presas fáceis dos caprichos infantis. É a receita infalível para a criação de multidões de adolescentes e adultos incapazes de tolerar qualquer grau de desconforto, privação e dor. Incapazes de estabelecer mediações entre os impulsos, os desejos e os objetos em que os projetam. Adolescentes e adultos que costumamos chamar de consumistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reunimos hoje aqui mulheres de várias idades que têm em comum a vivência desse conflito entre carreira profissional e socialização dos filhos. Gostaria de saber como é que vocês lidam ou lidaram com isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Norma Freire: Eu entendo bem o que você diz. Eu trabalhava, mas tive filhos tarde. O pai dos meninos é professor, então ele tinha um horário mais flexível. Quando as crianças nasceram, parei de trabalhar porque achei que era importante ficar com elas o máximo que eu pudesse. Parei com tudo durante o tempo que deu. Comecei a escrever história para criança, foi um período muito feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, voltar ao mercado de trabalho, que é competitivo e a gente sabe disso, foi complicado, mas não é impossível. Ainda assim, eu acho muito importante, pelo menos até cinco, seis anos, pai e mãe juntos, presentes na formação das crianças. Mas eu sei que meus filhos sentiram a falta dos pais em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Christina Carvalho Pinto: Mas e aí, como é que faz para ser pai e mãe numa sociedade estruturada para moer o profissional?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Norma: Aí é que está. No meu caso, eu parei e passei a me dedicar a coisas que eu gosto muito: escrever, cuidar de planta, cuidar de criança. Voltar mais para a questão da vida, sabe? Que eu acho que tem muito haver com a mulher. A gente aprende como mulher, eu pelo menos aprendi muito, a ver a natureza crescer. Eu sou da cidade e fui morar numa chácara. Foi um período rico, muito rico. Acho que para o pai dos meninos também, que participou muito dessa fase.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zé Maurício: Isso foi uma escolha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Norma: Para mim, certamente. Essa foi minha escolha. Durou um tempo, mas foi uma escolha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zé Maurício: Escolha consciente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Norma: Eu não conseguiria de outra maneira. Depois retornei ao mercado de trabalho e vi mulheres divididas ao meio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Célia Contrucci: Esse foi o meu caso. Eu tinha dois filhos pequenos, mas não tive escolha: ou ia trabalhar, ou ia trabalhar. Fiquei viúva, era mãe e pai ao mesmo tempo. Minha mãe me ajudou muito e ontem mesmo eu comentei com ela, disse que eu adoraria ter tido oportunidade para ficar com os meninos por mais tempo, principalmente na adolescência, mas não tinha jeito. Preocupa muito criar um adolescente que você não está acompanhando. Você acha que os filhos estão bem e bonzinhos. Mas, no fundo, você não sabe: você espera que sim. E o que fazer se você precisa trabalhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Norma: É complicado. Mas eu vejo uma coisa (não sei se você concorda comigo, Célia): quando a mulher tem que ir para o mercado de trabalho, você não acha que os filhos vem juntos? Depois de certa fase, lá pelos 10 ou 12 anos, você não acha que eles já entendem essa necessidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Célia: Olha, no meu caso, até vir para São Paulo, eu os tinha mais perto e eles tinham muito mais noção do valor das coisas quando eu estava mais próxima. Já em São Paulo, a situação financeira foi ficando menos difícil e eles foram embarcando nessa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naná Prado: Quantos anos eles têm?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Célia: Um tem dezoito e o outro, dezessete anos. Um entrou na faculdade agora e o outro está no 3° colegial. Eu percebo que antes eles davam mais valor às coisas do que hoje. Cada um tem seu computador. Me pergunto por que cada um precisa ter o seu. Mas eles pedem…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Norma: A pressão social é grande. A sociedade pede que cada um tenha seu computador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Christina: Ou seja, estamos retornando à pergunta provocativa do Zé Maurício. Se você junta a estrutura de um mercado com uma carga de trabalho desumana mais uma sociedade de consumo, que cria uma série de necessidades absolutamente artificiais, para manter esses desejos artificiais das pessoas que você ama, você se rende a elas e, muitas vezes, se torna mãe ou pai culpado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engraçado e importante comentar que, em relação à culpa, a mulher tem mais facilidade, ou espaço, para expressar seus sentimentos, de falar das suas dores. Os homens ficam mais distantes, têm mais dificuldades para isso. Ficam tão fechados que enfartam. Não agüentam essa pressão e vemos coisas como a alta incidência de alcoolismo entre executivos, por exemplo. Não que a mulher não esteja vulnerável a isso, pelo contrário. Hoje, depois dessa ruptura, ela também vive essa divisão, ficou muito vulnerável a todas essas disfunções de saúde física e psíquica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quer dizer, essa discussão toda retorna à provocação inicial, ou seja: numa sociedade que leva aos jovens a esse nível de consumismo, evidentemente, o motor dessa matriz é a força de trabalho. Como você tem que estar imersa nesses valores invertidos do mercado de trabalho atual, parece, pelo que eu ouço aqui, que predomina essa sensação de desconforto em relação a ser mãe e trabalhar. Não só você está em desequilíbrio como também é causador de outros desequilíbrios. Você é ativamente parte de um motor que vai gerando mais produção, mais produtos disponíveis para consumo. Então eu gostaria de saber das mulheres mais jovens presentes como é que estão vivendo isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Patrícia disse que está no limite e nem fez 30 anos ainda. Para ela afeto é importante, ser mãe é importante, mas por outro lado tem sonhos e paixões profissionais também. Naná, com o dilema dela entre ter ou não filhos. Enfim, o que vocês farão com suas vidas? Vocês sabem que podem ficar partidas ao meio. Então, qual é a escolha da geração de vocês? Pergunto isso exatamente porque a minha geração teve que escolher e, em qualquer um dos lados, a divisão não ficou confortável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Patrícia Gayle: Engraçado, meu marido perguntou isso para mim ontem. E eu não soube responder. Ele me perguntou sobre filhos, disse que estamos juntos há 10 anos e tal. Aí ele lembrou de outras coisas: “você quer fazer um MBA no segundo semestre desse ano, você chega em casa as 21h30 todo dia e eu gostaria de saber a que horas a gente vai fazer algum plano junto. E como você vai ter tempo para equacionar tudo isso?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zé Maurício: Mas, e ele? A que horas chega em casa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Patrícia: Seis e meia da tarde! (risos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zé Maurício: A que horas ele sai?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Patrícia: Às 9h15, porque ele mora ao lado do trabalho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Norma: Você consegue administrar seu tempo para regular mais com o dele?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Patrícia: Acho que a maior questão não é administrar melhor meu tempo. Tenho é que administrar a minha síndrome de mulher maravilha. Eu me imponho desafios muito grandes numa velocidade muito intensa. Eu sou assim, muito ligada. Então, você já trabalha 12 horas por dia, ok? Ok. Você já não conseguiu equacionar isso, ok? Ok. Já quer somar à isso um MBA, a aula de inglês e não-sei-o-que-mais. Você ainda precisa ser magra, gorda não vale. Tem que fazer dieta, ir para a academia. São muitos papeis que tem de assumir e equilibrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naná: Como é sua relação com sua filha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Patrícia: Minha filha já é grande, tem 15 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naná: Vocês se vêm todos os dias?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Patrícia: Eu a vejo muito pouco, mais no final de semana. Mas ela também está numa fase “aborrecente”. Às vezes, ela passa no meu trabalho, almoça comigo ou vai me visitar no escritório. Só que eu tenho muita dificuldade para conciliar as coisas. Tem vezes que ela passa no escritório e eu não vejo, se estou em reunião não interrompo. Preciso rever o modo como administro meu tempo. Tenho dois celulares, mais o telefone da empresa. Assumo muitas responsabilidades, não bastam apenas as minhas, pessoais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Christina: O que você disse, Patrícia, é interessante, mas preocupante também. Recentemente, fiquei 3 meses de cama quando minha coluna “quebrou”. E eu comecei a perceber que não ia perder nada ao optar por coisas que não eram ligadas ao trabalho. Quando há uma queda no seu rendimento mensal, você descobre que pode viver com infinitamente menos do que acha que precisa. Então acho que vale à pena a gente tratar essa síndrome, saber por que a mulher trabalha tanto para receber essa premiação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carmem Silvia Carvalho: Parece que quando falamos sobre mulher, polarizamos entre a profissional e a mãe. Mas para mim, ser mulher está ligado a ser alguém ao lado de outra pessoa. Quando meus filhos eram pequenos, eu não gostava do meu marido. Então não tinha conflitos, porque conseguia conciliar o trabalho e os filhos. Não precisava ser mulher, só mãe e profissional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje tenho um marido que amo e ficou difícil conciliar, porque agora eu tenho que ser mulher, além de mãe e profissional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Darlene Menconi: Permitam-me discordar de vocês. Será que eu posso escolher não ser mulher-maravilha? A sociedade pede isso da mulher. E a gente trabalha o dobro para conquistar um salário que é um terço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu nunca quis ter filhos, meu negócio era trabalho. Eu conseguia ter marido e atividade intelectual, hobby. Saía, ía a todas as baladas. Conheci todos os artistas. Fiz filosofia, jornalismo. Fui casada com um cineasta. Trabalhava loucamente e fiz muitos filmes. Depois casei com um artista plástico maravilhoso, fiz teatro, fiz um monte de coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quando tem filhos, você é fendida naturalmente. Com meu último marido, pai da minha filha, eu passei por um divórcio litigioso horrível. Eu ainda estava amamentando e no meio da gravação de um programa de televisão. Eu, que sempre fui uma pessoa voltada ao trabalho, estava vivendo aquela situação com uma filha pequena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu trabalhava na revista Veja, só existiam duas editoras: eu e outra mulher, que era mãe. Eu me lembro que ela não era chamada para as reuniões, porque não dava conta. Meus colegas diziam que eu tinha sido promovida a homem, o que me deixava extremamente irritada. Mas por que eles falavam isso? Porque eu era tão competitiva quanto eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num período de mudança profissional da minha vida, eu tive uma filha. E aí eu descobri que mãe é mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje eu não posso alçar muitos vôos. Fui obrigada a olhar para todas as oportunidades e dizer que eu não posso dar conta de tudo: eu tenho uma filha pequena. Olho para Bia, aquela coisa linda, e penso que minha raiva não é dela, é da maternidade. Ou seja, para que temos filhos? Para a sociedade ou para a gente? Porque somos penalizadas? Eu não sei mais o que é namorar. Como é que eu vou namorar? Minha ligação pessoal afetiva mais forte hoje é com a minha babá, é ela que me salva. E eu penso, quando é que eu vou entrar como mulher, quando é que eu vou passear?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num livro que li, estava escrito que você não tem como não se sentir perdida quando é mãe, porque você não é mais você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é como dizem: a maternidade é o que falta. Eu não conseguiria me imaginar um segundo sequer sem ser a mãe da Beatriz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Norma: Eu acho muito complicada essa questão da maternidade. Eu dizia na época: vou me comportar como eu sei, porque é claro que tinha meus momentos de dizer “não quero, estou querendo outras coisas”. E entrei com meus filhos numa relação mais direta quando falei: “olha, a mãe de vocês é assim; se um dia a mamãe de vocês chegar de ponta-cabeça, a mamãe está de ponta-cabeça”. Isso, bem ou mal, vai abrindo o diálogo. Aprendi muito com meus filhos. Espero que eles tenham aprendido comigo também. Foi uma relação de ser humano para ser humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Darlene: Isso eu acho importante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Norma: É. Você precisa se posicionar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zé Maurício (para Norma): Quando você começou a trabalhar como jornalista, quantas mulheres havia na redação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Norma: Éramos duas numa redação de 80, 90 pessoas. Mas apesar disso, a pressão maior foi a de voltar ao mercado de trabalho depois. Você tem que voltar e batalhar. Tem que ser competitiva. No meu caso, por exemplo, eu tinha que estar na redação às duas da manhã, porque o jornal fechava às três. Eu tinha que estar lá e ponto. Se não quisesse, tinha que voltar para casa e arranjar outra coisa para fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quis ter filhos. Foi minha escolha, então eu disse não por um tempo e vi o que eu podia fazer de casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zé Maurício: Eu fiz essa pergunta para você por um outro motivo. Em 1971, eu já era revisor do jornal O Estado de São Paulo quando entrei no Instituto de Psicologia da USP. Na faculdade, minha turma era formada por cinco homens e 65 mulheres. Aí, eu saía de lá e ia para o jornal, onde éramos 20 homens e nenhuma mulher. Um tempo depois, fui para a Folha de São Paulo, onde já havia uns 15% de mulheres na redação. E acompanhei ao longo da minha carreira a inversão dessa proporção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Patrícia: A questão aí é o que conseguimos acumular. Acho que as mulheres acumularam funções com essa inversão. Em casa, você não pode ser outra coisa que não mulher. Outro dia, brinquei com meu marido, disse que se ele quiser ter um filho, eu quero ser o pai. E ele me perguntou: “o que é ser mãe ou ser pai para você?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu comecei a esclarecer: quando a gente for a uma festa infantil, eu vou sentar para tomar cerveja com meus amigos e você vai correr atrás das crianças o dia inteiro. Quando o bebê chorar a noite, você vai levantar porque eu tenho que levantar cedo no dia seguinte. Afinal eu estou cansada, EU trabalhei o dia inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá em casa eu faço tudo. Pago as contas, vou ao supermercado, levo o carro para lavar. Se a casa precisa de alguma manutenção, até isso eu preciso fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Christina: Claro. É a gestão que você assumiu. Você, Patrícia. O espaço que a gente assume, assumido fica. E isso vale para a relação com o marido, com os filhos e com o trabalho, também. Você vai assumindo espaços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Patrícia: Sim, mas é um espaço que a sociedade impõe, como já foi dito. Para você não assumir as chamadas tarefas femininas, tem que mudar a dinâmica tradicional, em que o certo é a mulher cuidar da casa, dos filhos e do marido. Existem muitos pais participativos, ninguém está falando que a mulher carrega uma cruz. Meu marido é super afetivo e participativo, ele é. Só que ele pode escolher no que quer participar, eu não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zé Maurício: No futebol tem um combinado segundo o qual quem se desloca tem preferência para receber um passe. Até que ponto você não está se deslocando demais e pedindo muito a bola?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Patrícia: Você tem toda a razão. Eu comecei minha fala concordando que assumo muitas responsabilidades. Mas a minha colocação diz respeito à questão dos fundamentos familiares, em que é normal a mulher fazer isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Norma: Eu não sei o que é normal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Patrícia: Olha, quando um homem assume as tarefas domésticas a gente fica surpresa. As mulheres não olham para isso como se fosse a coisa mais banal do mundo. A gente aprecia e comenta:”nossa, que cara mais prendado”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Christina: Acho que está acontecendo uma coisa fantástica aqui. Mais de 90% do nosso bate-papo gira em torno dessa divisão e da nossa ânsia enquanto seres humanos. Eu sinto que essa conversa converge para a ânsia de buscar equilíbrio entre os papeis. Cada uma de nós parece estar vivendo esses anseios de alguma forma, mas nenhuma de nós parece dizer: “eu encontrei a solução”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou fazer uma provocação, que parte de uma boa notícia: o sistema implodiu. Os homens estão exaustos, deprimidos. A definição do que é sucesso para o homem se tornou muito mais pesada que o razoável para um ser humano interessante, agradável, parceiro, amante, amigo. O homem também está sufocado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(para Patrícia) Você disse: “ele escolhe”. Não sei se ele escolhe. Existe para eles alguma outra opção que não seja se jogar no mundo, não chorar e obter sucesso? Pior: um sucesso completamente frio e artificial?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos nós, homens e mulheres, fomos criados e treinados para desenvolver algo que se chama carreira e seremos premiados pelo nível da escada que chegarmos nesse quesito. Mas isso implodiu: estamos todos estressados, homens e mulheres. É importante colocar os homens aqui na roda. Assim como está, não dá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos vivendo o colapso em diversos níveis e setores, mas existe algo que não sai dessa roda, que é o afeto. Tanto é que os mais jovens hoje estão decidindo viver com muito menos dinheiro, para viver melhor suas experiências pessoais, como casamento, filhos. Será que não estamos retomando a uma discussão antiga? Será que não estamos discutindo uma página virada da história?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zé Maurício: Eu vejo o “lado b” da sua colocação. Na década de 70, muitas amigas me convenceram que a conquista do direito de acesso ao mercado pelas mulheres, em condições de igualdade, provocaria uma revolução no mundo do trabalho, impulsionada por valores “femininos”, como o afeto, a solidariedade e o espírito cooperativo, entre outros. Vendo hoje, eu percebo o oposto: mulheres que trabalham como homens e lideram com a ferocidade dos homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que deu errado? E não adianta o sistema desmoronar se a reconstrução se der pelos mesmos princípios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Norma: O que eu me pergunto se a questão central, novamente não é você se posicionar, ou seja, dizer “sim” ou “não”. E nisso você vai descobrindo, porque não existe a receita pronta. É esse vazio que está circulando aqui que a gente pode preencher com coisas boas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naná: Eu sempre quis ser jornalista, ser uma excelente profissional, nunca pensei em casar, ter filhos. Até o dia que eu conheci meu marido, Vinicius. Em seis meses já estávamos morando junto e nesse pequeno tempo de convivência, muita coisa mudou. Hoje já não penso mais em ser a super-isso, super-aquilo e não ser mãe. Essa história com ele me faz pensar: qual o sentido de querer tudo como profissional e nada como mulher?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vi o que minha mãe passou sendo mãe e profissional ao mesmo tempo. Meus pais trabalhavam e eu fui criada pelos avós. Eu sou do Interior e quando cheguei em São Paulo pensava: como vou ter filhos aqui, sem minha família perto de mim? O Vinicius me ajudou muito a perceber outras coisas e é claro que estar num meio profissional mais “humano” ajuda muito. Hoje eu sei que se disser “estou grávida” todo mundo vai me ajudar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não vivo mais na neura de pensar: “nossa, será que se eu ficar grávida eu vou perder o emprego, vou ter que abandonar minha carreira”. Eu sentia como se houvesse uma escolha. Hoje eu vejo que não precisa ser assim, pode haver equilíbrio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Christina: Todos, homens ou mulheres, conseguimos algo incrível: estamos todos aborrecidos com a forma como o trabalho é colocado hoje. Temos outros anseios. Queremos ser pais, mães, maridos, mulheres, amigos, companheiros. Estamos todos buscando essas outras forças afetivas, extremamente valiosas que foram sufocadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Darlene: Quando você é mãe, descobre que pode ser tudo, mas não precisa ser a melhor em tudo, porque você já é mãe. Você não precisa ganhar os melhores prêmios, trabalhar loucamente, porque você é mãe, mulher, amiga, profissional. Enfim, a somatória dos valores muda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Christina: E veja você, Gaia, que é o Planeta Terra, está doente. A grande mãe está sangrando e é chegada a hora de cuidar. Ser mãe não só dos filhos que parimos, mas também mãe da História. Mãe para tecer outros caminhos mais afetivos, mais humanos. É a hora de cuidar e isso não tem genes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carmem: A coisa mais importante para mim são meus filhos, meu marido, meus amigos, enfim, meus afetos. E de novo eu estou trabalhando demais para conseguir coisas que não estão ligadas a eles. É importante refletir sobre isso. Quando me separei do meu primeiro marido, precisei ir à luta mesmo. Trabalhei muito e fiz muito sucesso. Mas um dia minha filha veio a mim e falou: “mãe, você está muito cansada; você precisa trabalhar tanto?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu respondi perguntando se ela achava que era fácil bancar a casa, as contas etc. Ela me surpreendeu quando falou: “mas você me dá muito mais do que eu preciso; eu só preciso um pouco mais de você”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu costumava dizer que estava escolhendo para eles. Mas na verdade eu escolhia por eles. E o que era pior, sem consultá-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naná: Mas você não consegue conciliar as coisas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carmem: No momento está difícil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naná: Porque eu espero poder ter filhos logo, mas não ficar alucinada com o trabalho. Eu quero continuar trabalhando, mas eu quero estar com eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carmem: Eu nunca parei profissionalmente, só fui devagar. Meus filhos pediam mais tempo que o trabalho. Só depois da separação as coisas mudaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Patrícia: Aí que está! É do ser humano. Eu não me sinto tão cobrada pelos outros. O problema sou eu com as minhas escolhas. Quem se cobra acordar às 6 da manhã sou eu e trabalhar até 21h30 sou eu. Não há chicote algum atrás de mim me obrigando a isso, entende?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carmem: Isso me lembra uma poesia de Drummond que se chama “O homem e a viagem”. Diz mais ou menos assim: o homem conquistou a terra e conquistada não tinha mais graça. Daí o homem conquista Marte, a Lua, chega aos confins do Universo. E na última estrofe, Drummond diz: chegou a hora do homem empreender a “dangerosíssima” viagem. Conseguirá ele conquistar o homem, civilizar o homem e fazer o homem entender a arte de conviver?.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu acho que essa é a viagem. Está na hora de revisar as prioridades e conquistar o próprio homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Darlene: Pois é. Eu tinha outros valores e ambições, mas a vida me fez repensar o custo disso tudo. Me fez perguntar mais sobre as coisas que eu quero ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naná: Isso é o que penso. Eu quero trabalhar, mas também quero me dar tempo para ter filhos, para ver minha mãe, enfim, quero mais equilíbrio. Quero viver mais minha vida, que não é só trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Christina: Por isso eu tenho certeza que essa conversa é o reflexo da mudança de um paradigma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carmem: Aqui todas de alguma forma vivemos um conflito por ter vivido intensamente a vida profissional. Você, Christina, não tem esse conflito? O fato de sua escolha ter sido pelos filhos gerou conflitos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Christina Recoder: Minhas opções estão no passado. Eu não fico me remoendo com isso. Eu fiz as escolhas que eu achei certa na hora e me mantenho com elas hoje. Eu não fico procurando coisas no passado. Eu procuro eliminar a culpa, ou seja, eu vejo o que deu certo e não o que deu errado. O que foi gratificante para mim. Na época eu não precisei, como muitas de vocês, ir à luta. Se eu tivesse precisado na mesma proporção teria sido diferente. Eu tive essa opção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Norma: Sim, isso é importante. Quando se olha o espaço que foi ocupado por algum vazio, seja dos filhos fora de casa, seja pelo tempo perdido devido o excesso de trabalho, é importante olhar outras coisas para preencher esse espaço e não agregar culpa a ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Christina Recoder: Pois é, eu fiz a opção que eu achei que tinha de fazer na época. Eu não abri mão de nada, eu vivi para meus filhos, essa foi a minha opção. Agora que eles estão encaminhados eu sinto necessidade de fazer outras coisas. Acho que tudo que eu aprendi precisa ser jogado para outra coisa. Eu sei pintar, desenhar, então eu fui devagar trilhando meu caminho. Eu não me anulei, sabe? Eu sempre fiz coisas e sempre me envolvi muito nas coisas que eu fazia, mas eu tinha outras prioridades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carmem: Na fala de cada uma de nós existe a idéia de escolha, certo? Por isso temos a ânsia de controlar o tempo. Isso me lembra uma conversa que tive com um professor. Ele disse que estava lendo um livro de um filósofo para quem o tempo era, na verdade, nosso grande libertador. Eu fiquei pensativa, afinal, o tempo era meu grande escravizador e a vida todo eu tive a sensação que não tive tempo! Mas ele me disse: se não houvesse o tempo, haveria a eternidade e se houvesse a eternidade não seria preciso escolher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exatamente por conta da escolha, você é obrigado a parar para pensar, priorizar, buscar a essência. Você é obrigado a se conscientizar das suas vozes interiores. Portanto a grande a liberdade, o grande desenvolvimento do homem é que não cabe ser tudo. E são nas escolhas que crescemos. Sociedade, mulher, homem, enfim, eu fico pensando se o que está por trás de tudo isso não é a escolha. A escolha de cada um. Existe pressão de todos os lugares e canais. Mas nós escolhemos. Eu não renuncio meu direito de escolha, então, eu nunca culpo ninguém por nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Norma: Será que as mulheres aprenderam a assumir isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carmem: Eu acho que assumimos pela metade, não como mulheres, mas como seres humanos. Quando nasceu meu primeiro filho, ainda na maternidade minha mãe veio falar comigo. Ela disse:”Filha você está começando uma nova fase na sua vida e como eu não quero me meter vou te dar um único conselho agora. Meu conselho para você é: sim é sim, não é não.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos anos depois, no Dia das Mães, eu escrevi numa carta para ela que, muitas vezes, apesar de achar que ela estava absolutamente certa, eu não tinha conseguido seguir esse conselho. Porque minha mãe, quando ela dizia sim ou não, tinha certeza. Eu revia tanto as coisas e o mundo tinha tantos possíveis que eu tinha dito milhares de vezes não-sim e sim-não. Eu acho que é esse o grande conflito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Norma: Outro dia me peguei pensando se eu conseguiria gostar novamente de alguém. E eu me peguei chorando, ou seja, a vida te devolve esses nãos e esses sins, para que seja possível reaprender com as escolhas. E essas escolhas, eu sinto, estão indo para um caminho de simplicidade. Até porque o jogo está tão complexo, que é você acaba tendo que observar as coisas novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carmem: Tanto é que eu nunca fiz minhas opções evitando o sofrimento. A dor é inevitável, não adianta escolher por não sofrer, você vai sofrer em dobro, entende? Minhas escolhas, meus nãos ou sins não foram feitos para evitar a dor, mas para me conduzir a coisas melhores, entende? É difícil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Christina: Essa questão, “será que eu consigo sentir novamente”, é importante e acredito que seja uma grande mensagem para ser deixada nesse nosso encontro. Falamos tanto de maternidade, afeto, escolha, conflito. Nós não falamos sobre a conjuntura econômica, nossas próximas decisões, enfim, falamos sobre sentimentos e sobre a necessidade de rever nossos sentimentos. Tanto homens quanto mulheres querem mais flexibilidade nas relações de trabalho, exatamente porque os valores firmados para esse meio estão implodindo. Acredito que só o silêncio pode nos devolver a nós mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carmem: Para compreender a dangerosíssima viagem do conviver…&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-4440397723840796823?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/4440397723840796823/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=4440397723840796823' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/4440397723840796823'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/4440397723840796823'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2009/04/mulheres-e-homens-beira-do-novo.html' title='Mulheres (e homens) à beira do novo'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-7253725654957101756</id><published>2009-04-12T08:45:00.001-07:00</published><updated>2009-04-12T08:46:54.562-07:00</updated><title type='text'>Mulheres de Atenas?</title><content type='html'>Leticia Freire, do Mercado Ético&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os gregos desenvolveram uma civilização que, dois mil anos depois, continua enriquecendo o mundo. Quanto às mulheres, eram contraditórios: veneradas sob a forma de deusas em santuários, elas não tinham nenhum controle sobre seu destino na vida real e estavam a poucos degraus acima do status de escravo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os tempos mudaram. Dentro de um contexto secular, o movimento feminista foi um extraordinário despertar de consciência que mudou a estrutura geopolítica do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, mais de 40 anos depois do início do movimento libertário, há muito que celebrar. Mas diversas perguntas rodeiam o cenário pós-feminismo: como estão as mulheres hoje? Estão mais felizes? Sentem-se mais compreendidas? O sistema econômico lhes dá real valor? Até onde as mulheres chegaram e até onde ainda devem chegar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Núcleo de Estudos do Futuro da PUC-SP abriu o ano de debates homenageando as mulheres. Foco do evento (25/03) foi o dilema feminino frente às mudanças do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Livres, leves e soltas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atualmente não basta ser uma mulher independente e bem sucedida. É preciso ser bonita, sexy e estar sempre na moda. Essa pressão tem afetado a saúde física e mental de muitas mulheres ao redor do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo pesquisa global realizada pela Unilever em 2004, mais de 50 % das mulheres dizem que não gostam do seu corpo. Esses e outros dados alarmantes que retratam a fragilidade psicossocial da mulher contemporânea. Os números indicam também que há ainda um longo caminho a ser percorrido no combate aos estereótipos e à padronização estética que se aproxima de uma verdadeira ditadura da beleza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A baixa auto-estima e a estereotipação da beleza acompanhou a jornalista e escritora Vera Golik por muito tempo. Ela, assim como muitas mulheres, se sentia “feia e deslocada”, como relatou. Seu dilema se intensificou quando se tornou editora de revistas renomadas de beleza. “Estar ali, falando em como estar mais bonita era difícil. Eu mesma me sentia fragilizada”, conta. “Imagine você que 6 em cada 10 jovens pensam que “seriam mais felizes se fossem mais magras”, reforça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o padrão de beleza é reforçado pela mídia a cada minuto. “Muitas das modelos e atrizes retratadas na mídia, têm menos 10% de gordura corporal do que uma mulher saudável deveria ter. Isso tem afetado nossas meninas e atingido a sociedade”, diz Vera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vera se tornou uma porta voz da autenticidade feminina, lutando contra a estereotipação da beleza. Ela escreveu diversos livros sobre a auto-estima da mulher. Hoje ela integra diversas organizações feministas nacionais e internacionais e sua paixão é a luta pelos direitos humanos das mulheres em todo o mundo. “O problema delas [mulheres] vai além da solução estética. Na verdade elas queriam se sentir melhor, mais confiantes, ter alguma perspectiva na vida”, reforça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A violência silenciada &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem mesmo a revolução feminina apagou da humanidade a marca da violência feminina. Dados mundiais alertam que a violência contra a mulher ainda é um sério problema. De acordo com estimativa da ONG Anistia Internacional, pelo menos uma em cada três mulheres ao redor do mundo sofre algum tipo de violência durante sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o problema e mundial, o Brasil não dá bons exemplos a favor das mulheres. Uma pesquisa da Sociedade Mundial de Vitimologia feita em 138 mil mulheres, de 54 países, relatou que a violência doméstica atinge 23% das mulheres brasileiras. “No Brasil, a cada 7 segundos uma mulher é agredida em seu próprio lar e a violência doméstica é a principal causa de morte e deficiência entre mulheres de 16 a 44 anos”, afirmou João Francisco Carvalho Pinto Santos, coordenador da Campanha Bem Querer Mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ele, o combate à violência contra a mulher exige mudanças no comportamento da sociedade, pois muitos acabam encobrindo agressões ocorridas à sua volta. Santos, lembra também que a violência não é necessariamente ligada a agressão física. “Muitas mulheres são humilhadas verbalmente todos os dias e se sentem pressionadas psicologicamente a aceitarem esse tipo de agressão por não verem outra saída. Isso não pode acontecer. A mulher é o ponto de equilíbrio da família, portanto esse problema afeta a sociedade como um todo e não apenas o gênero feminino”, afirma Santos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-7253725654957101756?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/7253725654957101756/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=7253725654957101756' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/7253725654957101756'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/7253725654957101756'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2009/04/mulheres-de-atenas.html' title='Mulheres de Atenas?'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-4161527903754522213</id><published>2009-04-12T08:44:00.000-07:00</published><updated>2009-04-12T08:45:00.180-07:00</updated><title type='text'>Saneamento deve ser administrado por comunidades</title><content type='html'>Nergui Manalsuren, da IPS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As nações do Sul em desenvolvimento, particularmente as da África e Ásia, lutam para obter dois elementos básicos para a vida: água potável e saneamento adequado. A Organização das Nações Unidas diz que ainda há 1,1 bilhão de pessoas que carecem de acesso a água segura e 2,6 bilhões sem saneamento básico. O Banco Mundial destina 60% de seu orçamento de US$ 10,7 bilhões para este assunto ao fornecimento e apenas 40% ao saneamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que o saneamento recebe menos atenção do que a água? “Há vários fatores relacionados a considerar para explicar a proporção de fundos”, disseram Jae So, administradora do Programa de Água e Saneamento (WSP), financiado por doadores e dirigido pelo Banco Mundial, e Peter Kolsky, especialista no tema para o organismo multilateral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrevistados pela IPS, os dois funcionários disseram que o portfolio reflete a demanda dos clientes: os governos dos países em desenvolvimento. Explicaram que as necessidades mais urgentes dos que não têm acesso ao saneamento podem, no geral, ser cobertas com recursos locais e a custos relativamente baixos. “Isto não significa que o Bancoi e o WSP não devam apoiar a promoção do saneamento básico. Podemos fazê-lo. Apenas significa que isto poderia não ser tão caro quanto a construção de represas, obras para tratamento da água e dutos para o fornecimento”, afirmaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IPS - A ONU diz que, para atingir a meta sobre saneamento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio até 2015, cerca de 173 milhões de pessoas deveriam ter acesso a saneamento a cada ano a partir de agora. Quanto custará isso e como o Banco Mundial ajudará para que isso seja conseguido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jae So - Estimar o financiamento público necessário para atingir as metas de saneamento é uma tarefa surpreendentemente difícil. Não apenas as diferenças geográficas e sócio-econômicas sugerem uma ampla gama de tecnologias apropriadas como as políticas governamentais variam muito, até o conceito de que o governo deve considerar um investimento “público”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os avanços mais drásticos quanto ao acesso ao saneamento, na Ásia meridional e Etiópia, por exemplo, não foram impulsionados por programas de obras publicas, mas por um enfoque conhecido como Saneamento Total Liderado pela Comunidade, que exige investimentos relativamente pequenos do poder público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O papel do governo neste enfoque é promover a idéia do saneamento, compartilhar informação e dar incentivos às famílias e comunidades para investir em saneamento, mas não definir a tecnologia que deve ser usada, e pagar todo o custo em capital. Inclusive estimar o custo da promoção não é fácil: quanto pode custar convencer uma família em Bangladesh a investir em saneamento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além dos tradicionais empréstimos em capital para ajudar os governos a pagarem infra-estrutura como dutos e métodos de tratamento, o Banco pode ser muito útil através de créditos para salubridade e promoção da higiene, através da troca de experiências em todo o mundo e ajudando alguns governos com assessoria orçamentária para que os fundos estejam disponíveis com as mínimas demandas burocráticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IPS - A ONU declarou 2008 Ano Internacional do Saneamento. Quais foram seus êxitos e como isto ajudou a colocar sobre a mesa os problemas relacionados com este tema, particularmente o Sul em desenvolvimento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peter Kolsky - O Ano Internacional do Saneamento ajudou a trazer à luz essa questão através de vários esforços de colaboração, incluindo atividades regionais para criar consciência e discutir políticas em nível governamental, com painéis que educaram a mídia para permitir melhor cobertura a respeito e contínuos esforços em escala comunitária, para melhorar o comportamento e as práticas de saneamento. Um importante indicador de sucesso é o número de encontros regionais, nacionais e internacionais para atender diretamente o problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No passado recente, o saneamento era sempre o “enteado” pobre, e as reuniões sobre “fornecimento de água e saneamento” recebiam pouca atenção, com se fosse um tema acessório. Só depois da reunião AfricaSan, em 2002, e d introdução da meta sobre saneamento nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, foi que começou a ser reconhecido como um assunto com seus próprios desafios e oportunidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IPS - Os países em desenvolvimento fazem o suficiente para resolver o problema: que casos de êxito há no Sul, especialmente com apoio do Banco Mundial?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jae So - Os países se concentram cada vez mais na questão do saneamento e em seu impacto na vida das pessoas. O Banco Mundial esteve envolvido em projetos de água no Senegal por muitos anos, e se obteve um importante êxito em saneamento urbano em Dacar, graças a um projeto apoiado pelo organismo. O WSP fornece assistência técnica e assessoramento e promove campanhas comunitárias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Envolverde/IPS)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-4161527903754522213?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/4161527903754522213/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=4161527903754522213' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/4161527903754522213'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/4161527903754522213'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2009/04/saneamento-deve-ser-administrado-por.html' title='Saneamento deve ser administrado por comunidades'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-1089076202269354943</id><published>2009-04-12T08:42:00.000-07:00</published><updated>2009-04-12T08:44:09.521-07:00</updated><title type='text'>Seminário debaterá papel social dos profissionais de marketing e comunicação</title><content type='html'>Definir linhas de atuação de trabalho norteadas por sólidos princípios éticos e morais, e com preocupação constante com o bem-estar pessoal e de terceiros é atualmente o grande desafio para a cadeia dos prestadores de serviços na comunicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É também o tema central do inédito Unomarketing - Comunicação Consciente: Feira e Seminário Internacional de Marketing Sustentável, evento organizado pela Sator Eventos, que será realizado nos dias 2, 3 e 4 de junho, na Fecomercio (Federação do Comércio do Estado de São Paulo), rua Dr. Plínio Barreto, 285 (Bela Vista, São Paulo - SP).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na visão da diretora da Sator Eventos, Paula Faria, “o desafio atual da comunicação e do marketing é conduzir ações de forma sustentável, despertando a consciência socioambiental entre fornecedores, clientes e público consumidor”. Daí a relevância de um evento dirigido a profissionais de marketing, publicidade, mídia, marketing promocional, comunicação, promoção de eventos, estudantes, profissionais de responsabilidade social e ambiental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Unomarketing propõe a imersão nas questões relacionadas ao papel e lugar de cada uma das partes integrantes da cadeia que compõe o mercado de comunicação e marketing. “O profissional de comunicação precisa estar preparado para alinhar o resultado do seu trabalho com as políticas sociais da empresa e com isso integrar as estratégias de marketing e comunicação de forma altamente eficaz”, diz Paula Faria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seminário &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Seminário Internacional Unomarketing é idealizado por um comitê gestor com profissionais de destaque, como os publicitários Percival Caropreso, da Setor 2 ½ , e Valdir Cimino, da CS.PRO Assessoria em Comunicação, a jornalista Regina Augusto, do Meio &amp; Mensagem, e Ismael Rocha, da ESPM.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estão confirmadas as participações do norte-americano Michael Conroy (Colibri Consulting), do colombiano Adolfo Jarrin (Creating C.A), dos portugueses Antonio Peres (Interpublic) e Carlos Manuel de Oliveira (APPM - Associação Portuguesa de Profissionais de Marketing) e dos brasileiros Cristina Carvalho Pinto (Grupo Full Jazz), Abel Reis (AgênciaClick), Helio Mattar (Instituto Akatu), João Ciaco (Fiat), Nemércio Nogueira (Alcoa) e o físico José Goldemberg.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O seminário será pautado pela discussão em torno de questões como o desenvolvimento pessoal, o avanço tecnológico nos mais diversos campos de atuação, os valores culturais e organizacionais e a responsabilidade socioambiental. O evento traz - de forma única e inovadora - cases e propostas por intermédio de uma programação consistente e desafiadora. A programação completa do evento já está disponível no site www.unomarketing.com.br .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A feira, que acontece simultaneamente ao seminário, apresentará empresas que fazem parte da cadeia produtiva de comunicação e marketing e já atuam de forma consciente e sustentável por intermédio de seus produtos, serviços ou projetos inovadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Networking Digital&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante o evento será lançada a rede de relacionamento Networking Digital — uma ferramenta que permitirá conhecer melhor e certificar em termos socioambientais fornecedores e clientes atuais ou potenciais para a construção de redes de organização estrategicamente alinhadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SERVIÇO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando: 2, 3 e 4 de junho de 2009 &lt;br /&gt;Onde: Fecomercio - São Paulo / SP &lt;br /&gt;Endereço: Rua Plínio Barreto, 285 (Bela Vista) &lt;br /&gt;Público: profissionais de marketing, publicidade, mídia, marketing promocional, comunicação, promoção de eventos, estudantes, profissionais de responsabilidade social e ambiental.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-1089076202269354943?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/1089076202269354943/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=1089076202269354943' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/1089076202269354943'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/1089076202269354943'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2009/04/seminario-debatera-papel-social-dos.html' title='Seminário debaterá papel social dos profissionais de marketing e comunicação'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-7120600002703012320</id><published>2009-04-12T08:39:00.000-07:00</published><updated>2009-04-12T08:42:08.955-07:00</updated><title type='text'>A responsabilidade social da mídia</title><content type='html'>Há 62 anos, em 27 de março de 1947, era publicado nos Estados Unidos o primeiro volume que resultou do trabalho da Hutchins Commission - “A free and responsible press” (Uma imprensa livre e responsável). A Comissão, presidida pelo então reitor da Universidade de Chicago, Robert M. Hutchins, e formada por 13 personalidades dos mundos empresarial e acadêmico, foi uma iniciativa dos próprios empresários e foi por eles financiada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Criada em 1942 como resposta a uma onda crescente de críticas à imprensa, a Comissão tinha como objetivo formal definir quais eram as funções da mídia na sociedade moderna. Na verdade, diante da crescente oligopolização do setor e da formação das redes de radiodifusão (networks), se tornara impossível sustentar a doutrina liberal clássica de um mercado de idéias (a marketplace of ideas) onde a liberdade de expressão era exercida em igualdade de condições pelos cidadãos. A saída foi a criação da “teoria da responsabilidade social da imprensa”. Centrada no pluralismo de idéias e no profissionalismo dos jornalistas, acreditava-se que ela seria capaz de legitimar o sistema de mercado e sustentar o argumento de que a liberdade de imprensa das empresas de mídia é uma extensão da liberdade de expressão individual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em países europeus, com forte tradição de uma imprensa partidária, no entanto, a teoria da responsabilidade social enfrentou sérias dificuldades e a doutrina liberal clássica teve que se ajustar à implantação de políticas públicas que regulassem o mercado e estimulassem a concorrência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Responsabilidade Social&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A responsabilidade social tem sua origem associada à filosofia utilitarista que surge na Inglaterra e nos Estados Unidos no século XIX, de certa forma derivada das idéias de Jeremy Bentham (1784-1832) e John Stuart Mill (1806-1873).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos anos pós Segunda Grande Guerra, a responsabilidade social se constituiu como um modelo a ser aplicado às empresas em geral e às empresas jornalísticas estadunidenses, em particular, e começou a ser introduzido através de códigos de auto-regulação estabelecidos para o comportamento de jornalistas e de setores como rádio e televisão. O modelo está, portanto, historicamente vinculado aos interesses dos grandes grupos de mídia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A responsabilidade social se baseia na crença individualista de que qualquer um que goze de liberdade tem certas obrigações para com a sociedade, daí seu caráter normativo. Na sua aplicação à mídia, é uma evolução de outra teoria da imprensa - a teoria libertária - que não tinha como referência a garantia de um fluxo de informação em nome do interesse público. A teoria da responsabilidade social, ao contrário, aceita que a mídia deve servir ao sistema econômico e buscar a obtenção do lucro, mas subordina essas funções à promoção do processo democrático e a informação do público (”o público tem o direito de saber”).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para responder às críticas que a imprensa recebia, a Hutchins Commission resumiu as exigências que os meios de comunicação teriam de cumprir em cinco pontos principais:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) propiciar relatos fiéis e exatos, separando notícias (reportagens objetivas) das opiniões (que deveriam ser restritas às páginas de opinião);&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(2) servir como fórum para intercâmbio de comentários e críticas, dando espaço para que pontos de vista contrários sejam publicados;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(3) retratar a imagem dos vários grupos com exatidão, registrando uma imagem representativa da sociedade, sem perpetuar os estereótipos;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(4) apresentar e clarificar os objetivos e valores da sociedade, assumindo um papel educativo; e por fim,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(5) distribuir amplamente o maior número de informações possíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses cinco pontos se tornariam a origem dos critérios profissionais do chamado ‘bom jornalismo’ - objetividade, exatidão, isenção, diversidade de opiniões, interesse público - adotado nos Estados Unidos e “escrito” nos Manuais de Redação de boa parte dos jornais brasileiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Liberdade de imprensa vs. responsabilidade da imprensa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Analistas estadunidenses consideram que a Hutchins Commision talvez tenha sido a responsável por uma mudança fundamental de paradigma no jornalismo: da liberdade de imprensa para a responsabilidade da imprensa. Teria essa mudança de paradigma de fato ocorrido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Brasil, certamente, os empresários de mídia continuam a defender seus interesses como se estivéssemos nos tempos da velha doutrina liberal (que, de fato, nunca vivemos). O discurso da liberdade de imprensa e da autoregulação praticado no Brasil é historicamente anterior à Hutchins Commission. Basta que se considere, por um lado, a concentração da propriedade e a ausência de regulação na mídia e, por outro, as enormes dificuldades que enfrenta até mesmo o debate de temas e projetos com potencial de alterar o status quo legal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um exemplo contemporâneo são as resistências - que já se manifestam - em relação à realização da 1ª. Conferência Nacional de Comunicação. As recomendações da Hutchins Commission, se adotadas pelos grupos de mídia no Brasil, representariam um avanço importante. Para nós, a teoria da responsabilidade social da imprensa permanece atual, mesmo 62 anos depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-O artigo é de Venício Lima, pesquisador Sênior do Núcleo de Estudos sobre Mídia e Política da Universidade de Brasília - NEMP - UNB, e publicado pela Carta Maior, 30-03-2009.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-7120600002703012320?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/7120600002703012320/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=7120600002703012320' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/7120600002703012320'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/7120600002703012320'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2009/04/responsabilidade-social-da-midia.html' title='A responsabilidade social da mídia'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-1814199413050296</id><published>2009-04-12T08:37:00.000-07:00</published><updated>2009-04-12T08:39:03.415-07:00</updated><title type='text'>A Cúpula do G-20 e a reforma financeira global</title><content type='html'>Hazel Henderson&lt;br /&gt;A Cúpula do G-20, na quinta-feira passada (2/4), em Londres, reconheceu a interdependência do grupo e deu um passo adiante, em direção a uma maior cooperação entre os países, hoje essencial para a reforma financeira global. O G-20 endossou a idéia de construir uma economia flexível, sustentável e verde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faremos a transição para uma infra-estrutura mais limpa, inovadora, eficiente, com tecnologias que ofereçam baixa emissão de carbono.” O G-20 também reafirma seu compromisso de tratar das mudanças climáticas e de chegar num consenso na conferencia da ONU sobre Mudanças Climáticas, em Copenhague, em dezembro de 2009.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os compromissos assumidos pelos países membros do G-20, de US$5 trilhões, para irrigar a economia global e propiciar um crescimento de 4%, acelerarão a transição para a economia verde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas reformas fundamentais não foram mencionadas, incluindo a necessidade de redefinir a emissão de dinheiro e redesenhar o sistema bancário, hoje baseados em dívida, e a criação de um novo fundo regulador global, já proposto pela China, Rússia, Índia, Brasil e outros membros do G-20 para aliviar os desequilíbrios da excessiva pressão sobre o dólar norte-americano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma reforma mais imediata da representação, com direito a voto, nas diretorias do Banco Mundial e do FMI já é um passo a frente, junto com adicionais US$750 bilhões: com US$250 bilhões para a emissão de um novo Sistema Global de Reservas (Special Drawing Rights -SDRs); US$250 bilhões para suporte ao mercado financeiro; US$100 bilhões de empréstimos adicionais para países em desenvolvimento, como também um adicional de US$1.1 trilhões das vendas de ouro do FMI para concessão de financiamentos para os países mais pobres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A essência dos acordos do G-20 é ir além da economia “anglo-saxã” tipificada pelo hoje rejeitado “Consenso de Washington”. Muitas novas regras, mais sensatas, foram promulgadas para regular e supervisionar empresas financeiras em todo o mundo, incluindo os hedge funds, novos princípios para pagamento de executivos, regras de contabilidade, agências de classificação de crédito, excessiva alavancagem e restrição à aceitação de riscos excessivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As regras para impostos e arbitragem regulatória serão endurecidas e os paraísos fiscais serão nomeados e colocados numa “lista negra.” Porém, a hipocrisia, como relatada pelo professor Jason Sharman, da Universidade Griffith, na Austrália, precisa ser exposta e os estados de Nevada, Delaware e Wyoming, parte dos Estados Unidos da América, assim como os países membros do OECD também precisam ser incluídos nessa “lista negra.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhuma menção foi feita para a correção do PIB, como proposto pelo Parlamento Europeu, para que ele inclua estatísticas relacionadas com educação, saúde, meio ambiente e pobreza (www.beyond-gdp.eu); como também não foi mencionada a necessidade de incorporar tais fatores ESG nos balanços patrimoniais das empresas e posterior divulgação (www.globalreporting.org).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hazel Henderson é economista, líder mundial da plataforma Mercado Ético. Autora de vários livros, entre eles Ethical Markets: Growing the Green Economy. Co-criadora do Calvert-Henderson Quality of Life Indicators, juntamente com o Calvert Group. Participou do Comitê Organizador da conferência Beyond GDP no Parlamento Europeu (www.beyond-gdp.eu).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-1814199413050296?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/1814199413050296/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=1814199413050296' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/1814199413050296'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/1814199413050296'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2009/04/cupula-do-g-20-e-reforma-financeira.html' title='A Cúpula do G-20 e a reforma financeira global'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-645500340062452725</id><published>2009-04-12T08:36:00.000-07:00</published><updated>2009-04-12T08:37:33.536-07:00</updated><title type='text'>As maiores vítimas: negros, jovens e com pouco estudo</title><content type='html'>Henrique Andrade Camargo, do Mercado Ético&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homens, com idade entre 20 e 29 anos, negros e com baixos níveis de escolaridade. Essas são as vítimas mais comuns da violência no Brasil, de acordo com estudo da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde. Traçando o perfil epidemiológico dos atendimentos de emergência por violência em 65 unidades de pronto-atendimento com elevados índices de morbimortalidade por causas externas credenciadas ao Sistema Único de Saúde (SUS), a pesquisa concluiu que, em 8,7% dos casos, o paciente havia tentado suicídio. O trabalho está publicado na edição de março da revista Epidemiologia e Serviços de Saúde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir de dados do Sistema de Serviços Sentinelas de Vigilância de Violências e Acidentes, os pesquisadores indicaram que 10,4% dos atendimentos por causas externas realizados nesses hospitais durante o ano de 2006 foram devidos à violência. Dos 4.854 pacientes, 72,8% eram do sexo masculino. Segundo o trabalho, o impacto da violência no sexo feminino foi demonstrado nos atendimentos por tentativa de suicídio e maus-tratos. Os tipos de violência foram classificados como agressões (87%), tentativas de suicídio (8,7%) e maus-tratos (4,3%). Por agressões, ficam entendidas as tentativas de homicídio ou lesões, empregando qualquer meio e com intenção de lesar, ferir ou matar. Em 2005, foram registrados quase 48 mil homicídios no país, dos quais 92% contra homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na consideração dos autores do estudo, “o fato de os homens constituírem a maior parcela de vítimas de agressão talvez possa ser justificado pelos padrões socioculturais cristalizados na noção de gênero, que os expõem a situações ou comportamentos de risco para a violência”. Os tipos de agressões registrados no trabalho apresentam distribuição diferenciada segundo o sexo da vítima. “A agressão física foi a forma de violência mais frequente entre as mulheres, enquanto a arma de fogo e os objetos perfurocortantes predominarem entre os homens”, informam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto à tentativa de suicídio, o envenenamento se destaca. Cerca de 85% das mulheres se envenenaram. Dentre os pacientes que deram entrada no serviço de emergência por maus tratos, o número de mulheres correspondeu ao dobro do de homens. “Nestes casos, evidencia-se a violência de gênero, cuja natureza e padrões se diferenciam de outras violências interpessoais, responsável por tornar a mulher ainda mais vulnerável ao desenvolvimento de problemas físicos (principalmente quando se trata de violência física ou sexual), familiares e sociais resultantes da permanente situação de estresse e da falta de esperança em mudar sua situação de vítima”, dizem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-645500340062452725?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/645500340062452725/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=645500340062452725' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/645500340062452725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/645500340062452725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2009/04/as-maiores-vitimas-negros-jovens-e-com.html' title='As maiores vítimas: negros, jovens e com pouco estudo'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-3006948068799511503</id><published>2009-04-12T08:35:00.000-07:00</published><updated>2009-04-12T08:36:10.377-07:00</updated><title type='text'>Pacote deveria incluir medidas de planejamento urbano, diz relatora da ONU</title><content type='html'>Luana Lourenço, da Agência Brasil&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pacote habitacional do governo, que prevê a construção de 1 milhão de casas, corre o risco de reproduzir falhas da políticas de moradia que ao longo dos anos criou cidades baseadas na segregação espacial e sem garantia de acesso das populações de baixa renda aos equipamentos urbanos. A avaliação é da relatora especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Direito à Moradia Adequada, Raquel Rolnik.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Tradicionalmente a política habitacional praticada no país fala apenas da casa e não do lugar na cidade. Deixa que isso seja resolvido no mercado e a moradia popular acaba se instalando onde não existe cidade, em periferias, em situação de homogeneidade social, formando guetos”, argumentou a relatora da ONU.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A inclusão de elementos que fortaleçam os instrumentos de organização territorial dos municípios, como os planos diretores, e outros previstos no Estatuto das Cidades são “aperfeiçoamentos” que ainda podem ser incluídos no pacote, na avaliação da especialista. “Essa é uma oportunidade histórica. Nunca uma quantidade tão grande de recursos foi disponibilizada para habitação de interesse social”, avalia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A secretária nacional de Habitação do Ministério das Cidades, Inês Magalhães, reconhece que o governo não preparou nenhuma medida específica de planejamento urbano no âmbito do plano, mas argumenta que, por se tratar de uma medida prioritariamente econômica - para geração de empregos -, o pacote não pretende trazer soluções do ordenamento das cidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Há uma preocupação evidente com a questão urbana, mas nós não podemos exigir de um instrumento que não se propõe a fazer isso que ele resolva”, justifica Magalhães.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Mesmo que o pacote não tenha sido pensado para produzir cidades, ele vai produzir. Poderá ser do jeito que está hoje ou pode sinalizar uma mudança de padrão; e sem prejuízo de nenhum dos seus objetivos”, argumenta Raquel Rolnik.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A relatora da ONU e a secretária de Habitação concordam sobre a responsabilidade intransferível dos município na gestão do uso e ocupação dos solos, mas a relatora defende a criação de uma política urbana nacional, para balizar ações no âmbito das cidades, como já acontece com as políticas de educação básica, por exemplo. “O governo pode e deve ter política urbana que sinalize claramente para o município: tem mais recursos quem fizer isso ou aquilo”, sugere.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A expectativa da secretária Inês Magalhães é de que os programas desenvolvidos pelo Ministério das Cidades até agora sejam suficientes para amortecer os possíveis impactos do aumento maciço da oferta habitacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Vimos desenvolvendo isso desde 2005, a questão dos planos diretores, financiamento dos planos estaduais e municipais de habitação. Esperamos que esses instrumentos dêem suporte à implementação adequada nos municípios dessas habitações.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Agência Brasil)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-3006948068799511503?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/3006948068799511503/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=3006948068799511503' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/3006948068799511503'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/3006948068799511503'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2009/04/pacote-deveria-incluir-medidas-de.html' title='Pacote deveria incluir medidas de planejamento urbano, diz relatora da ONU'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-5144148115925888151</id><published>2009-01-09T11:24:00.001-08:00</published><updated>2009-01-09T11:24:56.701-08:00</updated><title type='text'>Potencial eólico do Nordeste pode suprir quase 2/3 da demanda</title><content type='html'>Thiago Romero, da Agência FAPESP&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais de 71 mil quilômetros quadrados do território nacional, em sua quase totalidade na costa dos estados do Nordeste, contam com velocidades de vento superiores a sete metros por segundo, que propiciam um potencial eólico da ordem de 272 terawatts-hora por ano (TWh/ano) de energia elétrica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trata-se de uma cifra bastante expressiva, uma vez que o consumo nacional de energia elétrica é de 424 TWh/ano, aponta estudo publicado na Revista Brasileira de Ensino de Física, de autoria de pesquisadores do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Os números do potencial eólico brasileiro foram estimados com os mesmos modelos de previsão de tempo e estudos climáticos. Como esses modelos são validados para locais específicos das diferentes regiões do país, esse potencial eólico pode estar subestimado”, disse Fernando Ramos Martins, da Divisão de Clima e Meio Ambiente do CPTEC/Inpe e um dos autores do artigo, à Agência FAPESP.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, segundo ele, com as informações disponíveis atualmente, levando em conta todas as dificuldades inerentes aos altos custos da geração de energia eólica, é possível afirmar que apenas o potencial da energia dos ventos do Nordeste seria capaz de suprir quase dois terços de toda a demanda nacional por eletricidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O problema é que, atualmente, o índice de aproveitamento eólico na matriz energética brasileira não chega a 1%. A capacidade instalada é muito pequena comparada à dos países líderes em geração eólica. Praticamente toda a energia renovável no Brasil é proveniente da geração de hidreletricidade”, apontou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parte dos dados do estudo também foi extraída do Atlas do Potencial Eólico Brasileiro, produzido pelo Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel) com o objetivo de fornecer informações para capacitar tomadores de decisão na identificação de áreas adequadas para aproveitamentos eólico-elétricos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Os locais mais propícios no país para a exploração da energia eólica estão no Nordeste, principalmente na costa do Ceará e do Rio Grande do Norte, e na região Sul”, disse Martins.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de descrever a evolução do aproveitamento da energia eólica no mundo, os pesquisadores do Inpe trazem no artigo dados inéditos sobre a situação atual do uso desse recurso para geração de eletricidade em diferentes países.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem emissões&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo o estudo, o setor de energia eólica tem apresentado crescimento acelerado em todo o mundo desde o início da década de 1990. A capacidade instalada total mundial de aerogeradores voltados à produção de energia elétrica atingiu cerca de 74,2 mil megawatts (MW) no fim de 2006, um crescimento de mais de 20% em relação ao ano anterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Enquanto o Brasil explora menos de 1% de sua energia eólica, países como Alemanha, Espanha e Noruega utilizam por volta de 10%”, disse Martins, lembrando que a conversão da energia cinética dos ventos em energia mecânica é utilizada há mais de três mil anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2006, o Brasil contava com 237 megawatts (MW) de capacidade eólica instalada, principalmente por conta dos parques na cidade de Osório (RS). O complexo conta com 75 aerogeradores de 2 MW cada, instalados em três parques eólicos com capacidade de produção de 417 gigawatts-hora (GWh) por ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pesquisador do CPTEC aponta ainda que, dentre as fontes energéticas que não acarretam a emissão de gases do efeito estufa, a energia contida no vento também demonstra potencial para atender à segurança do fornecimento energético no país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Políticas nacionais de incentivos estão começando a produzir os primeiros resultados, a exemplo do Proinfa [Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica]. Espera-se um crescimento da exploração desse recurso nos próximos anos no Brasil”, disse Martins.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Proinfa, coordenado pelo Ministério de Minas e Energia, foi criado em 2002 para a diversificação da matriz energética nacional. O programa estabelece a contratação pelas empresas de uma parcela mínima de energia elétrica produzida a partir de fontes renováveis, entre as quais energia eólica e a energia proveniente de pequenas centrais hidrelétricas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sonda e Swera&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Martins destaca ainda duas iniciativas do CPTEC que têm dado suporte científico à produção de informações sobre a os recursos eólicos no território brasileiro. Entre os esforços mais recentes, explica, estão a base de dados do Projeto Sonda, um sistema de coleta de dados de vento operado e gerenciado pelo centro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O objetivo do projeto, que tem dezenas de estações de coleta de dados eólicos com medidores instalados em diversos estados brasileiros, é disponibilizar informações que permitam o aperfeiçoamento e a validação de modelos numéricos para estimativa de potencial energético de fontes renováveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O levantamento dos recursos de energia eólica no Brasil também vem sendo realizado pelo projeto Solar and Wind Energy Resources Assessment (Swera), conduzido pela Divisão de Clima e Meio Ambiente do CPTEC, com financiamento do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda a base de dados gerada até o momento pelo Sonda e pelo Swera, que terá sua segunda fase iniciada no começo de 2009, está disponível para acesso gratuito no site dos projetos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Essas bases de dados são extremamente úteis para a definição de políticas junto ao setor energético nacional e para o desenvolvimento de projetos de pesquisa científica sobre a temática do aproveitamento de recursos energéticos. Os resultados obtidos até o momento demonstram o potencial do país no que diz respeito à disponibilidade dos recursos renováveis”, afirmou Martins.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de apresentar uma revisão dos conceitos físicos relacionados ao emprego da energia cinética dos ventos na geração de eletricidade, o artigo descreve ainda os aspectos dinâmicos dos ventos e detalhes sobre a circulação atmosférica na Terra, incluindo os fatores que influenciam a velocidade e direção dos ventos nas proximidades da superfície.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ler o artigo O aproveitamento da energia eólica, de Fernando Ramos Martins e outros, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Agência FAPESP)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-5144148115925888151?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/5144148115925888151/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=5144148115925888151' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/5144148115925888151'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/5144148115925888151'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2009/01/potencial-elico-do-nordeste-pode-suprir.html' title='Potencial eólico do Nordeste pode suprir quase 2/3 da demanda'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-3028420266096201505</id><published>2009-01-09T11:22:00.000-08:00</published><updated>2009-01-09T11:24:02.714-08:00</updated><title type='text'>“Outro mundo é possível, sim nós podemos”</title><content type='html'>Fernanda Muller, do CarbonoBrasil&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grande desafio da civilização é “construir e cultivar a sustentabilidade”, disse o autor de livros como A Teia da Vida e Conexões Ocultas. Para Capra, o conceito de sustentabilidade está ligado à estruturação das comunidades de maneira que elas não interfiram na habilidade da natureza de sustentar a vida.&lt;br /&gt;Nas últimas três décadas, segundo o físico, a humanidade passa por um novo tipo de capitalismo, que engloba inovações e sabedoria. A globalização resultou na acumulação de capital por poucos, em conseqüências ambientais desastrosas, na quebra da democracia e no aumento da pobreza, afirmou Capra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As biotecnologias ‘invadiram a santidade da vida’, que foi transformada em commodity, disse. Tudo isto é insustentável social, ecológico e financeiramente. “Precisamos mudar este jogo”, enfatizou o físico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capra dá pistas de como começar esta mudança, afirmando que o primeiro passo é reconhecer a possibilidade de remodelar esta situação e percebendo que os lucros não são superiores a tudo. Para ele, a questão crítica não é tecnológica, mas sim a falta de vontade política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Movimento Global da Justiça&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O físico apresentou o Movimento Global da Justiça, composto por ONGs e que propõe medidas concretas para a reestruturação das instituições financeiras. Este novo tipo de movimento político depende de uma rede de institutos de pesquisas, pensadores e estudiosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo ele, três são os pontos que devem ser focalizados: o desafio de remodelar a política, as controvérsias entre transgênicos e agricultura sustentável e o design ecológico. Isto tudo precisa ser feito com uma compreensão de como a natureza sustenta a vida, entendendo as conexões. “Precisamos passar da biologia para a ecologia”, disse ele ao referir-se à visão sistêmica e às interconexões dos processos ecológicos. Conhecer a teia da vida, salienta, é crítico para este novo design.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tocando em um ponto falho da base da vida humana, Capra destacou que “a literatura ecológica deve ser a parte mais importante da educação em todos os níveis. “Precisamos ensinar nossas crianças, políticos e estudantes.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o físico, este é o primeiro passo no caminho para a sustentabilidade. O segundo seria o design ecológico. “Temos que entender o vazio entre o design humano e da natureza. Os princípios do design ecológico refletem os princípios da organização que a natureza desenhou para apoiar a teia da vida”, reflete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este novo desenho inclui a agricultura orgânica, clusters industriais ecológicos e a mudança de uma economia orientada pelos produtos para uma guiada para os serviços. Atualmente já existem edifícios que produzem mais energia do que consomem e que não geram resíduos; assim como células a combustível de hidrogênio, que incorporam os princípios básicos da ecologia: pequenas escalas, não poluidoras e nem geradoras de resíduos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capra defende que a energia nuclear não possui um design ecológico, com diversos riscos, como a falta de conhecimento de como processar os resíduos radioativos. De acordo com ele, nenhuma empresa de seguros irá assegurar um reator nuclear. Além disso, o físico afirma que o urânio não é um combustível renovável e a tecnologia aplicada para a produção desta energia não é viável sem subsídios governamentais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vontade Política&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com as tecnologias disponíveis atualmente, a transição para um futuro sustentável é possível, “tudo que precisamos é vontade política e liderança”, garante. Capra diz que a vontade política tem aumentado, como o papel de Al Gore na criação de uma consciência ecológica, o Relatório do economista inglês Nicholas Stern que aponta a possibilidade de estabilizar as mudanças climáticas investindo apenas 1% do Produto Interno Bruto (PIB) global e o livro de Lester Brown, fundador do Worldwatch Institute.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A obra “Plano B 3.0″ é um guia detalhado para “salvar a civilização”, nas palavras de Capra. Ele destacou a importância da eleição de Barack Obama, dizendo que o novo presidente é inteligente, curioso e atencioso. “É um ótimo ouvinte, facilitador e mediador”. O seu programa político dá ênfase para as energias renováveis e pretende criar cinco milhões de empregos ‘verdes’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Outro mundo é possível, sim nós podemos”, concluiu Capra em uma analogia aos slogans do Fórum Social Mundial e da campanha de Obama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(CarbonoBrasil)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-3028420266096201505?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/3028420266096201505/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=3028420266096201505' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/3028420266096201505'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/3028420266096201505'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2009/01/outro-mundo-possvel-sim-ns-podemos.html' title='“Outro mundo é possível, sim nós podemos”'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-9028604072967370671</id><published>2009-01-09T11:21:00.000-08:00</published><updated>2009-01-09T11:22:30.474-08:00</updated><title type='text'>Plano do governo é uma ‘banana’ para Copenhagen</title><content type='html'>Redação do Greenpeace&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O governo brasileiro deu uma banana para as negociações que o mundo vem fazendo para chegar a um acordo sobre novas e rígidas metas de redução das emissões dos gases do efeito estufa. Às vésperas do Natal, o Ministério das Minas e Energia abriu o Plano Decenal de Energia (2008-2017) para consulta pública, com um texto que vai na contramão de tudo que vem sendo discutido até agora para a construção de um novo acordo climático, a ser finalizado em dezembro de 2009, na reunião da ONU sobre clima, em Copenhangen.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto o mundo estuda meios de reduzir drasticamente as emissões globais dos gases do efeito estufa, o Plano Decenal de Energia do Brasil prioriza e estimula as fontes sujas de energia, ignora o potencial da eficiência energética e considera a questão socioambiental como mero entrave para o progresso do país. Um desastre total.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Plano Decenal prevê a construção de 81 usinas termelétricas no país entre 2008 e 2017. O Nordeste, por exemplo, que conta com os melhores regimes de ventos no Brasil, vai receber 55 novas usinas térmicas. Enquanto o Greenpeace discute a geração de uma Itaipu de ventos na região com o Banco do Nordeste, governadores e a comissão de energias renováveis do Congresso, o governo federal promove uma energia cara e suja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na reunião da ONU sobre clima realizada em Poznan, na Polônia (dezembro de 2008), o Ministério do Meio Ambiente anunciou com pompa e circunstância o Plano Nacional de Mudanças Climáticas com metas de redução de emissões. Agora, para consumo interno, mostra a sua verdadeira face.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Mais uma vez, o governo mostra a esquizofrenia da sua política ambiental. Fez barulho em Poznan com um plano de metas para reduzir o desmatamento e as emissões, mas no Brasil, anuncia às vésperas do Natal um aumento de 172% nas emissões de CO2 no setor termelétrico, um belo presente de grego para os brasileiros”, diz Marcelo Furtado, diretor executivo do Greenpeace.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num primeiro momento, a expansão de usinas termelétricas ocorre no Nordeste, com unidades prioritariamente à base de óleo diesel. Num segundo momento, entre 2014 e 2017, a expansão ocorre na região sul com uma fonte ainda mais poluente - o carvão mineral. O IPCC aponta o ano de 2015 como ano-chave para atingirmos o pico das emissões globais de gases do efeito estufa. A partir deste ponto deveremos reduzir de maneira equitativa essas emissões. Enquanto o mundo busca converter sua matriz elétrica suja em renovável, o Brasil toma justamente o caminho oposto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O planejamento energético proposto pelo governo em seu Plano Decenal é orientado por uma abordagem ultrapassada e que privilegia o aumento da geração e não a administração da demanda. Ou seja, ignora de maneira espetacular os benefícios da redução do consumo pelo aumento da eficiência energética como troca de lâmpadas incandescentes e outros equipamentos por substitutos com menor consumo. É emblemático o fato de que o plano, em nenhum momento, faz referência à ‘eficiência energética’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A referência bibliográfica do plano deixa claro que toda a contribuição técnica proporcionada pela sociedade civil na discussão de uma nova matriz elétrica para o Brasil foi ignorada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O plano ignora, por exemplo, o verdadeiro potencial das fontes de energia renováveis modernas no Brasil, como solar e eólica, e minimiza completamente o papel das pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e biomassa. Por outro lado, promove novas (e desnecessárias) usinas hidrelétricas na Amazônia, que têm alto impacto ambiental e consumirão grandes quantidades de recursos financeiros, que poderiam ser melhor aproveitados para a geração de emprego e renda no país, com fontes limpas e sustentáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Brasil não precisa de mais hidrelétricas na Amazônia nem de termelétricas em qualquer parte. O estudo [R]evolução Energética, do Greenpeace, apresenta um cenário para o país em que poderemos atingir uma matriz elétrica com 88% de energias renováveis e índices de eficiência energética de até 30%. Como não bastasse, essa matriz limpa é bilhões de reais mais barata do que a proposta pelo governo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Momentos de crise são também momentos de oportunidade, e o governo brasileiro deveria estar, a exemplo de outras nações, comprometido com a solução para as mudanças climáticas. Os novos investimentos para o setor elétrico deveriam ser prioritariamente feitos para promover as energias renováveis, especialmente num país que é privilegiado nesse tipo de fonte energética”, afirma Marcelo Furtado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Greenpeace)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-9028604072967370671?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/9028604072967370671/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=9028604072967370671' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/9028604072967370671'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/9028604072967370671'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2009/01/plano-do-governo-uma-banana-para.html' title='Plano do governo é uma ‘banana’ para Copenhagen'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-538973925555070547</id><published>2009-01-09T11:20:00.000-08:00</published><updated>2009-01-09T11:21:35.456-08:00</updated><title type='text'>Homem-natureza: não basta boa vontade ou ideologia ecológica</title><content type='html'>Redação IHU On-line&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Relacionar a questão do pluralismo cultural e religioso à ecologia é um dos desafios que a teologia enfrenta hoje. Para colaborar nessa discussão, o teólogo e monge beneditino Marcelo Barros participará do III Fórum Mundial de Teologia e Libertação, que ocorre em Belém, no Pará, nos próximos dias 21 a 25 de janeiro. Seu desejo é “aprofundar a fé e o projeto divino a partir da realidade dos povos empobrecidos e dos atuais problemas do mundo”. Nesse sentido, a responsabilidade da Teologia, segundo ele, é denunciar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta entrevista especial, concedida por e-mail à IHU On-Line, Barros afirma que, “para uma nova relação de respeito e de comunhão do ser humano com a natureza, não basta boa vontade ou ideologia ecológica”. Para ele, um caminho novo só será possível se os governos perceberem que “o capitalismo é, por essência, depredador” e que não existe um desenvolvimento sustentável dentro dele. E também critica o atual governo, especialmente o PAC, por ainda não ter rompido com a lógica do capitalismo no que se refere às questões ambientais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcelo Barros é monge beneditino e biblista. Membro da Associação Ecumênica dos Teólogos do Terceiro Mundo (ASETT), é autor de 32 livros, entre os quais o recém-lançado “O Amor fecunda o Universo - Ecologia e espiritualidade” (Editora Agir, 2009), em coautoria de Frei Betto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confira a entrevista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IHU On-Line - Quais são os principais desafios e possibilidades que a Teologia da Libertação enfrenta hoje?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcelo Barros - Um importante desafio continua sendo aprofundar a fé e o projeto divino a partir da realidade dos povos empobrecidos e dos atuais problemas do mundo. A Teologia da Libertação se desenvolveu nas décadas de 70 e 80 a partir da inserção dos cristãos nos processos sociais latino-americanos (sandinistas na Nicarágua, FSMN em El Salvador, Cristãos para o Socialismo na Argentina e no Chile, CEBs e movimentos populares no Brasil, e assim por diante). Hoje, existe um processo de transformações sociais em curso em vários países da América Latina. Na Venezuela, fala-se em revolução socialista bolivariana; no Equador, em uma sociedade cidadã; na Bolívia, em uma revolução a partir da valorização das culturas indígenas. Onde está nisso tudo a Teologia da Libertação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro importante desafio atual é reelaborar a Teologia da Libertação a partir da realidade diversa de um mundo pluralista e da responsabilidade das diversas religiões e tradições espirituais de contribuir com a paz, a justiça e o cuidado com a criação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IHU On-Line - Pode esboçar alguns pontos que vão ser debatidos no Fórum, especialmente em sua conferência?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcelo Barros - Não terei propriamente uma conferência no Fórum. Penso que coordenarei uma oficina entre as muitas nas quais os participantes do Fórum de Teologia se dividirão, e essa oficina terá como tema “O Pluralismo Cultural e Religioso e o Desafio Ecológico”. Ali apresentarei o novo livro que está saindo de autoria minha e do Frei Betto: “O Amor fecunda o Universo - Ecologia e Espiritualidade”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IHU On-Line - Quais são as articulações da teologia hoje? Existem debates teológicos com a sociedade civil em nível nacional ou latino-americano?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcelo Barros - Para haver pesquisa teológica, é necessário respirar-se um clima de liberdade e de diálogo respeitoso nas Igrejas e no mundo. Em vários países da América Latina, a teologia índia está presente no processo que, a partir das comunidades índias, repensa a organização social e política da sociedade e do mundo de forma a respeitar a diversidade, a interculturalidade e assim por diante. No Brasil, o fato do Fórum Social Mundial ter escolhido como tema a Amazônia e o 3º Fórum Mundial de Teologia e Libertação ter também assumido o tema da Ecologia conduz, nessa direção, os debates mais atuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IHU On-Line - Dados de 2005, indicam que a contaminação das águas no Brasil aumentou cinco vezes desde 1995, e que, desde 2000, o país foi responsável por cerca de 74% da área desmatada na América do Sul. Ao mesmo tempo, muito se critica os desafios ecológicos. Mas por onde se pode iniciar uma proposta mais articulada quando ainda se vê pouco apoio do governo? Por onde iniciar uma reflexão que ajude a uma mudança de mentalidade social e até religiosa com relação à natureza?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcelo Barros - Para uma nova relação de respeito e de comunhão do ser humano com a natureza, não basta boa vontade ou ideologia ecológica. Enquanto os governos não perceberem que o capitalismo é, por essência, depredador, e que não existe verdadeiramente um “desenvolvimento sustentável” dentro desse sistema, não temos possibilidade de um caminho novo. Estão aí os projetos de hidroelétricas na Amazônia e do desvio das águas e a construção dos canais do São Francisco para provar. Não é apenas com PAC que o governo cuida dessa questão. Romper com a lógica desse sistema é fundamental. Não podemos continuar aceitando que, entre uma estrada e um matinho, fiquemos com o desenvolvimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A responsabilidade da teologia nesse contexto é denunciar (alguns teólogos se pronunciaram com muita propriedade e clareza quando a ministra Marina Silva se sentiu obrigada a pedir demissão do ministério do Meio Ambiente). Além disso, temos de favorecer, desde o início, o processo de uma nova educação nas escolas, nas Igrejas e em todos os setores da sociedade. É por meio de uma nova educação que poderemos mudar isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IHU On-Line - Em que pontos a teologia e a ecologia convergem atualmente? Como a teologia pode ajudar a responder aos “gemidos da criação”?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcelo Barros - Para responder aos “gemidos da criação”, temos antes de ser capazes de “escutá-los” e compreendê-los em sua natureza complexa e suas causas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A teologia eco-feminista, que associa a tragédia que ocorre com a Terra à opressão infligida durante séculos à mulher, une a ecologia social (igualdade homem-mulher) à Ecologia ambiental. E a Teologia Pluralista da Libertação procura resgatar e revalorizar as antigas expressões espirituais das culturas indígenas e negras que adoram a divindade nas suas manifestações na terra, na água e em todos os elementos da natureza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IHU On-Line - A partir da figura de Cristo, que guia e orienta tantas denominações cristãs no mundo, como entender a ecologia? Qual foi a relação dele com a criação e como ele nos ensina a conviver com os demais seres não-humanos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcelo Barros - Quando o quarto evangelho diz: “A Palavra de Deus se fez Carne”, podemos compreender que todo o universo, com a imensidade da sua “comunidade da vida”, não somente se torna uma espécie de presépio permanente para a manifestação humana de Deus, na pessoa de Jesus Cristo, mas também é assumida mesmo pela encarnação como uma espécie de extensão do corpo do Cristo. Os evangelhos e cartas, escritos tantos anos depois, não tinham nenhuma preocupação de falar em ecologia ou de aprofundar o que Jesus poderia nos dizer sobre isso. São testemunhos de como ele nos manifestou o projeto divino que os evangelhos chamam de “reino de Deus”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diversas parábolas do evangelho e diversas palavras de Jesus nos mostram que a comunhão com a natureza é fundamental como caminho de intimidade com Deus. É assim que, no sermão da montanha, ele nos convida a “olhar as aves do céu e os lírios do campo” (Mateus 6, 27-28), para aprender deles a simplicidade e a viver no essencial, preocupação, hoje, tão atual com o desafio de uma sociedade que não é sustentável e não pode mais manter o mesmo ritmo de crescimento de antes. Ele nos estimula a construir a casa sobre a rocha e a abrir os olhos aos sinais do reino presentes em torno a nós no mundo. Hoje, todo o universo parece crucificado com Cristo (não são mais somente, como dizia Jon Sobrino, “os povos crucificados”). É preciso crer na ressurreição e ser testemunhas disso. Eu procuro desenvolver uma teologia ecológica da eucaristia: a ceia da partilha e da comunhão na qual a presença de Cristo se dá através dos elementos básicos da vida e da natureza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, cada vez mais aumenta o número das pessoas que levantam a questão dos direitos dos animais e a necessidade da nossa sociedade mudar totalmente a forma como os animais são tratados como objeto para o consumo e maltratados imensamente para engordar mais rápido e para ser sacrificados com mais lucro. Quem aprofunda uma espiritualidade ecológica começa a pensar em um vegetarianismo de paz e não-violência com as outras espécies animais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IHU On-Line - O que seria uma espiritualidade libertadora? Que grupos e/ou experiências você pode salientar nesse sentido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcelo Barros - Se a espiritualidade significa “deixar-se conduzir pelo Espírito”, a experiência de muitos de nós é que podemos vivenciar isso na prática da solidariedade. Desde 1978, assessoro e acompanho a Pastoral da Terra. Tenho de confessar que, poucas vezes, vivi experiências verdadeiramente místicas, quase de êxtase, como quando acompanhei uma ou outra comunidade de lavradores sem-terra a ocupar um terreno incultivado. Cantando e orando pela madrugada, eu me senti plenamente refazendo o Êxodo bíblico e pude experimentar a presença divina junto àquele povo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verdade que vivo isso também quando participo de algum culto afro-brasileiro no Candomblé. Todo dia, procuro encontrar essa intimidade com Deus no sacramento e posso dizer que a encontro na escuridão e sobriedade da fé, Mas, no outro e no diferente, parece que ele se excede e grita para nós sua presença e seu amor. Todos os grupos que vivem a solidariedade como expressão de fé vivem uma espiritualidade libertadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim, são exemplos e testemunhas de espiritualidade libertadora, o padre Júlio Lancelotti em São Paulo (ele, as irmãs beneditinas e equipe) no trabalho com o povo da rua e com as crianças que têm Aids. Continuo vibrando com o testemunho profético de irmãos como Dom Pedro Casaldáliga, Dom Tomás Balduíno e outros pastores que não descansam na sua profecia. E devo dizer com sinceridade que o MST, mesmo sendo um movimento leigo e que não tem nenhuma opção religiosa, sempre me toca pela força espiritual que sinto neles, em cada contato e em cada evento do qual participo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(IHU On-line)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-538973925555070547?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/538973925555070547/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=538973925555070547' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/538973925555070547'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/538973925555070547'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2009/01/homem-natureza-no-basta-boa-vontade-ou.html' title='Homem-natureza: não basta boa vontade ou ideologia ecológica'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-7822114611862589413</id><published>2009-01-09T11:19:00.000-08:00</published><updated>2009-01-09T11:20:38.955-08:00</updated><title type='text'>Qualidade do ar nas grandes cidades precisa de ações imediatas</title><content type='html'>Neuza Árbocz, da Envolverde especial para o Instituto Ethos*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O debate sobre a qualidade do ar nas grandes cidades brasileiras ganhou mais um elemento explosivo. Um estudo realizado pela Universidade de São Paulo (USP) aponta entre 5% e 10% das mortes consideradas por “causas naturais”, na Grande São Paulo, como resultado de danos causados à saúde por problemas relacionados à poluição atmosférica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta informação é fruto de estudos realizados pelo Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da USP, e seu responsável, o médico Paulo Saldiva, alerta que, até 2040, teremos cerca de 25 mil mortes ligadas a essa causa. Ele acredita que tais mortes poderiam ser evitadas se a indústria tivesse cumprido a Resolução 315, de 2002, do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A resolução estabelecia que, a partir de janeiro de 2009, o diesel com 500 ppm (partes por milhão) de enxofre nas regiões metropolitanas e o diesel com 2.000 ppm distribuído no restante do país fossem substituídos pelo diesel com 50 ppm. Embora apenas 10% da frota brasileira utilize esse combustível, ele é o mais prejudicial à saúde, pois provoca os mesmos danos que os cigarros: doenças cardiovasculares e respiratórias, câncer e riscos aos fetos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Resolução 315 é parte do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve), o qual pela primeira vez teve uma de suas fases descumpridas. O programa existe desde 1986 e, graças às etapas já realizadas, os carros no Brasil emitem hoje 98% menos monóxido de carbono do que nos anos 1980 e tirou o Brasil da lista de países que utilizam chumbo tetraetila, altamente tóxico, como aditivo na gasolina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Razões da demora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“As modificações nos motores requerem de 36 a 54 meses de trabalho e testes. Como, após o acerto da 315, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) solicitou que fossem retiradas de seu texto as especificações técnicas, porque sua definição não era atribuição do Conama, ficamos num compasso de espera”, explica Henry Joseph Jr., representante da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), durante um encontro sobre essa questão na Faculdade de Economia e Administração (FEA), da USP, no dia 9 de dezembro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Falar apenas no teor de enxofre é simplificar demais. As melhorias no diesel envolvem muitos outros fatores e, sem as especificações corretas, corríamos o risco de investir milhões de dólares em novos equipamentos, instalações e treinamento de pessoal e perder tudo isso depois”, justifica Frederico Kremer, da Diretoria de Abastecimento da Petrobras, também presente no evento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A indústria já conhecia as especificações para o diesel mais limpo, pois este é usado na Europa. Ela podia ter agido baseada nisso, antecipando-se às definições da ANP”, indigna-se José Eduardo Ismael Lutti, promotor de Justiça e Meio Ambiente do Ministério Público de São Paulo, lembrando que ter responsabilidade socioambiental - e, portanto, zelar pela saúde pública - é obrigação de quem produz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ANP realmente apontou as especificações européias, por meio da Resolução ANP nº.35, mas só o fez em 2007 - cinco anos após a publicação da 315. Essa demora, contudo, não gerou alerta algum de que o prazo acertado para a redução do enxofre no diesel não seria cumprido. Nem produtores do combustível nem os fabricantes dos automóveis trouxeram ao conhecimento da opinião pública a questão, ainda em tempo hábil para revertê-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Complicamos demais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Há várias questões técnicas a ser ajustadas. Para a eficácia do diesel 50 ppm é preciso, por exemplo, misturá-lo à uréia, nos postos de abastecimento. O diesel sem uréia traz pouquíssima diferença. Isso ainda não foi acertado. Mesmo assim, estaremos fornecendo o diesel 50 ppm a partir de janeiro de 2009 aos ônibus de São Paulo e Rio de Janeiro”, completa Kremer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como compensação pelo atraso ocorrido, os fabricantes de automóveis e os produtores de diesel firmaram um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o Ministério do Meio Ambiente, comprometendo-se a cumprir a etapa seguinte, ou seja, fornecer o diesel a 10 ppm para carros novos, a partir de 2012, além de custear programas de inspeção veicular - responsabilidade do governo que demora a sair do papel - realizar pesquisas sobre emissões de poluentes e montar um laboratório de testes de motores, entre outras medidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Temos um consenso sobre a importância da redução dos impactos dos combustíveis. Por que persiste então o contraste de nossa situação com a dos países europeus, onde se caminha para diesel totalmente livre de enxofre? Será que complicamos demais?”, indagou o professor Ricardo Abramovay, da FEA, que prometeu continuar a série de diálogos entre todas as partes para acelerar as mudanças necessárias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A lei, neste caso, não é o melhor guia, e sim o conhecimento das conseqüências para a saúde pública. É nele que deve estar baseado qualquer planejamento e definição de um produto”, conclui o médico Paulo Saldiva, ressaltando que o preço de erros e falhas neste campo é pago com vidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Edição: Benjamin S. Gonçalves&lt;br /&gt;(Instituto Ethos)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-7822114611862589413?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/7822114611862589413/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=7822114611862589413' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/7822114611862589413'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/7822114611862589413'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2009/01/qualidade-do-ar-nas-grandes-cidades.html' title='Qualidade do ar nas grandes cidades precisa de ações imediatas'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-6703309356787522463</id><published>2009-01-09T11:18:00.000-08:00</published><updated>2009-01-09T11:19:07.728-08:00</updated><title type='text'>Fundos soberanos, uma arma diplomática?</title><content type='html'>Christian Chavagneux - Alternatives Economiques&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um fundo de investimento soberano para defender a indústria francesa: eis um dos projetos-base apresentado pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy, que ganhou corpo com o anúncio, no dia 20 de novembro, da formação de um “fundo de investimento nacional”. É o exemplo mais recente de uma tendência mundial: cada vez mais Estados investem na finança internacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A França não é a única a dotar-se de um fundo soberano: os 20 bilhões de euros do novo “fundo de investimento nacional” podem ser comparados aos 300 bilhões de dólares do fundo criado pelo Estado chinês em 2007. Os sovereign wealth funds, assim designados pelo jargão internacional, ou, à letra, os “fundos de riqueza soberana”, ou seja: as sociedades de investimento controladas pelos Estados multiplicam-se. Estão impondo-se como novos e potentes atores da finança internacional. Apenas com o seu novo fundo, a China poderia comprar sem problemas a Microsoft ou a EDF, ou a Société Génerale, o BNP Paribas, o Crédit Agricole e a AXA juntos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A perspectiva de ver as suas grandes empresas, em parte, sob o controle indireto do Estado chinês ou russo torna os governos dos grandes países industriais muito menos propensos a comemorar as virtudes da liberalização financeira. Foi assim que a Alemanha anunciou, no fim do mês de agosto, uma futura lei que lhe permite controlar de perto os investidores estrangeiros. Esta lei chega mesmo a prever a organização de um contra-fundo soberano com os bancos alemães, destinado a fazer contra-propostas de compra de ações em caso de OPA (1) efetuada por fundos de Estados estrangeiros!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fundos soberanos, de onde vêm? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pequena história quis que um dos primeiros fundos soberanos tenha nascido em 1956 nas ilhas Kiribati, a sul do Havai, depois da decisão do administrador colonial britânico de então de instaurar uma taxa sobre as exportações de adubo para o país. O objetivo era poupar uma parte das receitas tiradas deste recurso não renovável para gerar rendimentos de substituição para o país quando aquele se esgotasse. O fundo, alimentado pelas receitas da taxa, gera agora 520 milhões de dólares, cerca de nove vezes o Produto Interno Bruto (PIB) local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde aí, outros Estados, bem mais ricos, adotaram a mesma estratégia. A começar pelos países produtores de petróleo, que já preparam o momento em que as suas reservas de ouro negro se esgotarem. O fundo soberano mais poderoso é, assim, a Abu Dhabi Investment Authority (ADIA), que gera os 875 bilhões de dólares de investimentos financeiros dos Emirados Árabes Unidos. O maná do petróleo permitiu igualmente à Arábia Saudita, ao Kuwait, à Venezuela e à Rússia tornarem-se grandes investidores financeiros. E vê-se aparecer o Cazaquistão, o Azerbeijão, a Nigéria e Angola. A Noruega, por sua vez, desenvolveu um fundo a partir de 1990, investindo uma parte das suas receitas do petróleo; doravante esse fundo está dotado com mais de 300 bilhões de dólares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A subida dos países asiáticos emergentes constituiu uma outra fonte de desenvolvimento destes agentes financeiros públicos. Singapura, onde dois grandes fundos que datam dos anos 70 e 80 geram perto de 45 bilhões de dólares, e a China, com os seus 300 bilhões anunciados, surgem, por grande margem, à cabeça, bem distantes dos 20 bilhões da Korea Investment Corporation, nascida em 2005.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, alguns países do Norte [sic], desejosos de nivelar os fundos dos seus regimes de reforma, criaram estruturas de investimento a longo prazo: é o caso do Future Fund, na Austrália (40 bilhões de dólares) e do Fundo de reserva para as reformas, na França (45 bilhões). No total, segundo as estimativas disponíveis, o conjunto dos fundos soberanos dispõe, hoje, de mais de 2,5 trilhões de dólares para investir nos mercados financeiros mundiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto pesam? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que representam estes 2,5 trilhões de dólares na finança mundial? Em comparação com o conjunto dos ativos financeiros mundiais (2), que ultrapassam os 100 trilhões de dólares, é uma gota no oceano. Comparados apenas com os mercados bolsistas, os montantes investidos representariam hoje cerca de 4% da capitalização bolsista mundial. Portanto, ainda são atores de dimensão bastante pequena quando comparados aos investidores como fundos de pensão, fundos de investimento tradicionais e companhias de seguros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, já pesam mais que os cerca de 1,5 ou 2 trilhões de dólares gerados pelos fundos especulativos. Ora, estes mostraram que, apesar da sua dimensão relativamente limitada, podiam suscitar movimentos desestabilizadores do crescimento. Daí vem o receio de ver alguns fundos soberanos a adotar os mesmos comportamentos e a provocar ou manter movimentos de pânico financeiro, como alguns países experimentaram durante a última década. E se passarmos da escala nacional para a escala das multinacionais, o seu potencial de influência revela-se, naturalmente, ainda maior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque é que assustam?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os primeiros fundos já apareceram há meio século. Cerca de 60% dos seus capitais são investidos nos ativos sem risco (títulos do tesouro de grandes países industrializados) e 40% nos mercados mais arriscados, como as Bolsas ou os produtos financeiros mais especulativos. A sua presença no capital das grandes empresas e nos diferentes mercados não é, portanto, uma novidade. Porque é que parecem assustar mais hoje do que ontem, ao ponto de suscitar reações como a da Alemanha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Principalmente, porque o seu peso financeiro deveria aumentar de forma considerável: 12 trilhões de dólares daqui até 2015, estima a Morgan Stanley, será mais do dobro das reservas atuais de divisas mundiais! Do lado dos produtores de petróleo, o preço do ouro negro deveria manter-se por muito tempo a um preço elevado e alimentar com moeda estrangeira as monarquias petrolíferas do Golfo e a Rússia. Do lado dos países asiáticos, as reservas crescem devido aos excedentes externos e às políticas de intervenção levadas a cabo por estes países nos mercados cambiais: para evitar a valorização das suas moedas face ao dólar americano; para defender a sua competitividade, os países asiáticos, a começar pela China, obrigam os seus bancos centrais a comprar dólares com o objetivo de sustentar a moeda americana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fundos soberanos, uma arma diplomática? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos imaginar que os Estados de que os fundos soberanos dependem se sintam tentados a utilizar o seu novo papel financeiro como arma de política externa ou para transmitir aos seus jovens sistemas financeiros as capacidades de inovação dos nossos. Mas tudo isso fica, por enquanto, no domínio da especulação. Estes investidores também estão interessados em fazer prevalecer os critérios de boa gestão econômica nas empresas em que investiram muito dinheiro. Isto não significa que estes fundos se privem de qualquer ação política, mas fazem-no de forma mais sutil. Assim, é difícil acreditar que a escolha do fundo de Singapura GIC de investir 10 bilhões de dólares no banco suíço UBS se deva completamente ao acaso. Com cerca de 15% da quota de mercado, o UBS é o líder mundial na gestão de fortunas privadas. É precisamente uma área na qual o centro financeiro de Singapura faz imensos esforços para se impor, especialmente atraindo os investidores europeus. Aí está, portanto, um investimento que poderia servir…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De um modo geral, estas reservas de câmbio são aplicadas em produtos financeiros sem riscos e rapidamente mobilizáveis, como os títulos do Tesouro americano, pois devem servir como linha de defesa contra uma possível fuga de capitais, como se passou em vários países aquando da crise de 1997-1998. Mas o nível atual das reservas ultrapassa largamente o necessário para se proteger em caso de crise: enquanto que as normas internacionais consideram que reservas equivalentes a um quarto das importações anuais sejam suficientes, as reservas da Coréia do Sul cobrem perto de 90% e são superiores a um ano das importações da China! A possibilidade de mobilizar rapidamente o conjunto das reservas torna-se, portanto, menos determinante para estes países, enquanto que o critério da rentabilidade dos investimentos realizados se torna mais importante. Daí a vontade expressa, nestes últimos meses, por vários fundos soberanos, de consagrar mais recursos aos investimentos na Bolsa e aos produtos financeiros sofisticados, mais arriscados mas mais rentáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, cada vez mais é preciso esperar para saber notícias como as dos últimos meses, que mostraram o Estado chinês investindo 3 bilhões de dólares no fundo de investimento americano Blackstone, ou o fundo de Singapura Temasek querer comprar 10% do capital do Barclays, ou ainda um fundo do Qatar colocar em cima da mesa mais de 20 bilhões de dólares para se apoderar da cadeia de hipermercados britânicos Sainsbury.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O regresso do proteccionismo financeiro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto os bancos centrais dos países emergentes e petrolíferos se contentaram com posições de chefe de família de rendimento diminuto, com alguns investimentos dispersos e discretos na bolsa, o seu papel de financiadores era aceita. Agora que eles reivindicam publicamente a possibilidade de se tornarem proprietários de ações de grandes sociedades globalizadas com rendimentos interessantes na bolsa, o tom mudou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque os governos do hemisfério Norte, para além do risco de verem passar os seus bens mais preciosos para mãos estrangeiras, suspeitam que certos países (a China, a Rússia) não são exclusivamente motivados por razões financeiras. Com efeito, podemos imaginar que alguns países rivais do plano estratégico tentam deitar a mão às empresas que produzem tecnologia avançada, como pudemos adivinhar em relação a alguns fundos americanos… Outro cenário: um fundo poderá servir para comprar uma empresa automóvel que terá como fornecedoras exclusivas as maiores empresas do país de onde o fundo é originário. Isto para já não falar da compra de empresas estratégicas, como as que produzem energia nuclear, armamento…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Utilizando as ferramentas disponíveis a qualquer investidor (offshores, produtos financeiros sofisticados…) para dissimular as partes mais importantes das suas aquisições, os fundos soberanos - à exceção do fundo norueguês apresentado como um modelo atípico - vêem-se acusados de opacidade e são objeto de uma exigência de transparência nas suas compras e nas motivações das suas escolhas. Assim, o governo americano pediu ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para trabalhar na definição de um código de boas práticas para estes fundos. Mesmo os think tanks americanos mais favoráveis à livre circulação de capitais, como o Petersen Institute for International Economics, reclamam uma longa lista de restrições que devem ser impostas. Estranhamente, nunca ninguém se tinha lembrado de exigir a mesma coisa quando o FMI e o Banco Mundial impunham aos países emergentes que abrissem aos investidores estrangeiros setores tão estratégicos como a distribuição de electricidade, água, transportes, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Patriotismo econômico no hemisfério Norte contra fundos do estado no hemisfério Sul, o risco de confronto político está bem patente. O governo russo qualificou o projeto europeu de proteção do setor energético como uma reação “quase histérica”. A China já anunciou, no fim de agosto, uma nova lei sobre a concorrência cujo artigo 29 prevê uma investigação de “segurança nacional” antes de qualquer aquisição por estrangeiros de uma empresa chinesa. O cenário de propagação de um movimento de protecionismo financeiro não é de excluir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como escrevia, em julho passado, Lawrence Summers, antigo vice-ministro das Finanças da administração Clinton, o crescimento dos fundos soberanos coloca uma questão “profunda que mexe com a natureza do capitalismo global”. O crescimento destes fundos alimenta, com efeito, interrogações que se colocam cada vez mais, incluindo as feitas ao FMI ou ao Banco Mundial, quanto às virtudes de uma liberalização financeira levada cada vez mais longe, e das suas consequências na soberania dos Estados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Versão atualizada do artigo “Quand les Etats investissent la finance”, (Alternatives Economiques n°262, Outubro de 2007).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tradução de Rui Maio (Esquerda.Net)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) Oferta pública de aquisição: proposta efetuada por um investidor para comprar uma parte ou a totalidade das ações de uma empresa, com o objetivo de tomar o controle da mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(2) Conjunto dos ativos financeiros mundiais: total da capitalização bolsista mundial e do stock das obrigações emitidas pelas empresas e pelos Estados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Carta Maior)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-6703309356787522463?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/6703309356787522463/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=6703309356787522463' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/6703309356787522463'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/6703309356787522463'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2009/01/fundos-soberanos-uma-arma-diplomtica.html' title='Fundos soberanos, uma arma diplomática?'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-2453318467395421867</id><published>2009-01-09T11:16:00.000-08:00</published><updated>2009-01-09T11:17:35.333-08:00</updated><title type='text'>Será que o pilar ambiental foi sobrevalorizado?</title><content type='html'>Michael Hopkins*, para a revista Im))pactus&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Al Gore efectuou um óptimo trabalho ao conseguir trazer o debate ambiental para a ordem do dia. Mas se, ao menos, tivesse feito o mesmo esforço em relação a outra questão fundamental - a área social - quando teve oportunidade, o mundo seria actualmente um local bem melhor. Estou-me a referir às eleições presidenciais de 2000, onde acabou por desistir cedo demais, mesmo após ter obtido a maioria dos votos e sabendo que a contagem dos votos na Flórida tinha sido manipulada. Se tivesse continuado a lutar, recusando aceitar a derrota até à recontagem dos votos, então o maior desastre dos últimos sete anos - a guerra do Iraque, com um custo avaliado em 1.5 mil milhões de dólares - não teria acontecido. O 11 de Setembro teria ocorrido, mas estaríamos numa posição moral bem mais confortável, em relação ao terrorismo, do que aquela em que nos encontramos neste momento devido à presença desastrosa de George W. Bush na Casa Branca. É a isto que me refiro quando relembro que as questões de cariz social não devem ser completamente dominadas pelo debate ambiental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um e-mail que recebi recentemente estava imbuído da mesma linha de raciocínio. No grupo de discussão de RSE, CSR Chicks, a Ulrika escreveu “Olá membros do grupo de discussão, será que algum de vocês me saberá aconselhar relativamente a um seminário ou conferência de boa qualidade sobre Investimento Socialmente Responsável (ISR)? O ISR parece estar muito centrado em “Investimentos Ecológicos” e em questões ambientais. O que eu procuro é uma conferência acerca de ISR, mas centrada em direitos humanos, direitos laborais, corrupção e também sobre ambiente.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num recente inquérito mundial às empresas sobre questões politicossociais, da autoria da McKinsey[i], mais de metade dos participantes escolheu o ambiente, incluindo as alterações climáticas, como um dos três temas que mais irá atrair a atenção dos políticos e do público nos próximos cinco anos, em comparação com 31% no anterior inquérito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece claro que o aquecimento global é um dos principais temas do momento. Curiosamente, a comprovação de que as emissões de carbono contribuem para o aquecimento global ainda decorre. Por exemplo[ii], John Christy, Professor de Ciências da Atmosfera na Universidade de Alabama, é de opinião que a ciência não é totalmente fidedigna, até porque fazer previsões é uma “ciência” difícil e salienta que “quantificar o aquecimento que terá ocorrido devido ao aumento da emissão de gases de efeito de estufa e afirmar aquilo que poderemos esperar no futuro, são respostas ainda repletas de enorme incerteza, na minha opinião”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha opinião, tal como a de muitos outros, é a de que se trata de uma ameaça demasiado importante e, por isso, se deve destinar 1% do PIB, anualmente, para tornar o nosso planeta num local mais ecológico, tal como foi sugerido pelo Relatório Stern. Mas sejamos racionais acerca deste tema e actuemos onde possam ocorrer os maiores impactos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A preocupação com o ambiente não é algo de novo. Os avisos de catástrofe mundial vieram da equipa liderada por Donella Meadows no livro “Os Limites do Crescimento” publicado em 1971. Mas os seus autores tiveram o cuidado de referir que existiam outras catástrofes e a falecida D. Meadows, com quem tive o privilégio de trabalhar, era nessa altura uma entusiasta defensora da redução da pobreza na Índia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As questões ambientais são algo sobre o qual é fácil entusiasmarmo-nos. Durante a Guerra Fria, nos anos 70, a única instituição internacional criada para estabelecer uma ponte entre o Ocidente e o Oriente foi o Instituto Internacional para a Análise de Sistemas Aplicados (IIASA)[iii]. Ficou sedeada nos arredores de Viena, com o objectivo de aplicar a técnica de análise de sistemas aos problemas ambientais transfronteiriços - um sector considerado, na época, como não político! Actualmente, como é óbvio, esta instituição trabalha na criação de modelos de aquecimento global e 17 cientistas do IIASA foram os autores e revisores do Quarto Relatório de Avaliação do Painel Internacional sobre as Alterações Climáticas (PIAC) concluído recentemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como os leitores saberão, defendi recentemente num artigo mensal[iv] que devemos escolher cuidadosamente as nossas catástrofes mundiais! Escrevi o seguinte: “… na tentativa de solucionar a potencial catástrofe do Aquecimento Global, estar-se-á a desviar a atenção da catástrofe da pobreza e do subdesenvolvimento?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode a RSE ser o motor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredito que a RSE é o motor que poderá estabelecer a ligação entre todos estes conceitos. A minha definição de RSE é actualmente a seguinte: “tratar os principais stakeholders das organizações de uma forma responsável”. Não a vou aqui defender dado que lhe dediquei um longo capítulo no meu livro “CSR and International Development - Is Business the Solution” (Earthscan, Londres, 2007)[v].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, a RSE abrange a maioria dos stakeholders e as principais áreas de âmbito social, económico e ambiental. Em parte alguma, até à data, é possível encontrar uma avaliação tão abrangente sobre quais devem ser as prioridades. Para as empresas é muitas vezes evidente quem são os seus principais stakeholders e quais devem ser as suas prioridades de RSE. No entanto, as prioridades perdem clareza quando as empresas tentam ir ao encontro das preocupações da comunidade mais vasta na qual se inserem e desejam saber qual a forma correcta de cuidar dos seus colaboradores que muitas vezes se encontram em locais remotos e inóspitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De facto, as grandes empresas, tal como já referi inúmeras vezes nos nossos artigos mensais, têm responsabilidades que vão muito para além das suas habituais dietas. Podem também, em alguns casos (consultar o artigo mensal, na MHCI, sobre RSE e o Complexo Militar Industrial), afectar de forma negativa questões fundamentais. Logo, a minha principal tese é a de que as grandes empresas não deviam ir ao extremo do entusiasmo em relação às questões ambientais sem também terem em consideração as principais questões sociais e, como é óbvio, as suas próprias questões económicas. Geralmente, não se pretende que as empresas deixem de ter lucro pois, como é evidente, acabariam por definhar e morrer, o que não tem qualquer utilidade para os apoiantes da RSE. Que questões sociais são estas? Quais são as implicações entre estar centrado nas questões ambientais comparativamente às questões fundamentais de cariz social? Qual a relação entre a degradação ambiental e a precariedade social e a pobreza?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apelo a todos aqueles que se preocupam com a futura catástrofe provocada pelas Alterações Climáticas, para que incluam não só medidas de cariz Ambiental mas também de Desenvolvimento Socio-Económico, dado que ambas as áreas estão intimamente interligadas e caso não sejam tomadas medidas haverá consequências gravosas para todos nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;Notas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[i] Avaliar o impacto das questões de cariz social: A McKinsey Global Survey, Novembro, 2007&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[ii] Citado pela BBC a 13 de Novembro de 2007.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[iii] ] http://www.iiasa.ac.at/docs/history.html?sb=3&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[iv] MHCi Monthly feature consulte www.mhcinternational.com&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[v] Michael Hopkins: CSR and International Development - Is Business the Solution? (Earthscan, Londres, Dezembro 2006, cuja versão revista será publicada pela Earthscan em Outubro de 2008).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Michael Hopkins é Professor de Responsabilidade Social Empresarial na Middlesex University Business School e Director Executivo da consultora de RSE e grupo de reflexão MHC International Ltd.. Entre os seus livros já publicados encontram-se “The Planetary Bargain: Corporate Social Responsibility Matters” (Earthscan, 2003) e “Corporate Social Responsibility and International Development: Is Business the Solution?” (Earthscan, 2006).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-2453318467395421867?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/2453318467395421867/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=2453318467395421867' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/2453318467395421867'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/2453318467395421867'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2009/01/ser-que-o-pilar-ambiental-foi.html' title='Será que o pilar ambiental foi sobrevalorizado?'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-2605211811889873265</id><published>2009-01-09T11:15:00.000-08:00</published><updated>2009-01-09T11:16:20.437-08:00</updated><title type='text'>“A economia dos Estados Unidos é insustentável”</title><content type='html'>Com uma crescente onda de demissões nas empresas mais importantes do planeta como pano de fundo, os integrantes do G-20 elaboraram um plano de ação para superar a derrocada global. Mesmo que criticada por empenhar-se em evitar decisões concretas, a declaração emitida na semana passada aponta no sentido de limitar os efeitos de recessão das economias centrais e emergentes mediante uma reforma do sistema financeiro mundial - em termos de regulação e transparência -, um forte estímulo das economias nacionais com políticas fiscais e monetárias, e uma maior participação dos países emergentes na tomada de decisões políticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste contexto, Cash [suplemento do jornal Pagina 12] dialogou com o economista marxista Gérard Dumenil durante a sua visita a Buenos Aires, onde participou do IV Colóquio do Sepla. O pesquisador do Centro Nacional de Pesquisas Científicas (CNRS), que há anos vem chamando a atenção sobre a “iminência” da atual crise, opinou que suas causas centrais são os desequilíbrios da trajetória econômica dos Estados Unidos, a aceleração de mecanismos financeiros baseados num endividamento “insustentável” e o “financiamento dos desequilíbrios da maior potência por parte do resto do mundo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segue a entrevista concedida a Natalia Aruguete e publicada no jornal argentino Página 12. A tradução é do Cepat.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cash - Há anos vocês vêm apresentando a possibilidade de uma grande crise financeira. Vê diferenças entre o que pensava que poderia acontecer e a forma como finalmente deslanchou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gérard Dumenil - Na crise atual há dois aspectos. O primeiro é a situação econômica dos Estados Unidos. Este aspecto previa há alguns anos. O crescimento desse país se caracteriza por um déficit crescente do comércio exterior: compra mais do que o mundo e do que vende ao resto do mundo. Como conseqüência, o mundo financia cada ano mais a economia norte-americana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cash - Como a financia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GD - Com investimentos financeiros. Compra bônus do Tesouro e ações. Já em 2006 víamos que essa trajetória era insustentável, mas agora é muito mais. Ao desequilíbrio exterior se agregam os desequilíbrios internos, em particular, o crescimento da dívida habitacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cash - Qual é o segundo aspecto da atual crise?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GD - A inovação financeira. É o mais evidente. Entre 2001 e 2006 se aceleraram novos mecanismos financeiros, em particular os créditos subprime - o que significou o empréstimo de dinheiro a pessoas que não podem pagá-los -, com mecanismos de titularização. Por trás dos subprime há seguradoras. Se o tomador de crédito não pagar, outra empresa pagará em seu lugar. É um sistema. Mas, há outros mecanismos complexos: o que os mercados fazem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cash - A que se refere com “o que os mercados fazem”?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GD - Ao fato de comprar ações a um determinado prazo ou vender proteção. Por exemplo, uma empresa vai utilizar cobre numa nova fábrica. Seus proprietários fazem o investimento. Sabem que nos próximos dez anos vão necessitar do insumo e que o preço do cobre é muito importante para eles. Vão falar com um fundo de cobertura cujo trabalho é vender cobre a um determinado preço em um, dois ou dez anos. Esta contratação significa proteção, já que esta empresa terá o cobre a esse preço quando talvez no mercado seja mais caro ou mais barato. É um mecanismo especulativo onde se trabalho com uma enorme incerteza. Mas os mercados representam uma infinidade de outros mecanismos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cash - Por exemplo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GD - Há taxas de juros a curto e longo prazos, mas os níveis são diferentes. Por exemplo, no Brasil a taxa de juro é muito elevada. Os bancos pedem emprestado num país com taxa de juro baixa e emprestam em um país com taxa de juro elevada. O risco é cambial, porque a taxa de câmbio do real pode baixar e ter perdas de 30% do valor do investimento. É muito difícil controlar estes mecanismos financeiros e saber exatamente o que acontece. Não há sistema de controle, nem acompanhamento estatístico que possa informar o que irá acontecer. Mas esta é a base do atual sistema financeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cash - Entre estes mecanismos, que papel exerceu a “inovação financeira” nesta crise?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GD - O caráter insustentável da trajetória da economia dos Estados Unidos tinha que aparecer de certa maneira e isso aconteceu através de uma crise financeira, porque utilizaram o boom imobiliário para prolongar o crescimento econômico durante 4 ou 5 anos. A recessão de 2001 foi o ensaio geral da atual. Foi muito difícil para os norte-americanos sair dessa situação, que significou contração da atividade e crise das Bolsas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cash - E como conseguiram sair?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GD - Através da enorme queda da taxa de juro do Federal Reserve (FED) e da nova onda de investimentos na área de habitação através da titularização. Mas essa maneira de prolongar a sua trajetória positiva da economia também se tornou insustentável porque é impossível basear o crescimento de um país sobre o endividamento de casas que não podem pagar. Com uma particularidade: em 2006, mais da metade dos créditos “podres” foram vendidos ao resto do mundo. Alan Greenspan, quando era presidente do FED, dizia: “A titularização está muito bem porque dilui o risco. Os bancos não conservam os créditos podres, vendem-nos. Em particular exportam o risco ao Japão, à Europa”. Assim exportaram a sua crise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cash - O consumo das famílias é uma parte significativa dos ingressos dos Estados Unidos. Acredita que poderiam ter ensaiado políticas que apontariam este setor para sair desta crise?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GD - O problema não é de falta de demanda. Entre 2001 e 2007, o problema foi de excesso de demanda. No conjunto, os lares desse país gastam de forma desenfreada, ainda que seja um esquema heterogêneo, já que o poder de compra de 95% da população está estancado desde os anos 1970. Mas, considerando o conjunto das famílias, consomem mais do que ganham. Assim, a sua taxa de poupança é negativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cash - Calcula-se que o custo da crise até outubro foi de aproximadamente 4,5 bilhões de dólares, contando Estados Unidos, Europa, Japão e Canadá. É possível estimar qual será o montante desta crise?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GD - É difícil de calcular. Quando falamos do “custo”, falamos de fatores heterogêneos: emprestar dinheiro não é a mesma coisa que comprar uma empresa que se nacionaliza ou comprar uma dívida podre. Nacionalizar significa que o Tesouro pode comprar as ações de um banco a um valor baixo. É difícil saber quanto custará a solvência do sistema porque com os créditos se pode comprar, mas também inclui a modalidade do Plano Paulson (secretário do Tesouro) que era comprar os “créditos podres” dos bancos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cash - Aproximadamente 10 milhões de famílias perderão suas casas. O que iria acontecer caso tomassem medidas de ajuda a essas pessoas em vez de salvar os bancos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GD - Essa decisão deveria ter sido tomada mais cedo. Agora estamos numa situação de extrema urgência. Evitar uma crise como a do subprime era muito simples. Necessitava-se de uma decisão da Casa Branca, mas não o fez. Na França, o subprime não seria possível. Uma pessoa não pode pedir um crédito pelo qual tenha que pagar mais de 30% de seu ingresso mensal. Nos Estados Unidos, uma família paga até 80% de seu ingresso para reembolsar e pagar os juros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cash - Por que acredita que não se tomou essa decisão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GD - Porque assim ganharam um dinheiro incrível entre 2001 e 2006. A taxa de lucros dos bancos nesse período disparou completamente. A outra razão é que necessitavam desse aumento dos créditos da habitação para sair da crise de 2001. Greenspan ficou muito preocupado ao ver o aumento da taxa de juro do FED, mas as taxas dos créditos hipotecários não subiram. Era a primeira vez que isto acontecia. A explicação de Greenspan foi: “Eu aumento o custo do crédito aos bancos e estes não o repassam”. Porque podem pedir dinheiro emprestado ao resto do mundo e o resto do mundo está disponível para emprestar com uma taxa de juro menos elevada. E Greenspan descobriu que não podia controlar a taxa de juro dos créditos hipotecários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cash - Há certa preocupação com a possibilidade de que esta crise derive em protecionismo comercial. Acredita que alguns países irão recorrer a políticas deste tipo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GD - Depois desta crise, os Estados Unidos necessitam corrigir sua trajetória econômica. Isso significa sair de muitos aspectos do neoliberalismo. O protecionismo é uma questão, mas o problema é que o poder econômico norte-americano se baseia em suas empresas transacionais, que necessitam do livre comércio, da livre mobilidade do capital, ao passo que a trajetória da economia é incompatível com a livre mobilidade do capital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cash - E como resolvem essa incompatibilidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GD - Enganando. Por exemplo, o Exército norte-americano decide comprar aviões europeus, o governo diz que não. Ou se antes da crise a China queria comprar uma empresa de petróleo, o governo dizia: “Não. Segurança nacional”. Tudo isto antes da crise. Agora é diferente porque estão numa situação terrível e são mais flexíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cash - Fala-se da importante dívida externa dos Estados Unidos. No entanto, você disse que não se trata exatamente de uma dívida. Por quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GD - Não é uma dívida. A expressão correta é que o resto do mundo financia a economia norte-americana. Financiar significa ter ações, bônus do Tesouro. Esses títulos são uma dívida. Mas uma ação não é uma dívida. Mesmo que isto não muda o fato de que o resto do mundo tem um comportamento mais ou menos rentista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cash - Em que sentido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GD - Por exemplo, um banco central como o da China comprava bônus do Tesouro a uma taxa de juro de 5% ao ano. Mas, quando os Estados Unidos fazem inversões diretas em outros países conseguem taxas de rendimento de 15% ou 20%. O resto do mundo financiava a economia norte-americana de forma bastante barata em termos comparativos. Mas agora estamos entrando numa nova fase porque o resto do mundo quer entrar no coração do animal e também se beneficiar de rendimentos elevados. A China, por exemplo, vai usar seus dólares para fazer inversões ativas, não rentistas, entrando nas grandes entidades norte-americanas e com o mesmo tipo de rendimento no mundo. Isso é uma situação nova.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cash - Diz-se que a China financiará a crise de Wall Street pela quantidade de bônus do Tesouro que possui. Você acredita que a China pode desbancar os Estados Unidos de seu papel de maior potência mundial?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GD - Não estamos nessa situação, de forma alguma. A China desempenha um papel muito importante agora porque tem enormes reservas de divisas (dólares e euros) por seu superávit comercial, que não é outra coisa que o déficit comercial norte-americano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cash - O problema é que muitos países emergentes têm problemas de divisas. Quem poderia ajudá-los?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GD - O Fundo Monetário Internacional, mas seus recursos são muito limitados. Diz-se que a China deve emprestar dinheiro ao Fundo. A China responde: “Estamos de acordo, mas necessitamos de um novo sistema financeiro internacional”, no qual outras moedas, não apenas o dólar, exerçam um papel importante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cash - Antes desta crise você afirmou que a América Latina era a oportunidade para a mudança. Continua a pensar assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GD - Sim, porque provavelmente depois da crise tenhamos um processo de diferenciação em escala mundial. O mundo não é uniforme. Os Estados Unidos vão se recuperar de alguma maneira, a Europa talvez de outra e a China de maneira completamente diferente. A América Latina foi historicamente uma região de resistência e escolheu governos de esquerda. O problema é o que acontece com governos de esquerda. Por exemplo, o caso do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cash - Por que alude ao caso do Brasil?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GD - Porque a política do Brasil é 100% neoliberal. O caso da Argentina é particular porque, depois de uma década de loucura neoliberal, teve esta crise terrível de 2001 e saiu de forma bastante hábil. Na França, uma pessoa de esquerda bastante radical considera que os três países andinos - Venezuela, Equador e Bolívia - representam uma esperança, porque escolheram governos de esquerda que pensam na formação de um bloco. Provavelmente, o caso mais simples é o do Equador, porque é um governo muito sério com uma vontade nacional de recuperação dos recursos do país, de alcançar uma mudança social. E tem, de certa maneira, um grau de harmonia social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cash - E o caso da Bolívia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GD - É muito difícil. Muita gente na França pensa que a Bolívia está construindo o socialismo. Há um governo comprometido com uma mudança social, em recuperar seus recursos, desenvolver o país, ainda que com uma alta tensão social. E na Venezuela, o povo basicamente apóia Chávez, mas também há uma burguesia com uma relação muito difícil com o governo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cash - Isso dificulta a mudança?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GD - É um país com uma burocracia muito grande. O próprio Chávez tem muitas dificuldades para controlar essa burocracia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cash - A situação na região hoje é mais complexa do que há dois anos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GD - Exatamente. E a Argentina estava em situação de sair da crise e o fez de forma formidável. Não sair do neoliberalismo, mas acabar realmente com esta variedade louca do neoliberalismo. Para mim, a América Latina segue representando uma esperança. É um continente de tradição de luta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(IHU On-Line)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-2605211811889873265?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/2605211811889873265/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=2605211811889873265' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/2605211811889873265'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/2605211811889873265'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2009/01/economia-dos-estados-unidos.html' title='“A economia dos Estados Unidos é insustentável”'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-8980513996655109210</id><published>2009-01-09T11:14:00.000-08:00</published><updated>2009-01-09T11:15:16.453-08:00</updated><title type='text'>Mercado real com ofertas de bons investimentos em desenvolvimento</title><content type='html'>Wolfgang Kerler, da IPS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os empreendimentos da sociedade civil poderão encontrar potenciais investidores e compartilhar seus conhecimentos através da Bolsa de Valores de Desenvolvimento Humano Sul-Sul (SS-HDSX), que opera na Internet. Trata-se de um “mercado real que reúne ofertas de bons investimentos em desenvolvimento e gente que quer fazer investimentos sociais”, explicou à IPS Francisco Simplício, da Unidade Especial para a Cooperação Sul-Sul 9SU/SSC) do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comemorando o quinto Dia das Nações Unidas para a Cooperação Sul-Sul, nesta sexta-feira, o diretor da SU/SSC, Yiping Zhou, apresentou o projeto desta bolsa de valores esta semana na Organização das Nações Unidas. Até agora, constam de seu site (http://www.ss-hdsx.org) dois projetos de investimento. Com base em experiências da Índia, 50 mulheres do Sri Lanka serão capacitadas para fazer conservas de camarões e processamento de alimentos para permitir-lhes abrir pequenas empresas sustentáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O outro projeto pretende treinar especialistas do Quênia no Brasil, para que possam ajudar pelo menos cem jovens e adultos quenianos no estabelecimento de pequenas empresas que produzam roubas e artesanatos, artigos de papelaria e enfeites. Um programa semelhante teve ótimos resultados no Brasil. Para proporcionarem os US$ 32 mil necessários para o primeiro projeto e os US$ 45 mil para o segundo, os investidores podem comprar ações a US$ 25 cada uma. O que distingue estes investimentos das doações tradicionais é que os acionistas receberão atualizações regulares sobre o modo como seu dinheiro está sendo gasto e sobre seu impacto. Isso incentiva a responsabilidade das organizações beneficiarias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ao “dar o exemplo”, com disse Simplício, a SS-HDSX vence alguns obstáculos que costumam impedir uma cooperação mais profunda entre os países em desenvolvimento. Embora não escasseiem as redes que permitem identificar melhores práticas e inovações para o desenvolvimento, faltam mecanismos que facilitem a transferência real de conhecimento ou tecnologia de um país do Sul para outro. Portanto, os atores no setor observaram os instrumentos que a economia de mercado tinha para oferecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com as bolsas de valores sociais “estamos recolhendo os melhores conceitos do sistema capitalista, com governabilidade e transparência, próprias de uma bolsa de valores”, disse Celso Grecco à IPS. Em 2003, Grecco criou no Brasil a primeira bolsa desse tipo no mundo. “Mas estamos nos livrando das piores partes do sistema: os que querem amassar muito dinheiro em pouco tempo”, acrescentou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As experiências do Brasil, e também de outros mercados de investimentos sociais na África do Sul, Índia, China e Estados Unidos, mostraram que estas iniciativas tornam mais acessível o capital para as comunidades pobres do Sul. Os projetos de desenvolvimento humano ganham uma visibilidade maior e os custos das relações com os investidores são reduzidos. Com uma seleção competente e supervisão dos projetos apoiados, os investimentos em uma bolsa de valores sociais também são mais atraentes do que as doações tradicionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os doadores menores e não tradicionais podem adquirir ações mais facilmente nos projetos de desenvolvimento “E seus investimentos realmente redundam em uma sociedade melhor”, disse Grecco. No Brasil, 81 dos 104 projetos de desenvolvimento listados foram plenamente financiados através da bolsa de valores sociais desde 2003, com financiamento total de US$ 7,5 milhões. A SS-0HDSX é a primeira tentativa de criar um mercado de valores sociais em nível planetário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Yuvan A. Beejadhur, representante do Banco Mundial presente no lançamento da SS-HDSX, também enfatizou a importância da cooperação Sul-Sul e do compromisso do Banco em promovê-la ainda mais. Mas, não confirmou que a instituição irá se associar com o Pnud na SS-HDS. “A questão-chave que falta ver é quais implicações terão essas iniciativas para as operações de nosso banco”, disse Beejadhur à IPS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Simplício afirmou à IPS que vê o “trabalho verticalista” do Banco Mundial como um complemento necessário para o novo enfoque “que promove o desenvolvimento de baixo para cima”. Por sua vez, Zhou, do Pnud, concluiu dizendo que a SS-HDSX “poderá ser um motivo para esperar uma nova plataforma de desenvolvimento iunclusivo para o Sul global. Mas, deve comprometer a participação ativa do setor público, privado e não-governamental”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Envolverde/IPS)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-8980513996655109210?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/8980513996655109210/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=8980513996655109210' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/8980513996655109210'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/8980513996655109210'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2009/01/mercado-real-com-ofertas-de-bons.html' title='Mercado real com ofertas de bons investimentos em desenvolvimento'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-5681567120745893332</id><published>2009-01-09T11:12:00.000-08:00</published><updated>2009-01-09T11:14:13.538-08:00</updated><title type='text'>O fracasso da última tentativa para combater paraísos fiscais</title><content type='html'>Julio Godoy, da IPS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A última tentativa internacional para combater os paraísos fiscais foi um fracasso. Cerca de 200 especialistas em finanças internacionais se reuniram no mês passado em Montecarlo para estudar regras mais duras contra a evasão fiscal. Esta cidade fica no principado de Mônaco, sul da França, um dos mais famosos paraísos fiscais da Europa. “Discutimos a evasão no coração geográfico do problema”, disse à IPS um dos especialistas franceses que participou da conferência. “Mônaco tem uma imagem muito ruim, inclusive na comunidade financeira internacional”, acrescentou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mônaco, Andorra e Liechtenstein são os últimos paraísos fiscais europeus acusados de não aplicar as normas voluntárias de transparência financeira e intercâmbio de informação da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos (OCDE), que tem entre seus 30 membros todas as economias do Norte rico. Mas, a reunião em Montecarlo, organizada pelo Grupo de Ação Financeira da OCDE, pelo menos demonstrou que a luta contra a evasão fiscal voltou a constar da agenda internacional. A OCDE e seu Grupo de Ação Financeira travam desde o começo da década de 90 uma batalha contra os paraísos fiscais, refúgio de fundos especulativos e procedentes de atividades criminosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um paraíso fiscal é um território - Estado ou jurisdição dentro de um Estado - onde os impostos são baixos ou não existem. Isso é um convite para pessoas endinheiradas ou empresas depositarem ali seus haveres, com a finalidade de escapar dos impostos em seus países. Sempre são centros de lavagem de dinheiro, porque são feitas poucas perguntas aos depositantes sobre a origem ou o destino do dinheiro. Os esforços da OCDE e do Grupo de ação Financeira foram infrutíferos. Estes são “os tempos econômicos mais difíceis que enfrentamos em muitas décadas”, disse em outubro, em uma conferência na sede da OCDE em Paris, o diretor-geral da organização, Angel Gurría.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa reunião, proposta por Alemanha e França, países que com mais afinco promovem o controle ou fechamento dos paraísos fiscais, aconteceu para analisar o regate de instituições financeiras afetadas pela crise, muitas delas por causa de suas atividades especulativas. “Acordamos emprestar dinheiro aos bancos para resgatá-los da quebra, mas ao mesmo tempo eles não poderão continuar trabalhando com paraísos fiscais”, os quais deveriam ser fechados, disse o presidente francês, Nicolas Sarkozy. Gurría calculou que os paraísos fiscais em todo o mundo têm em seus cofres US$ 7 trilhões. “Muitas nações nos últimos três anos reforçaram suas leis contra a evasão”, acrescentou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas alguns números sugerem o contrário. A rede Tax Justice Network, com sede em Londres, estimou que são US$11 trilhões que, para não pagar impostos em seu lugar de origem, estão escondidos em países europeus como Liechtenstein, Mônaco e Suíça e outros paraísos fiscais de todo o mundo. Há oito anos, o Fundo Monetário Internacional calculou que havia em depósitos nos paraísos fiscais um trilhão de dólares. Portanto, o fluxo para suas instituições aumentou significativamente. Mas a última edição da “lista negra” de paraísos fiscais “que não colaboram”, elaborada pelo Grupo de Ação Financeira da OCDE e que data de 2006, está em branco. Porém, em 2005 incluía 15 países, jurisdições e territórios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gurría informou que neste ano a lista contará com três países: Andorra, Liechtenstein e Mônaco. Muitos especialistas acreditam que este tipo de listagem não tem nenhum sentido, pois há milhares de contas bancárias secretas operadas através de paraísos fiscais e os esforços renovados de regulamentação parecem destinados ao fracasso. “Naturalmente, aplaudo o regresso da lista, mas, ainda sou pessimista”, disse à IPS o especialista francês em paraísos fiscais Jean Merckaert. A luta tem um atraso de 15 anos, pelo menos, assegurou. “Após mais de 10 anos durante os quais houve muito debate sobre luta contra a evasão, devemos admitir que nada mudou”, ressaltou Merckaert.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A suposta cooperação financeira internacional na matéria é meramente retórica, prosseguiu o especialista francês, afirmando que “para um paraíso fiscal deixar de constar da lista do Grupo de Ação Financeira é suficiente assinar um acordo de cooperação”. Países da União Européia, como a Alemanha, lançaram campanhas contra os cidadãos que cometem evasão fiscal através de contas secretas em outros países do bloco. Na reunião do Grupo de Ação Financeira o príncipe Albert, de Mônaco, negou que seu país seja um paraíso fiscal. “Sei que Mônaco deve ter uma conduta irreprovável em suas atividades financeiras”, assegurou, mas, atrair credibilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Mônaco continua sendo um buraco negro da globalização financeira”, disse o juiz francês Renaud Van Ruymbeke, que fez numerosas investigações sobre crimes do colarinho branco, entrevistado pelo jornal Le Monde, de Paris. “Me surpreende que nossos líderes políticos acabem de descobrir agora os centros financeiros off-shore”, ironizou o magistrado. “Com muitos colegas, os denunciamos em 1996 ao lançar o Chamado de Genebra, no qual alertávamos que os paraísos fiscais também são paraísos para os criminosos”, explicou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Envolverde/IPS)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-5681567120745893332?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/5681567120745893332/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=5681567120745893332' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/5681567120745893332'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/5681567120745893332'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2009/01/o-fracasso-da-ltima-tentativa-para.html' title='O fracasso da última tentativa para combater paraísos fiscais'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-2303182354748283188</id><published>2009-01-09T11:11:00.000-08:00</published><updated>2009-01-09T11:12:43.705-08:00</updated><title type='text'>Comunicação e governança do risco fazem parte de um debate necessário</title><content type='html'>Gabriela Marques Di Giulio, Bernardino Ribeiro de Figueiredo e Lúcia da Costa Ferreira*, para a revista Com Ciência&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A complexidade dos problemas e riscos enfrentados pela sociedade, geralmente caracterizados por fatos incertos, controvérsias, decisões urgentes e apostas elevadas, e as incertezas científicas inerentes ao conhecimento científico, às substâncias químicas e às questões ambientais têm levado pesquisadores, governantes e representantes de órgãos governamentais a refletirem sobre a necessidade de colocar em prática uma nova abordagem no enfrentamento dos riscos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa nova abordagem deve levar em conta que o risco vai além de uma situação ou evento onde algo de valor humano (inclusive a vida humana) está em jogo e onde o resultado é incerto. Como é observado e mensurado dentro de um contexto, o risco e as respostas a uma situação de risco devem ser entendidos como construções sociais, já que interagem com processos psicológicos, sociais, institucionais e culturais. Os riscos são parte da experiência cotidiana e, por isso mesmo, todos os atores envolvidos podem reivindicar legitimamente a sua autoridade na definição e solução dos problemas identificados. É preciso, assim, prever a necessidade do diálogo com aquelas pessoas que vivenciam de fato os riscos que favoreça a sua participação e influência na definição dos assuntos a serem discutidos e nas decisões a serem tomadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse diálogo tem de ser permeado pela premissa de que o conhecimento leigo não é irracional e que julgamentos de valor e influências subjetivas estão presentes em todas as fases do processo de gestão de riscos, dividindo também os peritos. É preciso lembrar que para problemas complexos - como aqueles que caracterizam as situações de risco - há mais de uma solução técnica e que a opção entre elas, longe de ser exclusivamente técnica, é também política, social, cultural ou econômica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desafio lançado, como propõe a socióloga Júlia Guivant, está diretamente relacionado com a percepção de que as controvérsias sociotécnicas, comuns em situações de risco, devem ser vistas como oportunidades para explorar alternativas possíveis e que o interesse coletivo é produto de negociações, conflitos sociais e alianças. Está relacionado também com a prática de uma comunicação de risco que não se limite ao modelo do déficit de conhecimento, no qual os peritos comunicam os conhecimentos e suas “verdades científicas” para os leigos para evitar que estes permaneçam na ignorância e irracionalidade. Ao contrário, o enfrentamento dos riscos exige um exercício de comunicação que envolva orientações e ferramentas estratégicas para que cientistas, governantes, técnicos e comunicadores saibam como construir uma atmosfera de confiança com todos os atores sociais envolvidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O interesse pela comunicação de risco vem crescendo nos últimos anos e é resultado do debate que tem ocorrido nas sociedades sobre abertura do processo decisório, justiça, confiança, participação pública e democracia; temas que têm tido papel central no desenvolvimento das agendas de pesquisa e política. É resultado também da consciência de que é possível lidar de forma mais eficaz com as respostas públicas dadas ao risco se, às pessoas afetadas pelas decisões sobre riscos, é dada a oportunidade de participarem efetivamente do processo decisório, ensejando assim um processo analítico e deliberativo, no qual os efeitos da amplificação do risco são incluídos como um elemento importante nas decisões que são discutidas e tomadas. Entende-se por amplificação social do risco o fenômeno pelo qual os processos de informação, as estruturas institucionais, o comportamento do grupo social e as respostas individuais dão forma à experiência social do risco, contribuindo para suas conseqüências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A comunicação de risco ganhou força e passou a ser considerada como algo importante na avaliação e gerenciamento do risco com o acidente de Chernobyl, ocorrido em 1986 na Ucrânia. O acidente evidenciou o despreparo das autoridades e organizações responsáveis pela segurança no enfrentamento de situações de risco e a dificuldade que os pesquisadores, sobretudo, têm em comunicar informação técnica sobre riscos ou sobre falhas nas estimativas de riscos e de abrir um diálogo com o chamado público leigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os principais objetivos da comunicação de risco é possível destacar a promoção de um diálogo sensível às necessidades da comunidade que vivencia situações de riscos, o estabelecimento de uma relação de confiança entre comunidade, pesquisadores e autoridades e a integração do público no processo de gerenciamento do risco (promovendo, assim, a chamada governança do risco).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar do avanço no debate e do reconhecimento da importância desse processo comunicativo, o tema ainda é pouco abordado em estudos científicos. Na prática, o enfrentamento dos riscos ambientais, tecnológicos e de saúde mostra que as autoridades responsáveis enfrentam dificuldades no que concerne à comunicação, haja vista as situações de catástrofes naturais recentes, como o tsunami registrado no continente asiático em 2005; os impactos advindos com as mudanças climáticas, retratados no último relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), divulgado no primeiro semestre de 2007; e os casos de doenças infecciosas, como a recente gripe aviária, que tem demandado maior atenção dos órgãos responsáveis pela vigilância sanitária. São situações que evidenciam a falta de estratégias para lidar com os riscos que se apresentam, a ausência de um planejamento sobre como comunicar as informações para a comunidade local e para a mídia e o uso de uma abordagem de gerenciamento de risco ainda muito técnica, desconsiderando a necessidade de obtenção de input do público antes que sejam tomadas decisões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo em situações nas quais a comunicação de risco tem sido considerada como parte integrante do processo de avaliação e gestão do risco, os esforços não têm obtido grande sucesso porque falham em considerar e relacionar os diversos fatores psicológicos, sociais e políticos que estão envolvidos nas percepções e atitudes das pessoas. Esses fatores - familiaridade, controle, potencial catastrófico, equidade, nível de conhecimento, cultura, crenças, justiça, moral, participação dos interessados, legitimidade das instituições - são determinantes na superestimação ou subestimação de determinados riscos, assim como a forma como os meios de comunicação divulgam determinados riscos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Considerar, assim, a dimensão social e a questão da subjetividade no gerenciamento do risco é fundamental para a abertura do diálogo e para a conquista da participação pública no processo decisório. O paradigma clássico da avaliação e gestão do risco ambiental - que inclui estimativas numéricas que relacionam a intensidade da poluição a potenciais riscos e medidas para reduzir as ameaças de risco à vida, à propriedade e ao ambiente - apresenta diversas deficiências. A principal delas é não levar em conta como as populações percebem e convivem com tais riscos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Governança de risco &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A discussão sobre comunicação de risco enseja a abordagem de um outro tema - governança do risco. Entende-se por governança um novo arranjo institucional no qual o processo decisório é coletivo, envolvendo atores governamentais e não governamentais. Na governança do risco, a forma como as informações são coletadas, analisadas e comunicadas estão no centro da atenção, assim como a idéia de que o conhecimento leigo não é irracional e de que os julgamentos de valor estão presentes em todas as fases do processo de avaliação e gestão de risco, por parte dos especialistas e do público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar das críticas quanto ao emprego da palavra governança (com diferentes significados e usada para diferentes situações), o termo governança do risco é adotado com base na idéia de um processo decisório democrático e participativo relacionado ao gerenciamento do risco, entendendo participação como o compartilhamento do poder decisório do Estado em relação às questões de interesse público e como condição necessária para assegurar que as instituições governamentais atuem de forma responsável perante seus cidadãos, criando possibilidades para que indivíduos e grupos influenciem as decisões que os afetam (promovendo assim competência e capacidade para isso) e contribuindo para a estabilidade do sistema democrático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em situações de risco, a prática de um processo decisório mais aberto e participativo, que inclua de fato as percepções, necessidades e interesses das comunidades afetadas, tem-se mostrado cada vez mais relevante. As justificativas estão embasadas na premissa de que, quanto mais envolvida estiver uma comunidade no processo decisório, maior será a possibilidade de preservação do ambiente local, maior é a possibilidade de induzir o público geral a agir individualmente ou coletivamente para reduzir o risco e maiores serão as chances de evitar que uma determinada comunidade ou local sejam estigmatizados em decorrência dos riscos que enfrenta. Os pesquisadores James Flynn e Paul Paul, autores do artigo “Avaliações dos peritos e do público acerca dos riscos tecnológicos” (referência abaixo), reconhecem que, no nível prático, o envolvimento do público pode melhorar a relevância e a qualidade das análises técnicas e, sobretudo, pode aumentar a legitimidade e a aceitação pública das decisões finais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A participação de uma comunidade na discussão dos seus problemas e na elaboração de possíveis ações também tem implicação direta no desenvolvimento de potenciais democráticos. Mesmo que os desejos e aspirações dessa comunidade não sejam plenamente alcançados no enfrentamento do risco, o fato de algumas pessoas se envolverem, participarem do debate e se unirem em modelos associativos a partir de um projeto político em comum, por si só, já é um ganho. Representa a chance de desenvolver, naquela comunidade, capacidades pessoais de análise e argumentação, o exercício de deliberação, a tolerância e a solidariedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa participação pode acontecer através de exercícios de consulta aos cidadãos (consulta pública, debate público e uso de grupos focais para definição de políticas públicas), avaliação participativa de tecnologias (com as conferências de consenso ou de cidadãos, fóruns de discussão e júri de cidadãos), desenvolvimento participativo de tecnologias, investigação participativa, entre outros. Essas formas de participação, como observa o pesquisador português Boaventura de Souza Santos, da Universidade de Coimbra, podem aparecer em versões que reforcem os modos hegemônicos de conhecimento e de exercício do poder político, organizadas de “cima para baixo”. Mas podem surgir também sob formas contra-hegemônicas, organizadas de “baixo para cima” com critérios mais amplos de inclusão. De todo modo, para que o enfrentamento do risco seja participativo e democrático é importante que os grupos cujos interesses são afetados e estão em pauta estejam bem representados nos processos decisórios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No enfrentamento dos riscos, a participação dos cidadãos mais do que um direito é uma necessidade. Como são agentes conhecedores (porque convivem com os riscos e enfrentam as diversas conseqüências advindas deles), esses indivíduos são capazes de discutir os problemas e de lutar para que o poder de pensamento e ação para definir o que será feito para resolver ou mitigar os problemas que vivenciam não fique apenas nas mãos dos stakeholders da ciência, da política e da economia. Para isso, a prática de uma comunicação de risco que, de fato, considere os elementos sociais, culturais e econômicos envolvidos, parta do pressuposto de que aquelas pessoas afetadas pelas decisões devem estar envolvidas no processo de sugestões e escolhas de alternativas e instaure uma estratégia aberta e coletiva de produção de conhecimento é fundamental. É preciso, como lembra o pesquisador Boaventura de Souza Santos, construir uma rede de intervenção, na qual todas as formas de conhecimento - técnico, leigo, tradicional, local - possam construtivamente participar em função da sua relevância para a situação em causa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Breve comentário sobre a experiência internacional no tema &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos Estados Unidos, em situações de risco relacionadas à contaminação ambiental e exposição humana a substâncias perigosas, a prática da comunicação de risco é motivada e, geralmente, ocorre como resultado das leis e regulamentações existentes. Exemplo disso é a lei federal conhecida como Cercla (abreviatura em inglês de Comprehensive Environmental Response, Compensation and Liability Act), que criou a taxa do Superfund para ser usada para investigar e limpar sítios com resíduos perigosos abandonados ou sem controle. A lei requer, dentro dos procedimentos de avaliação de risco, que as relações com a comunidade sejam levadas em conta. Na prática, há a necessidade de haver um plano de relações com a comunidade que incorpore a obtenção de informação sobre o lugar, os interesses dos moradores em relação às ações de remediação, suas crenças e preocupações sobre o local onde vivem e métodos de comunicação que serão usados para envolver o público no processo de recuperação da área.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Europa, embora os países respondam de maneira particular aos diversos aspectos e gestão de áreas contaminadas, há uma concordância em alguns princípios fundamentais, como o princípio do poluidor pagador, e há também um direcionamento para a promoção de um debate mais aberto que, de fato, dê maior atenção aos conhecimentos tidos como tradicionais e às experiências locais. Países como o Reino Unido e a França já contam com legislação que estabelece como necessária a obtenção de input do público antes que sejam tomadas decisões em áreas de incertezas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Brasil, entretanto, apesar de possuir uma ampla legislação em aspectos ambientais, esta, muita vezes, não é levada a termo. Sobre áreas contaminadas especificamente, o país não tem desenvolvido uma legislação específica, recorrendo a normas legais que indiretamente estão regulando a gestão de sítios contaminados por resíduos perigosos. No caso de resíduos perigosos à saúde humana, o Ministério da Saúde aplica, desde 2002, a metodologia de avaliação de risco da Agência de Registro de Substâncias Tóxicas e Controle de Doenças (ATSDR, na sigla em inglês).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A metodologia da ATSDR inclui avaliação da informação do local, respostas às preocupações da comunidade, seleção dos contaminantes de interesse, identificação e avaliação das rotas de exposição, caracterização das implicações para a saúde e conclusões e recomendações. Segundo documento do Ministério da Saúde, ao término do estudo de avaliação de risco a equipe de investigadores, seguindo a metodologia, deve fazer uma reunião com a população, com o objetivo de transmitir todo o conteúdo dos estudos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso da avaliação de risco de contaminantes ambientais, a referência no Brasil são os procedimentos adotados e divulgados pela Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental (Cetesb) do estado de São Paulo. A Cetesb foi o primeiro órgão ambiental a introduzir o tema da avaliação de riscos em nível nacional e o primeiro a criar uma unidade específica para tratar do assunto. O interesse pela avaliação de risco foi motivado pelo acidente em Cubatão, em 1984. A partir daí, a Cetesb passou a incorporar estudos de análise de riscos no processo de licenciamento ambiental, visando a prevenção de grandes acidentes e, em 1990, editou o Manual de Orientação para Elaboração de Estudos de Análise de Riscos, que passou por duas revisões, em 1994 e em 2000. Apesar da relevância das orientações da Cetesb quanto à prática da avaliação e gerenciamento de risco, observa-se que no Brasil a discussão sobre comunicação de risco e sobre a necessidade de envolver a comunidade, em situações de risco ambiental, ainda é escassa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gabriela Marques Di Giulio é jornalista e mestre em política científica e tecnológica e é doutoranda em ambiente e sociedade, ambos pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bernardino Ribeiro Figueiredo é geólogo e coordenador do Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais (Nepam) da Unicamp. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lúcia da Costa Ferreira é ecóloga, doutora em ciências sociais e pesquisadora do Nepam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para saber mais: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Brasil. 2006. Diretrizes para elaboração de estudo de avaliação de risco à saúde humana por exposição a contaminantes químicos. http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/diretrizes_%20avaliacao_%20de_%20risco.pdf &lt;br /&gt;- Flynn, J. &amp; Slovic, P. 2000. “Avaliações dos peritos e do público acerca dos riscos tecnológicos”. In: Gonçalves, M.E. (org). Cultura científica e participação pública. Celta Editora, Oeiras, p. 109-128.&lt;br /&gt;- Guivant, J.S. 2004. A governança dos riscos e os desafios para a redefinição da arena pública do Brasil. In: Ciência, tecnologia + sociedade. Novos modelos de governança. Brasília, 06 a 11 de dezembro. http://www.nisra.ufsc.br/pdf/A%20governa%5B1%5D…pdf&lt;br /&gt;- Kasperson, R. et al. 2005. “The social amplification of risk: a conceptual framework”. In: Kasperson, J. &amp; Kasperson, R.. The social contours of risk: publics, risk communication and the social amplification of risk. London: Earthscan. p. 99-114.&lt;br /&gt;- Santos, B.S.(org). 2005. Semear outras soluções - os caminhos da biodiversidade e dos conhecimentos rivais. Civilização Brasileira, Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Publicado originalmente pela revista Com Ciência)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-2303182354748283188?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/2303182354748283188/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=2303182354748283188' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/2303182354748283188'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/2303182354748283188'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2009/01/comunicao-e-governana-do-risco-fazem.html' title='Comunicação e governança do risco fazem parte de um debate necessário'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-3607835241783480095</id><published>2009-01-09T11:07:00.000-08:00</published><updated>2009-01-09T11:10:53.229-08:00</updated><title type='text'>A boa, necessária e sustentável conversa</title><content type='html'>Bernadete Almeida*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O espaço que os temas sustentabilidade e responsabilidade social têm ocupado na mídia , na agenda estratégica das empresas e nas escolas de negócio tem permitido o resgate de alguns conceitos , entre eles, o de diálogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falar de diálogo é falar de relação, de interação entre diferentes entes sociais, a partir de perspectivas diversas, mas num espaço - geográfico, virtual e institucional - comum. No dito “mundo corporativo”, este conceito tem remetido, usualmente, à noção de engajamento de partes interessadas, entendida como a ação deliberada e necessária das empresas de se relacionarem, de maneira contínua, intencional e conseqüente com os vários segmentos da sociedade que afetam , são ou se sentam afetados pelas suas atividades. E ainda, considerando, em maior ou menor grau, a perspectiva destes grupos na condução de suas atividades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, não dá para falar em gestão responsável e sustentável - conceito menos desgastado do que a Responsabilidade Social Corporativa, prestes a ser alçada à panacéia da hora, tal o uso indiscriminado do termo - sem falar em responsabilidade e sustentabilidade nas e das relações . E não há relação responsável, conseqüente e sustentável sem uma boa conversa, literalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, afinal , em que consiste uma boa conversa? Em se tratando das corporações - privadas ou não - que atributos acreditamos que o diálogo social deva ter?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira variável , absolutamente determinante, diz respeito às atividades das empresas e o quanto estas impactam - positiva e negativamente - os territórios onde elas atuam. Em segmentos onde as operações se dão por meio de forte ancoragem territorial , gerando intervenções - inclusive, físicas - significativas , como é o caso da siderurgia, papel e celulose e da mineração, para ficarmos em apenas alguns exemplos, emergem as comunidades vizinhas às unidades de produção como um dos atores mais estratégicos e sensíveis do processo de diálogo social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa visão que preconiza a sustentabilidade das relações e negócios, a dimensão dialógica , no entanto, não se dá isoladamente, mas integrada a outras duas variáveis: a gestão dos impactos e o investimento social, determinando também o contexto onde a relação entre empresa e comunidades se estabelece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As empresas gerenciam adequadamente os impactos - negativos e positivos - decorrentes de sua operação quando previnem, minimizam , mitigam e compensam danos, sejam eles de natureza ambiental ou social, mas também quando potencializam os efeitos benéficos de um empreendimento uma dada região, como quando desenvolvem mão de obra e fornecedores locais, por exemplo. Quanto ao investimento social privado , o que for relevante e necessário para as comunidades, assim como estratégico para a empresa, é o que tenderá a gerar transformação e desenvolvimento local, de fato e que se perpetua no tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste sentido, é importante observarmos que estas variáveis se articulam , de modo que o diálogo social , por exemplo, pode e deve evidenciar junto à comunidade o gerenciamento dos impactos - este precisa ser feito e comunicado - assim como o investimento social deveria ser , idealmente, precedido do engajamento não só do poder público, mas de outros segmentos representativos da comunidade, de modo a ser apropriado, pela comunidade, que passa a se perceber como co-partícipe e co-responsável pelo êxito das ações decorrentes do mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No sentido inverso, não há diálogo social que contorne ou minimize tensões no médio e longo prazos se as questões que são caras à comunidade - especialmente as decorrentes de impactos gerados - não são devidamente encaminhadas e tratadas pelas empresas. Relação é fala e gesto. E no contexto da Gestão responsável não seria diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cabe resgatar aqui, mais um conceito central: o de empatia, que é a capacidade de se colocar no lugar do outro. Quanto maiores e mais complexas forem as organizações, mais este será um desafio: as organizações definem seus valores , mas deverão entendê-los menos na sua dimensão absoluta e mais na articulação com os valores do “outro” , seja este outro o representante da combativa ONG, o líder da comunidade tradicional vizinha à operação ou o editor do principal jornal da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por fim, cabe aqui uma distinção necessária entre as perspectivas mediática e dialógica da comunicação com comunidades. Há que se preconizar o esforço em direção a uma abordagem mais relacional e menos instrumental. Projetos em rádios AM, sim, mas sem abrir mão dos canais de comunicação direta. “Espetáculos mobilizadores” e abordagens segmentadas, ambos devem ter seu espaço garantido. Comunicação de mão única, de mão dupla e painéis intersetoriais, interação e interatividade … mas, sobretudo, tenhamos em mente, o objetivo de se resgatar , por meio do diálogo social, a humanidade e singularidade que tão bem distinguem , desde os primórdios, a comunicação como ato e processo.&lt;br /&gt;* Bernadete Almeida integra o grupo de colunistas fixos de Plurale. É jornalista (PUC-Rio), especialista em Comunicação Integrada e em Gestão Estratégica da Responsabilidade Social Corporativa, com larga experiência na condução de processos de Diálogo Social e engajamento de partes interessadas. Atuou como gestora na área de Comunicação na Vale, é consultora, professora da Universidade Cândido Mendes e da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM-Rio).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Plurale)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-3607835241783480095?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/3607835241783480095/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=3607835241783480095' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/3607835241783480095'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/3607835241783480095'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2009/01/boa-necessria-e-sustentvel-conversa.html' title='A boa, necessária e sustentável conversa'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-2786659814957703920</id><published>2009-01-09T11:05:00.000-08:00</published><updated>2009-01-09T11:07:30.471-08:00</updated><title type='text'>As crises ensinam muito, principalmente a prestar atenção aos sinais</title><content type='html'>Graziela Wolfart e Patricia Fachin, do IHU On-Line&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não basta mudar, tem que mudar rápido. E, para isso, é preciso muito dinheiro, muito financiamento, crédito, é preciso movimentar o capital na direção do mundo com menos carbono. E não apenas isso. O mundo deve estar preparado para o pior.” O alerta é do jornalista André Trigueiro, em entrevista concedida por telefone à IHU On-Line, ao refletir sobre as crises ecológica e financeira que assolam o Planeta. Precisamos ter, segundo ele, dois movimentos: “redução das emissões do setor de energia, petróleo, carvão e gás, manejo adequado do lixo e políticas de proteção de fl orestas; e uma grande política de pesquisa que revele quais os impactos inevitáveis e, em função deles, quais as providências que as autoridades devem tomar agora, porque não adianta esperar acontecer o pior para fazer o que se deve. É preciso ter responsabilidade”. Trigueiro identifica na sociedade uma dificuldade de assumir novas posturas e de “perceber que o século XXI está trazendo demandas importantes, graves, que exigem de gestores públicos, privados e do cidadão a devida atenção, porque são escolhas que precisamos fazer rápido. Estamos promovendo uma escalada de depredação dos recursos naturais que tem custado caro, estamos fazendo do Planeta um lugar hostil”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;André Trigueiro é jornalista, pós-graduado em Gestão Ambiental pela COOPE/UFRJ e professor do curso de Jornalismo Ambiental da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Na Globo News, apresenta o programa “Cidades e soluções”, tratando da questão do meio ambiente. É autor de Mundo sustentável (São Paulo: Globo, 2005).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IHU On-Line - Que relações o senhor estabelece entre a crise financeira internacional e a crise ambiental em nosso Planeta? Como entender que as reservas energéticas não detêm poder de barganha nas negociações financeiras?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;André Trigueiro - Em primeiro lugar, a crise financeira revela um movimento não sustentável de acumulação de capital que foi gerido com a única intenção de promover maximização de lucro no menor intervalo de tempo possível. Como se sabe, isso resultou numa bolha especulativa, que acabou determinando uma crise financeira com repercussões graves na economia global. Esse é o resumo da ópera dessa crise. Quando observo o movimento de socorro dos bancos centrais do mundo e dos governos na direção das instituições em situação precária e o esforço global para promover o crédito e o fi nanciamento, me impressiono com o volume sem precedentes de recursos rapidamente disponibilizados para esse fim. E faço a constatação dura, vexatória, de que esse volume de recursos supera, em muito, a quantidade de dinheiro estimada pelo ex-economista chefe do banco mundial, Nicholas Stern, que sugeriu, no relatório lançado em outubro de 2006, que o mundo destinasse 1% do PIB para inovação tecnológica e para investimentos em energia limpa e renovável. Tudo para que nós, num prazo de 30 a 40 anos, conseguíssemos reduzir, ao máximo, os efeitos mais desastrosos do aquecimento global. Stern reviu a conta e disse que deveria, na verdade, ser o dobro, ou seja, 2% do PIB global. O que vimos nas últimas semanas supera em muito essa projeção. Quando há vontade política, foco e determinação, a humanidade resolve problemas, consegue canalizar recursos na direção que lhe interessa. Por um lado, acho positiva a capacidade de articulação de diferentes países tentando reduzir estragos causados pela crise fi nanceira, mas, por outro, percebo, de forma perplexa, que um assunto que já deveria estar inspirando cuidados extremos não mobilizou com a mesmo intensidade a comunidade internacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IHU On-Line - Quais os principais problemas socioeconômicos que o senhor aponta como conseqüência das mudanças climáticas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;André Trigueiro - São vários. O primeiro deles é que, se nada for feito, se continuarmos agindo de forma leniente e irresponsável na gestão desta crise climática, o cenário previsto é o de economias desvalidas, como a da época do crack de 1929 ou das duas grandes guerras mundiais, ou seja, cenário de terra arrasada. Acompanhamos uma mudança grave na fertilidade de certas áreas do Planeta, na capacidade de produzir grãos, num cenário difícil de indisponibilidade do solo para certas culturas e isso num mundo em que a população cresce (esse ano serão mais 73 milhões de pessoas). O aquecimento global entra agravando esse cenário. Outro problema é o do refugiado ambiental. Segundo a previsão do IPCC, extensas áreas do Planeta, principalmente aquelas onde a população se concentra no litoral dos países, se tornarão indisponíveis para moradia, e os países mais pobres irão sofrer as conseqüências mais devastadoras. Qualquer elevação de um centímetro no nível do mar significa um avanço de água salgada em grandes extensões de terra, causando outros problemas, como, por exemplo, a indisponibilidade de água doce para abastecimento, pois os mananciais ficam comprometidos. Então, temos um efeito cascata, danoso, nesse sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A temperatura dos oceanos e as chuvas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma outra questão é que a elevação da temperatura média dos oceanos provoca a morte dos corais e isso tem um forte abalo sobre os ecossistemas marinhos. Além disso, alguns estudos indicam que certos fenômenos climáticos, como esse temporal atípico que castiga Santa Catarina, teriam também alguma relação com uma pequena elevação da temperatura média dos oceanos nessa época do ano. Outra conseqüência grave é a mudança do ciclo da chuva. Temos a difi culdade de conseguir mapear com um mínimo de precisão o comportamento da chuva. Nas áreas onde era comum chover muito no verão, não há mais essa expectativa. No Brasil, as áreas mais castigadas com a mudança radical do clima serão a Amazônia e o semi-árido nordestino. Este deixaria de ser “semi” e passaria a ser uma área desértica, árida, aumentando a dúvida sobre a pertinência de construir um sistema de transporte de água do Rio São Francisco. Isso precisa ser analisado com mais atenção. E, na Amazônia, a confi guração da floresta deverá passar para uma configuração de savana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Geleiras e aumento do nível do mar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O degelo ocorre hoje com maior velocidade do que as próprias previsões do IPCC, surpreendendo os cientistas. Alguns cálculos estão sendo refeitos no sentido de testar a modelagem usada para previsões. O que estava previsto para acontecer mais na frente pode acontecer um pouco antes. Uma reengenharia política será necessária, e a eleição de Barack Obama sinaliza um futuro interessante nesse sentido, que é o de agirmos com maior agilidade e presteza. Não basta mudar, tem que mudar rápido. E, para isso, é preciso muito dinheiro, muito fi nanciamento, crédito, é preciso movimentar o capital na direção do mundo com menos carbono. E não apenas isso. O mundo deve estar preparado para o pior. Não basta reduzir emissões de carbono. Devemos ter, basicamente, dois movimentos: redução das emissões do setor de energia, petróleo, carvão e gás, manejo adequado do lixo e políticas de proteção de florestas; e uma grande política de pesquisa que revele quais os impactos inevitáveis e, em função deles, quais as providências que as autoridades devem tomar agora, porque não adianta esperar acontecer o pior para fazer o que deve. É necessário ter responsabilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IHU On-Line - Podemos dizer que o Brasil possui um trunfo nesse momento de crise financeira internacional em relação às suas fontes de energia renováveis/limpas? O país pode se beneficiar com ambas as crises, considerando os recursos naturais que dispõe? O senhor acredita que o Brasil deveria mudar suas estratégias?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;André Trigueiro - O Brasil, sem dúvida nenhuma, é um país privilegiado no que diz respeito a fontes de energia, lembrando que, majoritariamente, as fontes são limpas. O país tem uma configuração muito interessante, única no mundo e com um bônus, que é a possibilidade de diversificar ainda mais essa matriz de forma criativa e inovadora. No entanto, o aspecto preocupante é o seguinte: num recorte dos últimos três ou quatro anos, o licenciamento de novas fontes de energia que tem predominado é extremamente sujo. É muito mais fácil licenciar pequenas termelétricas a carvão, a óleo ou a gás do que grandes hidrelétricas. Estamos sujando a matriz energética. Segundo ponto: o Brasil marcou um gol (além do biodiesel, do etanol e das hidrelétricas) com o Proinfa, que é um programa do governo federal de incentivo às fontes alternativas de energia. Precisamos substituir o chuveiro elétrico. Não existe outro país do mundo com tanta gente tomando banho quente com chuveiro elétrico como no Brasil. Isso é um absurdo num país solar, onde 280 dias por ano são de sol. Não devemos ficar tão agoniados para construir grandes hidrelétricas e usinas nucleares se soubermos usar o que temos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IHU On-Line - Como entender, a partir do que o senhor acaba de dizer, tanta euforia em torno do pré-sal? Por que ainda vivemos em uma cultura tão presa ao modelo de consumo, à lógica da sociedade industrial? Como o senhor explica essa aparente contradição?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;André Trigueiro - A palavra “contradição” expressa bem esse rico momento da nossa história. Esse paradoxo está colocado com muita força. O velho e o novo se digladiam. Existe uma dificuldade de assumir novas posturas e perceber que o século XXI está trazendo demandas importantes, graves, que exigem de gestores públicos, privados e do cidadão a devida atenção, porque são escolhas que precisamos fazer rápido. Estamos promovendo uma escalada de depredação dos recursos naturais que tem custado caro, estamos fazendo do Planeta um lugar hostil. Nosso modelo de desenvolvimento foi descrito há 16 anos na Rio 92, nos seguintes termos: “O modelo de desenvolvimento é ecologicamente predatório, socialmente perverso e politicamente injusto”. É esse modelo que precisamos denunciar e para o qual precisamos sinalizar alternativas. Diversas coisas não são sustentáveis: a sociedade de consumo; o consumismo enquanto valor existencial; todo mundo ter um carro na garagem; manter o desperdício não apenas de energia ou de água, mas de alimentos. Nosso estilo de vida é perdulário, não temos noção do limite. Não respeitamos porque não conhecemos a capacidade de suporte do Planeta. Continuamos achando que ele tem tudo o que precisamos para sempre. O grande desafio é promovermos uma mudança de cultura. No entanto, não se muda isso por decreto. Há que se ter um tempo de decantação, com escolas, universidades, ONGs, igrejas, movimentos sociais, uma nova geração de gestores públicos, de empresários. Há um tempo em que haverá um descolamento gradual e progressivo de uma visão ultrapassada do que deva ser a ciência econômica, da necessidade dos países crescerem com metas de crescimento de PIB. Precisamos de desenvolvimento e isso se mede também pela qualidade de vida das pessoas, o que não se alcança onde há depredação dos recursos naturais na escala em que vemos. Mudar não é um capricho: é a condição para continuarmos existindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IHU On-Line - Então, é correto falar em desaceleração da economia e que o decrescimento será indispensável para a nossa sobrevivência? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;André Trigueiro - Se existe um lado positivo desta crise, é que ela talvez possa ensinar alguns de nós que é possível viver bem com menos; eu diria até que é necessário menos para viver melhor e que talvez possamos descobrir outros motivos dignos, interessantes e atraentes para viver do que apenas respirar lucro. As crises ensinam muito, principalmente a prestar atenção aos sinais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IHU On-Line - Então, com as crises, é possível pensar em outra economia, outro estilo de vida, uma outra civilização? E que modelo de energia o senhor sugere para essa outra sociedade ideal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;André Trigueiro - É evidente que o modelo de energia ideal seja aquele que determina a emissão zero de carbono, mas não se alcança isso rápido. Há um período de transição, precisamos considerar, que pode levar 10, 20, 30 anos. Ainda precisamos e dependemos muito de petróleo, carvão e gás. Mas o modelo ideal é o da energia limpa e renovável, com muita pesquisa na direção da inovação tecnológica, buscando no hidrogênio, na energia geotérmica, na energia das ondas do mar, do sol, do vento, da biomassa, como podemos diversificar ao máximo a matriz e consumir de forma inteligente. Não adianta sofisticar ou limpar a matriz energética se as pessoas não mudam os hábitos de consumo. Quando falamos de inclusão social, falamos de inserir as pessoas num mundo onde há dignidade na sociedade, num estilo de vida onde se possa dispor de uma casa, de educação, saúde, lazer, transporte adequado. Se quisermos promover inclusão social, teremos uma demanda muito grande de matéria prima energética. É importante lembrar que, hoje, 20% da humanidade consome 80% dos recursos. Essa conta não fecha se a elite do mundo não repensar hábitos de consumo. Mesmo ganhando bem, não precisamos gastar tudo nas compras. E não se promove essa guinada sem educação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(IHU On-Line)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-2786659814957703920?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/2786659814957703920/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=2786659814957703920' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/2786659814957703920'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/2786659814957703920'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2009/01/as-crises-ensinam-muito-principalmente.html' title='As crises ensinam muito, principalmente a prestar atenção aos sinais'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-4701587326139616311</id><published>2009-01-09T11:04:00.000-08:00</published><updated>2009-01-09T11:05:27.400-08:00</updated><title type='text'>Participação do negro cresce, mas renda ainda é inferior à do branco</title><content type='html'>Luciana Lima e Paula Laboissière, da Agência Brasil&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A participação dos negros no mercado de trabalho brasileiro aumentou desde a segunda metade da década de 90. No entanto, as condições de trabalho e de renda ainda continuam muito aquém das registradas pela população branca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com o Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil 2007-2008, elaborado pelo Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), 20,6 milhões de pessoas ingressaram no mercado de trabalho de 1995 a 2006. Desse número, apenas 7,7 milhões eram brancos. O restante, 12,6 milhões de pessoas, eram pardas e pretas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, ao observar o rendimento mensal real do trabalho, a desigualdade de raça e a de gênero prevalecem. O vencimento médio dos homens brancos em todo país equivalia, em 2006, a R$1.164,00, valor 53% maior do que a remuneração obtida pelas mulheres brancas, que era de R$ 744,71. O rendimento dos homens brancos era ainda 98,5% superior ao dos homens negros e pardos, que era de R$ 586,26. Era ainda 200% superior ao rendimento das mulheres negras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o pesquisador do Departamento Intersindical de Estatística e de Estudos Socioeconômicos (Dieese) Clemente Ganz Lúcio, que também integra grupo de trabalho do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) sobre políticas de eqüidade, a diminuição da desigualdade no mercado de trabalho depende de vários fatores, mas especialmente do acesso da população negra à educação de qualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Os avanços que podem ser conquistados dependem de vários fatores, entre eles, do crescimento econômico, do processo de desenvolvimento, dos ganhos políticos, da democracia. No caso específico dos negros, um dos fatores que contribuem para essa desigualdade é educação, ou seja o acesso à educação de qualidade. Enquanto os negros não chegaram no mesmo ritmo ao ensino universitário, ao ensino técnico, aos postos de trabalho de qualidade, a diferenciação de renda não vai cair.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O aumento da participação da população negra nos últimos anos no Brasil na população economicamente ativa, na opinião de Clemente Ganz Lúcio, já pode ser reflexo da adoção do sistema de cotas nas universidades a partir de 2003.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“As cotas, em certa medida, geram a oportunidade para a população negra ocupar um espaço cujo acesso exclusivamente meritório, ou seja, pela capacidade, acabava excluindo esses alunos. O que a experiência tem mostrado é que essas pessoas estão tendo um desempenho equivalente ao dos demais estudantes e, portanto, um investimento continuado poderia propiciar essa mudança. As cotas são um remédio doído para a sociedade porque significam reconhecer uma discriminação, mas podem fazer diferença lá na frente. É evidente que, no futuro, se essa situação for superada, a própria política de cotas desaparece”, avaliou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O diretor de Cooperação e Desenvolvimento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Mário Theodoro, aponta as razões históricas para a desigualdade, mas ressalta, na publicação Desigualdades Raciais, Racismo e Políticas Públicas 120 Anos após a Abolição, o dilema vivido pelo Brasil moderno que “convive e vive da desigualdade”. “No país que convive e vive da desigualdade, o negro, ao perder o lugar central no mundo do trabalho, não deixou de exercer um papel social como o núcleo maior dos pobres, prestadores de serviços aos quais as classes médias recorrem ostensiva e sistematicamente”, destaca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Clemente Ganz Lúcio, é importante destacar o reconhecimento da existência da desigualdade e sua redução ao longo dos últimos anos, um avanço a ser comemorado. “O que nós temos que observar é o fato de que temos uma redução da desigualdade. Ainda é grande, mas até pouco tempo não era nem reconhecida. À medida que se reconhece que a desigualdade é um problema estrutural, ou seja, ele não é momentâneo, faz parte da nossa história e da constituição da organização econômica e social do país, observarmos a mudança no sentido de que a desigualdade é um resultado a ser comemorado”, destacou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Deve ser comemorado no sentido de que caminhamos no sentido da redução dessa desigualdade. Deve nos preocupar, deve ser um alerta, deve ser um indicativo de que a gente deve estar o tempo todo combatendo, mas também identificando se as ações que estão sendo implementadas estão contribuindo para que ocorra uma diminuição dessa desigualdade”, acrescentou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele lembrou que a luta contra a discriminação é recente no Brasil e que ainda há muito caminho a ser percorrido para eliminar o problema. “A história nos mostra que os processos sociais que levam a essa mudança não são imediatos, ou seja, é uma construção social que leva tempo. Mais ou menos o tempo de quanto as políticas publicas, os movimentos sociais e a organização da sociedade estão dispostas a promover a transformação daquela realidade. Mas, de todo modo, levam-se anos, gerações para que ocorram mudanças substantivas nesse aspecto. A própria questão da discriminação racial é uma luta dos últimos 100 anos. Pegando a história da humanidade, é uma luta de pouco tempo, assim como a luta pela igualdade entre homens e mulheres. São conquistas que não são pequenas”, avaliou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pesquisa divulgada nesta semana pelo Dieese e pela Fundação Seade mostra que os salários pagos na região metropolitana de São Paulo a profissionais não-negros ainda representam o dobro dos rendimentos dos negros. Em 2007, de acordo com a pesquisa, o rendimento médio por hora dos negros era de R$ 4,36, contra R$ 7,98 dos não-negros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Políticas universais e ações afirmativas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pesquisadora Luciana Jaccoud, coordenadora da área de Igualdade Racial do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), acredita na importância de políticas universais de combate à pobreza, por exemplo, mas avalia que tais iniciativas não são suficientes para mudar o cenário de desigualdades raciais no Brasil. Para ela, a estratégia deve ser a compensação por meio de ações afirmativas voltadas para negros e pardos.&lt;br /&gt;Uma das coordenadoras da publicação Desigualdades Raciais, Racismo e Políticas Públicas 120 anos após a Abolição, Luciana lembra que alguns indicadores negativos têm apresentado queda, mas a maioria tem se mantido estável e, em alguns casos, o Ipea observou até mesmo o agravamento das desigualdades raciais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Por exemplo, no acesso ao ensino médio e ao ensino superior. Apesar do grupo dos jovens brancos e negros ter aumentado o acesso, o número de jovens brancos é bem acima do de negros. A distância entre esses grupos está aumentando, o que é muito negativo para o país em termos da promoção da igualdade, da diversidade e de oportunidade para todos os grupos sociais.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre as iniciativas consideradas “promissoras” - mas ainda pontuais -, ela destaca experiências de ação afirmativa em universidades públicas federais e estaduais. O estudo identificou, segundo ela, um conjunto de mais de 40 universidades que, de forma autônoma, promoveu medidas como cotas e sistema de bonificações para a população negra.” Há um impacto importante na diversidade e na formação de uma elite brasileira. Esses estudantes têm desempenho igual ao dos estudantes não-cotistas e, em alguns casos, superior”, diz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro destaque apontado pela pesquisadora é o Programa de Combate ao Racismo Institucional, desenvolvido nos dois últimos anos pelo Ministério da Saúde. O que se observa, de acordo com Luciana, é que, apesar da política de saúde ser universal, a continuidade do tratamento não tem sido igual para negros e brancos. Dados mostram uma desigualdade no tratamento e no acolhimento da população negra e parda dentro das instituições do Sistema Único de Saúde (SUS). “O racismo institucional não é um racismo direto, que as pessoas têm como objetivo à exclusão”, explica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Agência Brasil)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-4701587326139616311?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/4701587326139616311/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=4701587326139616311' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/4701587326139616311'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/4701587326139616311'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2009/01/participao-do-negro-cresce-mas-renda.html' title='Participação do negro cresce, mas renda ainda é inferior à do branco'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-5041312338410538703</id><published>2009-01-09T11:03:00.000-08:00</published><updated>2009-01-09T11:04:26.918-08:00</updated><title type='text'>O paradigma ergológico: o trabalho em constante reconstrução</title><content type='html'>A Unisinos recebeu na última semana o professor francês Yves Schwartz, diretor-científico do Departamento de Ergologia da Universidade de Provença, na França. A IHU On-Line aproveitou a sua presença e conversou com Yves sobre o seu trabalho e as pesquisas desenvolvidas em torno da questão da ergologia. Mais do que compreender as questões do mundo do trabalho, ele nos conta que a ergologia compreende a “atividade remunerada numa sociedade de direito e mercantil”. O professor falou também sobre os principais elementos em torno dos estudos da ergologia hoje, os desafios para tentar pesquisar o trabalhador e suas atividades e, ainda, sobre o valor do trabalho. “Claro que o trabalho tem valor, principalmente no mundo mercantil, porque a questão do valor é mercantil”, disse Yves. A entrevista foi realizada pessoalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Yves Schwartz é ex-aluno da École Normale Supérieure. Hoje é professor da Filosofia na Universidade de Provence, membro do Instituto Universitário da França. Publicou inúmeros livros, entre eles Travail et philosophie: convocations mutuelles (Toulouse: Octarès Éditions, 1994), Expérience et connaissance du travail (Méssidor: Eds. Sociales, 1988) e Le paradigme ergologique ou un métier de Philosophe (Toulouse: Octares, 2000).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confira a entrevista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IHU On-Line - O senhor trata das questões que envolvem o trabalhador no seu ambiente de trabalho. Quais os elementos principais da ergologia hoje e suas perspectivas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Yves Schwartz - Há mais de 25 anos estudo a ergologia. No início, propúnhamos efetivamente a questão do trabalho dentro do ambiente do trabalho. Uma pessoa que nos inspirou muito foi um médico, professor de Medicina na Itália, que se preocupava com a saúde do trabalhador no meio do trabalho. Mas, pouco a pouco, através do estudo sobre o trabalho e dos encontros com várias categorias de trabalhadores, ampliamos o interesse neste campo e descobrimos questões de grande amplitude. Por isso, há pouco mais de dez anos, falamos de uma abordagem ergológica. Com isso, também falamos da questão da atividade humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ergologia quer dizer estudo da atividade humana. Assim, as questões do trabalho e das empresas do mundo econômico estão presentes nos estudos da ergologia. Esta pesquisa nos obrigou a ver de forma mais ampla a questão do mundo do trabalho, pois nos faz refletir também sobre o mundo econômico, sobre o formato das empresas públicas, sobre a economia solidária etc. Essas questões são sempre muito importantes para a ergologia se pensadas epistemologicamente, filosoficamente, culturalmente e eticamente, porque, desta forma, nossos estudos ultrapassam a definição do trabalho como uma atividade remunerada numa sociedade de direito e mercantil. A abordagem ergológica é mais do que só pensar o trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IHU On-Line - Ao pensar o trabalhador dentro do seu ambiente de trabalho, quais os principais desafios teórico-metodologicos para pesquisar esse sujeito?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Yves Schwartz - O principal desafio é o desconforto intelectual. A situação do trabalho ficou cada vez mais complicada nos contextos que a cultura habitual apresenta. Quando começamos a pesquisar a ergologia, estávamos no período final da predominância do sistema teorizado que nos conduzia a acreditar que o trabalho era uma coisa mecânica, sem debate dentro da empresa e com debate de valores fora da fábrica. Enfim, descobrimos com a ajuda de colegas, através de encontros que organizamos com trabalhadores, que o trabalho sobre o trabalho era muito mais complicado do que pensávamos e que cada trabalhador, individual e coletivamente, retrabalhava, repensava e renormatizava mais ou menos o seu fazer que era prescrito e exigido pela hierarquia e organograma. Por isso, ultrapassamos um pouco a questão do trabalho e a partir disso podemos afirmar que toda a atividade humana, todo tipo de trabalho no mundo sempre comporta uma parte de retrabalhamento. Esse é um desafio grande, pois, para entender o que acontece no chão da fábrica, por exemplo, nunca podemos antecipar o que acontece, porque sempre localmente, aqui e agora, a gente vai, individualmente e localmente, reconstruir o mundo do trabalho. Então, como fazemos para conhecer o mundo do trabalho é um desafio grande que não exatamente vai ser explicado totalmente pelas ciências humanas. O desafio sempre será o de construir dispositivos e maneiras de abordar o trabalho humano com essa hipótese.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IHU On-Line - A partir das suas pesquisas, qual é o valor real do trabalho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Yves Schwartz - O trabalho, no conceito fluido, não é bem determinado. Eu falava do conceito de trabalho regular, com contrato de trabalho, mas aqui no Brasil este não é o caso da maioria dos trabalhadores. Se você conceber o trabalho em todo o planeta, verá que o trabalho formal é quase minoritário. Por isso, o que é o trabalho? Seria injusto dizer que trabalho é só aquele formal, não há diferença absoluta entre o trabalho dito formal e o trabalho informal. Será que podemos incluir o trabalho dos nossos ancestrais? Trabalho é um conceito que não é claro e aqui não podemos dar uma resposta simples a esta questão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que o trabalho tem valor, principalmente no mundo mercantil, porque a questão do valor é mercantil. É melhor ganhar sua vida trabalhando do que estar desempregado. É difícil, quase impossível, de responder claramente a sua questão, pois o trabalho tem a ver com a esperança das pessoas, como uma matriz de desenvolvimento das pessoas. Por isso, desconfio um pouco sobre uma resposta desse tipo. Minha resposta pode parecer muito excêntrica, mas a questão não é se o trabalho tem valor, mas que valor tem o trabalho. Será que o trabalho faz com que os valores sejam trabalhados?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os jovens hoje optam por um trabalho interessante, intenso, onde vão encontrar outras pessoas, vida e se descobrir. Você será convidado a escolher e será conduzido a encontrar valores de vida que são inseridos dentro das suas normas de vida. Uma pessoa que vive fora do mundo do trabalho, desempregada, que vive sozinha, não tem esse encontro com os valores que nossa vida social agrega. O trabalho atravessa as tecnologias, a dimensão coletiva, a formação, e está dá muitas oportunidades de escolha para sua vida e, desta forma, pode também se tornar uma doença. O trabalho é um encontro de riqueza. Se no trabalho há possibilidade de criar ele pode ter valor. Se acontece o contrário, o trabalho não tem valor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Instituto Humanitas Unisinos)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-5041312338410538703?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/5041312338410538703/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=5041312338410538703' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/5041312338410538703'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/5041312338410538703'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2009/01/o-paradigma-ergolgico-o-trabalho-em.html' title='O paradigma ergológico: o trabalho em constante reconstrução'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-483646930182602109</id><published>2009-01-09T11:02:00.000-08:00</published><updated>2009-01-09T11:03:29.173-08:00</updated><title type='text'>A ética da concorrência: quem é o verdadeiro herói?</title><content type='html'>“Uma ética da concorrência.” Para o professor Alexandre Ortuso esse é o tipo de ética que surgiu com o perfil atual dos executivos das grandes empresas. “Em um mundo onde o emprego define quem somos e qual é o nosso lugar na sociedade, isto é, define qual é nossa identidade social, fica, portanto, estabelecida individualmente uma ética da concorrência ou do desempenho no contexto do mercado de trabalho”, definiu Ortuso durante a entrevista que concedeu por e-mail à IHU On-Line. Nesta conversa, ele fala sobre o perfil do executivo e o que muda com a crise financeira mundial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alexandre Ortuso é doutor em Economia aplicada pela Universidade Estadual de Campinas - Unicamp.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confira a entrevista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IHU On-Line - Nos seus estudos sobre o perfil dos executivos das grandes corporações, o senhor afirma que os mesmos se transformaram numa espécie de heróis no mercado de trabalho e servem como referência para muitos. Afirma também que esses heróis manifestam determinada ética. Que ética é essa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alexandre Ortuso - Uma ética da concorrência ou do desempenho. O surgimento do capitalismo nas sociedades ocidentais se confunde com o aparecimento da modernidade. Entretanto, os ideais modernos de liberdade e igualdade são promessas que não podem se realizar no capitalismo. É justamente por isso que Marx [1] diz que o capitalismo criou mais mitos do que todas as sociedades anteriores somadas. O capitalismo é, na verdade, uma sociedade despótica e autoritária porque a concorrência é um imperativo que estrutura e ordena a sociedade. Não se pode escolher não concorrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Independente de sua posição social, vale dizer, de sua classe social, todos estão submetidos à concorrência. Nesse sentido, o dono de uma indústria ou de um comércio estão todo o tempo concorrendo com outros industriais e comerciantes para ocupar novos mercados, para baixar o preço e aumentar a qualidade de seus produtos. O sujeito que administra um fundo de ações precisa sempre obter uma valorização maior que seus concorrentes para continuar atraindo novos clientes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mesmo acontece com o indivíduo isolado no contexto do mercado de trabalho. É preciso concorrer com muitos para a obtenção de um posto de trabalho. Nesse sentido, a concorrência seleciona os melhores e mais aptos. Por isso mesmo, fica cada vez mais claro que a sociedade capitalista divide seus membros em dois grupos distintos: os vencedores e os perdedores. Os estadunidenses usam com freqüência tal divisão no cotidiano de suas vidas. Uma das maiores ofensas possíveis é chamar alguém de loser (perdedor). No Brasil, por motivos variados, que vão desde a constituição do povo até ao modo pela qual a religião aqui se estabeleceu, não usamos tais termos com a mesma freqüência dos estadunidenses. Mas é cada vez mais comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se concorrer é um imperativo, a vitória na concorrência é a exigência lógica seguinte. Em um mundo onde o emprego define quem somos e qual é o nosso lugar na sociedade, isto é, define qual é nossa identidade social, fica, portanto, estabelecida individualmente uma ética da concorrência ou do desempenho no contexto do mercado de trabalho. E, nesse contexto, o executivo de uma grande corporação é realmente um grande vencedor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IHU On-Line - O correto não seria chamar os executivos de anti-heróis na medida em que se submetem e ativam um processo de competitividade desumana?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alexandre Ortuso - Na verdade, a idéia de heroísmo é uma ironia. São heróis entre aspas. De qualquer maneira, as carreiras executivas definem modelos de referência para a grande maioria de jovens recém-formados nas faculdades. Isso porque são carreiras que prometem remunerações altíssimas, viagens internacionais, bons hotéis, restaurantes caros, reuniões importantes, contatos com chefes de Estados e grandes empresários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os grandes executivos são, inclusive, reconhecidos como celebridades. Não é por outra razão que há reality shows sobre o assunto. É o caso de Donald Trump [2] nos EUA e o programa The apprentice. No Brasil, a versão brasileira copiada integralmente e apresentada pelo executivo-celebridade Roberto Justus [3] faz cada vez mais sucesso. Milhões de pessoas assistem semanalmente a seu programa e aspiram ser um dos “aprendizes”. Inúmeras também são as revistas sobre o assunto. Muitas delas têm como título palavras que remetem para a idéia de vitória e sucesso. Em última instância, diria que os executivos são heróis porque a competição no mercado de trabalho está cada vez mais acirrada. Sendo assim, aqueles que conseguem “chegar lá” são reconhecidos pelos demais como grandes vencedores. Quanto mais difícil o acesso e a competição maior a sensação de vitória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer maneira, não podemos esquecer que como a concorrência é um imperativo, o executivo nada mais é do que uma criatura social, um sujeito que está condicionado por determinações externas à sua vontade. Ele é, nesse sentido, uma personificação do capital. É um funcionário do dinheiro comandado por uma lógica que ele não pode controlar. Mas, dentro dessa lógica que define uma ética da concorrência, ele é, de fato, um vencedor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso ainda dizer que a personalidade que melhor se ajusta a esse contexto é a personalidade narcisista. Não por outra razão, muitos dos executivos estudados apresentam as principais características que definem a patologia narcísica. Falo aqui das oscilações de humor, da manipulação das relações interpessoais, da inveja, da agressividade, etc. Por isso mesmo, afirmo que esse é um herói doente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, é preciso dizer que a figura desse herói está hoje ameaçada por conta da recente crise financeira. Isso porque, o grosso das remunerações dos executivos está atrelada ao desempenho do mercado financeiro. Vale dizer, aos bônus pagos semestrais e anuais pagos através das chamadas “stock options” das empresas em que trabalham.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IHU On-Line - Quais são as credenciais exigidas de um executivo pelo mercado de trabalho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alexandre Ortuso - O profissional que trabalha hoje como executivo de uma grande corporação é, sem dúvida, uma pessoa superqualificada. Dois conjuntos de qualidades pessoais são necessários. De um lado, qualidades cognitivas: inteligência sofisticada expressa especialmente na capacidade de pensar e resolver problemas concretos e na autonomia intelectual. De outro lado, qualidades comportamentais: iniciativa, liderança e habilidade para trabalhar em equipe. Tudo isso dentro de um contexto de constantes mudanças. Esse superprofissional precisa também cultivar a criatividade e flexibilidade para reagir com rapidez frente a mudanças repentinas.&lt;br /&gt;Claro que tais qualidades devem, sempre, vir acompanhadas de uma faculdade de excelência e cursos de pós-graduação, MBAs etc. Mas só isso pode não ser suficiente. A experiência e a cultura adquirida desde a mais remota infância também são muitos importantes. Vale aquilo que muitos chamaram de capital social ou capital cultural, isto é, a educação e as experiências adquiridas na escola, no ambiente familiar, no convívio com os amigos, em viagens, nos filmes e peças de teatros que você assistiu, nas línguas apreendidas etc. Tudo isso ajuda a configurar o talento necessário a um executivo de sucesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por último, é também preciso dizer que não há um limite pré-estabelecido para a construção desse talento. Por isso mesmo, o executivo de sucesso está sempre fazendo novos cursos e adquirindo novos conhecimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IHU On-Line - O senhor afirma que não basta ao executivo alta capacidade e formação, é preciso também roupas de estilistas renomados e beleza física. A estética é um ativo cada vez mais valorizado pelo mercado de trabalho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alexandre Ortuso - Sem dúvida. Esse fato define outro ângulo de análise para entender o que significa dizer que os executivos são criaturas sociais ou personificações do capital. O mercado de trabalho, assim como qualquer outro, é definido pela existência de compradores e vendedores. De um lado, as corporações compram o talento de certas pessoas para usá-lo na sua administração. De outro lado, o executivo precisa criar um talento que seja atrativo para empresa, que seja vendável. Isso, em última instância, quer dizer que você precisa pensar e tratar-se como uma mercadoria no mercado de trabalho. E, aí, valem todos os atrativos para tornar essa mercadoria, esse talento vendável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso criar uma imagem de sucesso reconhecida rapidamente pelos demais. Mesmo porque essa imagem também se confunde com a imagem da corporação onde você trabalha. Ambos querem transmitir, num primeiro momento, uma imagem de sucesso. Isso fica muito claro quando você abre qualquer um livro de marketing pessoal ou mesmo a revista famosa no meio executivo chamada, muito adequadamente, de Você S.A. [4]. O título dessa revista resume com precisão a necessidade de tratar a si mesmo como uma mercadoria, como uma empresa única que está competindo com muitas outras empresas individuais por um lugar de destaque numa grande corporação. Tudo é muito cruel. Roupas caras, relógios, canetas, bolsas, carros, rostos jovens e bonitos, corpo atlético etc.. Tudo isso faz diferença quando você está se vendendo e competindo com muitos outros também à venda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IHU On-Line - O executivo é uma manifestação da sociedade pós-fordista. Como o senhor definiria essa sociedade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alexandre Ortuso - Não, o executivo não é uma manifestação da sociedade chamada pós-fordista. A figura do sujeito que trabalha profissionalmente na administração da empresa sempre existiu. Henry Ford [5] sempre esteve cercado de pessoas que eram pagas para administrar e tomar decisões pela empresa. O que mudou foi a relação que esse sujeito estabelece com a corporação que o emprega. Se antes era uma relação de longo prazo onde o a história de vida do sujeito se confundia com a história da empresa, agora é uma relação efêmera e instável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma relação puramente utilitária para ambas as partes. A empresa usa o executivo que por sua vez também usa a empresa para colocar seu talento em ação. A relação dura enquanto ambas as partes estiverem satisfeitas com suas respectivas rentabilidades. Não há, em princípio, nenhum compromisso além do financeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pergunta a ser feita é: por que é assim? A resposta, evidentemente, precisa levar em consideração o que disse anteriormente sobre a redução de tudo à mercadoria no capitalismo. Incluindo aqui o talento pessoal do executivo e a necessidade de ele usar a corporação com um lugar de valorização do seu talento ou de sua mercadoria.&lt;br /&gt;Mas a resposta também precisa levar em consideração aquilo que eu acho que realmente define a sociedade chamada pós-fordista. Do ponto de vista produtivo, não há grandes diferenças em relação ao fordismo. O processo de produção, embora passível de maiores especializações e flexibilidade, continua sendo em massa. E a tecnologia continua sendo a principal arma para aumentar a produtividade. A diferença fundamental está nas conseqüências dessa maior produtividade para o trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O avanço tecnológico sintetizado no uso do computador reorganiza o mundo do trabalho de uma forma aparentemente contraditória. Ao mesmo tempo em que o computador rebaixa e desqualifica o trabalho de um grande número de pessoas, tornando o trabalho precário e mal remunerado, ele exige de alguns poucos um trabalho muito mais complexo e intelectualizado. Estou dizendo, há um claro processo de polarização do mercado de trabalho entre dois extremos bem definidos. No limite superior, empregos com melhores remunerações que exigem um nível cada vez mais alto de qualificação e capacidade intelectual. De outro lado, uma grande quantidade de empregos precários e mal remunerados que se concentram no setor de serviços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa polarização significa um acirramento sem precedentes da competição por um posto de trabalho no limite superior. É preciso fugir do limite inferior. Isso se traduz, no caso do executivo, por uma necessidade cada vez mais acentuada de construir, vender e valorizar seu talento rapidamente. Antes que outro talento apareça para roubar seu lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IHU On-Line - O senhor critica Antonio Negri [6] e Michael Hardt [7], utilizando-se de categorias marxistas. Não se trata de uma crítica conservadora, considerando-se que os mesmos não negam a luta de classes, mas procuram renovar o instrumental marxista para matizar que classe é essa hoje? O conceito de multidão não seria uma releitura do conceito de classes ajustado às transformações do mundo do trabalho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alexandre Ortuso - É verdade que o conceito de multidão é uma releitura do conceito de classe marxista frente à necessidade de repensar o mundo do trabalho, atualmente, frente ao aparecimento de um trabalho mais imaterial onde mais difícil dizer o que é exatamente a força de trabalho. Negri e Hardt colocam corretamente o dedo no problema. Entretanto, as conclusões que seguem a partir desse correto diagnóstico são desastrosas. A divisão de classes entre operários e capitalistas, muita clara no século XIX e no início do século XX, não existe mais. Isso está longe de significar o fim das classes sociais ou uma maior democracia como eles dizem. Você não pode, simplesmente porque não consegue enxergar com clareza a exploração de uns sobre outros que ela acabou. Não pode simplesmente dizer que somos todos agora uma Multidão e a maior democracia está o horizonte. Não é verdade que as classes acabaram. Muito pelo contrário. Elas continuam fazendo toda a diferença para as chances de cada um no mercado de trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que são monopólios sociais? Eles definem pontos de partida diferenciados na concorrência por um lugar de maior destaque no mercado de trabalho. É evidente que aqueles que freqüentaram escolas melhores, viajaram, foram ao cinema, ao teatro, tiveram acesso a livros etc., porque têm riqueza material suficiente para pagar por isso, terão mais chances no mercado de trabalho. O posto de diretor de um banco está muito mais perto do filho de um médico bem sucedido do que do filho de uma faxineira terceirizada. Essa é uma discussão completamente ignorada pelos teóricos da Multidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Notas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[1] Karl Heinrich Marx foi fundador de uma das grandes teorias que iria influenciar os séculos dezenove e vinte, intelectual alemão, economista, sendo considerado um dos fundadores da Sociologia e militante da Primeira e Segunda Internacional. A edição 278 da Revista IHU On-Line analisa a crise financeira mundial a partir do pensamento de Marx.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[2] Donald John Trump é um empresário norte-americano, também conhecido por apresentar o programa The Apprentice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[3] Roberto Luiz Justus é um publicitário e empresário brasileiro. É o diretor executivo do Grupo Newcomm e presidente da Y&amp;R, esteve entre os principais empresários da comunicação do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[4] Você S/A é uma revista brasileira mensal, publicada pela Editora Abril e voltada para o mercado empresarial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[5] Henry Ford foi um empreendedor estadunidense, fundador da Ford Motor Company e o primeiro empresário a aplicar a montagem em série de forma a produzir em massa automóveis em menos tempo e a um menor custo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[6] Antonio Negri é um filósofo político marxista italiano. Negri adquiriu notoriedade internacional nos primeiros anos do século XXI, graças ao livro Império, escrito em co-autoria com seu ex-aluno Michael Hardt. O livro tornou-se um dos manifestos do movimento anti-globalização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[7] Michael Hardt é um teórico literário e filósofo político estadunidense que leciona na Duke University. Além de Império, escreveu, em 2004, junto com Negri, o livro Multidão. O termo foi tratado no primeiro livro e agora é detalhado como um sítio potencial para um movimento democrático global.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(IHU On-Line)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-483646930182602109?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/483646930182602109/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=483646930182602109' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/483646930182602109'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/483646930182602109'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2009/01/tica-da-concorrncia-quem-o-verdadeiro.html' title='A ética da concorrência: quem é o verdadeiro herói?'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-5203650600449598098</id><published>2009-01-09T11:00:00.000-08:00</published><updated>2009-01-09T11:01:56.787-08:00</updated><title type='text'>Consumo e cultura: a agenda política da cozinha</title><content type='html'>IHU - Unisinos*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A massificação das informações que envolvem o meio ambiente tem feito com que amplos setores da sociedade repensem a questão ambiental, incorporem atitudes sustentáveis e revejam os formatos de produção e consumo. Aliás, é o consumo que atinge diretamente a sociedade civil. Campanhas e movimentações têm sido realizadas para que a forma como consumimos seja transformada. Para a socióloga Fátima Portilho, “a adesão à causa ambiental e à transformação em práticas concretas de consumo sustentável dependem das variáveis culturais”, ou seja, em certos espaços da nossa vida será preciso mudar conceitos e atitudes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já em outros basta uma redução no consumo para que tenhamos uma atitude pró meio ambiente. A técnica ambiental Eliana Saraiva afirma que “precisamos pensar em mudar nossos modos de produção. Não precisamos voltar ao passado, mas pensar em como os problemas devem podem ser minimizados hoje. E não apenas os governantes precisam pensar nisso. Toda a sociedade precisa rever o seu papel”. As duas concederam por telefone à IHU On-Line a entrevista que publicamos a seguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria de Fátima Ferreira Portilho é mestre em Psicossociologia das Comunidades e Ecologia Social, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, e doutora em Ciências Sociais, pela Universidade Estadual de Campinas. Pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro, obteve o título de pós-doutora. Atualmente, é professora da UFRJ.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eliana Saraiva, por sua vez, é coordenadora do curso Técnico Ambiental da Escola do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial - SENAC, de São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confira as entrevistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IHU On-Line - Sobre o aquecimento global, são divulgadas principalmente notícias que se referem às conseqüências globais. Já que existe uma grande confusão sobre o que é correto ambiental e socialmente, não seria melhor trabalharmos primeiro as questões locais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fátima Portilho - Com a ampla divulgação da questão ambiental, o que chamamos de ambientalização da sociedade, todos os setores da sociedade se ambientalizam no sentido de que incorporam e percebem a questão ambiental como algo importante, ou seja, ela chega finalmente à esfera do cotidiano. Nessa esfera cotidiana, rotineira, as pessoas compreendem e buscam participar e contribuir para resolver os problemas ambientais, entre eles o aquecimento global, a partir do consumo. Se isso vai ter efeito ou não, é outra questão a que talvez os economistas possam responder. O fato é que eu traduzo a minha preocupação ambiental nessas atitudes cotidianas, dou concretude à minha preocupação ambiental via esse tipo de consumo. A forma que encontro para participar das questões ambientais é prestar mais atenção no meu consumo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eliana Saraiva - Exatamente. Essa opinião está de acordo com a Agenda 21, ou seja, você deve começar localmente, para ver os resultados gerais. Mas, ainda assim, devemos nos unir globalmente, pois muito dos problemas locais têm resultados globais. Por isso, volto a repetir, a solução está em repensar as nossas formas de produção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IHU On-Line - A ONU tem feito uma grande campanha pelo menor consumo de carne no mundo. é necessário uma reeducação alimentar, ou seja, é uma questão de cultura. Como trabalhar essa questão tão íntima das pessoas, mas que, ao ser assumida pelo coletivo, pode mudar o rumo do aquecimento global?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fátima Portilho - Eu acho que a tradução da preocupação ambiental em práticas de consumo correto é muito interessante, mas ao mesmo tempo limitada. Um dos limites está ligado à questão cultural que você citou. O consumo, seja ele alimentar, de roupa ou de qualquer outra coisa, não é simplesmente uma atividade que visa satisfazer nossas necessidades de uma forma biológica. Ninguém se alimenta de uma maneira aleatória, simplesmente pelo valor dos nutrientes. A alimentação está ligada a um aspecto cultural, à escolha do que se pode ou não comer. A formação do gosto, afinal, é cultural. Cada cultura define o alimento adequado para si. Embora a campanha da ONU seja interessante, é preciso considerar o significado da alimentação para as diversas culturas. Talvez, falar para não comer carne a uma determinada cultura em que a carne não tem um valor muito importante seja uma idéia interessante e tenha de fato bons resultados. Agora, o caso brasileiro é diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por exemplo, para o gaúcho, a carne é um dos itens mais importantes em sua alimentação. Ou seja, talvez falar para ele não comer carne não tenha tanto sentido quanto falar para um integrante de outra cultura. O consumo cumpre determinadas funções sociais. Ele tem uma função de construir e fortalecer a nossa identidade cultural. Através do consumo, eu digo quem eu sou e a posição na hierarquia social que ocupo. Isso acontece em qualquer cultura e não apenas na capitalista moderna. O consumo cumpre uma função de marcação de fronteiras, de identidades. Então, é complicado pedir simplesmente para que alguém pare de consumir aquilo que é importante para sua formação e para a construção da sua identidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As campanhas relacionadas a um consumo mais sustentável devem considerar as funções sociais do consumo. Agora, independente disso, o que tenho notado é que surgiu uma nova função social para o consumo, ou seja, as suas práticas têm sido usadas pelas pessoas como forma também de participação política, como forma de dizer do que cada um gosta e o que se quer politicamente para a sociedade e para o mundo. Então, através das minhas escolhas, além de marcar identidade, eu posso usar como forma de afirmar a forma como quero viver. Então, eu passo a usar o consumo também como forma de ação política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IHU On-Line - Devemos caminhar, para amenizar os problemas ecológicos que estamos enfrentando e que ainda vamos enfrentar, para uma redução ou modificação na forma de consumo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fátima Portilho - Os dois. Não há como diferenciar. Por exemplo: eu posso pensar numa redução da quantidade de carne, mas em relação a outros itens eu posso pensar numa modificação, como a troca da geladeira atual por uma mais eficiente. Ou seja, não vou deixar de ter geladeira, mas vou trocá-la por uma ecoeficiente. Existe um programa do governo federal, que me parece muito interessante, sobre uma troca de geladeiras nas cidades do interior, especialmente no Nordeste. Foi feita uma política pública de subsídios para que as pessoas possam comprar geladeiras melhores e mais eficientes. Isso tem um impacto no gasto de energia naquelas regiões. é muito ingênuo pensar que as pessoas vão, de uma hora para outra, em nome do verde, da população mundial, coisas tão abstratas, modificar seus hábitos culturais, seu conforto, sua segurança, seus prazeres. Até que ponto a preocupação ambiental de fato se materializa em atitudes concretas? Isso não tem como se saber; é uma questão longa e complexa que envolve uma série de variáveis culturais. Se uma determinada coisa é valorizada num grupo social, eu tenho mais chance de aderir à causa. Agora, se isso não é importante dentro do grupo por onde circulo, a probabilidade de eu aderir a essa causa é muito pequena. A adesão à causa ambiental e a transformação em práticas concretas de consumo sustentável dependem das variáveis culturais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IHU On-Line - O governo brasileiro está realizando medidas para diminuir o desmatamento na Amazônia, ao mesmo tempo em que investe na construção de hidrelétrica para aumentar o padrão de energia no país. Como a senhora vê essas contradições?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fátima Portilho - No dia-a-dia, o consumidor enfrenta dilemas. Um deles é: quem é o responsável por isso? Sou eu quem deve deixar o carro na garagem, reduzir ou modificar meu consumo e enquanto isso o governo e as empresas fazem nada pela causa? é importante lembrar que o consumidor enfrenta esses dilemas e nesse momento já está refletindo sobre o assunto, mesmo que não modifique a sua prática. Isso é muito proveitoso. Além do dilema sobre quem é o ator responsável, mesmo que eu defina também uma pessoa responsável por fazer alguma coisa, vou enfrentar uma série de conflitos e dificuldades nessa ação ambientalmente correta, porque as ações entrarão, em alguns momentos, num dilema em relação aos meus desejos individuais, à minha cultura, aos meus valores. Isso gera novos questionamentos em relação as minhas atitudes. Se eu não percebo que minhas ações cotidianas têm significado concreto na melhoria ambiental, eu tendo a não fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, o consumidor ainda enfrenta as controvérsias científicas. Muitas vezes, ele precisa fazer escolhas e tomar decisões de compra que envolvem decisões extremamente técnicas. Ao mesmo tempo, essas decisões técnicas são motivo de discórdia mesmo entre os cientistas. Em quem o consumidor vai acreditar, em quem vai se basear para fazer a escolha correta? O que eu quero dizer é que o uso do consumo como forma de ação política pró meio ambiente é bastante limitado por conta desses dilemas. Esses são os limites da ação política para o bem do meio ambiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eliana Saraiva - Aí começa a confusão. Muitas pessoas ainda não têm consciência. Por isso, quem tem domínio da palavra possui um papel importante nessa mudança. Essas pessoas podem contribuir pensando, no início, em minimizar. Precisamos pensar em mudar nossos modos de produção. Não é necessário voltar ao passado, mas pensar em como os problemas devem podem ser minimizados hoje. E não apenas os governantes devem refletir sobre isso. Toda a sociedade precisa rever o seu papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IHU On-Line - Como a senhora analisa os limites e possibilidades da politização do consumo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fátima Portilho - A questão que eu trabalho em relação a este assunto é, em primeiro lugar, tentar entender quando, porque e como o meio ambiente passou a ser inscrito nas práticas de consumo. Isso porque, até então, a questão ambiental estava restrita à esfera da produção. Era nas indústrias que os problemas ambientais aconteciam. Não se falava muito dos impactos ambientais a partir do consumo. A partir mais ou menos da década de 1990, cresceu a percepção de que as práticas de consumo têm também um impacto ambiental grande. Não que a produção e o consumo sejam esferas separadas, pelo contrário, elas são interdependentes. Uma não existe sem a outra. Existem impactos ambientais na esfera da produção que devem ser resolvidos nessa esfera. Mas há também impactos ambientais causados na esfera do consumo que devem ser resolvidos com conscientização, com campanha, com politização do consumo, ou seja, tornar o consumo um ato político. A participação política é trazida para dentro do supermercado, por exemplo, assim como para dentro da minha casa. é o que eu chamo de agenda política da cozinha. Por que não pensar nessa agenda que serve para a vida diária, para a vida privada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IHU On-Line - O discurso ambientalista mundial mudou nos últimos anos. De que forma a senhora vê a participação desse discurso na construção social?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fátima Portilho - Uma das mudanças no discurso ambientalista foi justamente a mudança discursiva da produção para o consumo. Não que os ambientalistas não se preocupem com a poluição na produção, mas têm se preocupado mais com o impacto ambiental na esfera do consumo. Esta foi uma mudança importante no discurso ambientalista. Por conta disso, diversas políticas ambientais também mudaram. O rodízio de carros em São Paulo é um típico exemplo de política ambiental na esfera do consumo. Quando ele foi decidido, a idéia era que o governo deveria estimular, fiscalizar e punir de maneira com que menos carros fossem colocados nas ruas por dia, fazendo com que a qualidade do ar melhorasse na cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IHU On-Line - Como a senhora compara a visão que a sociedade tinha dos profissionais do lixo - garis e catadores - e a que tem hoje?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fátima Portilho - Os profissionais do lixo sempre foram estigmatizados. O lixo é associado à morte, e as profissões ligadas à morte são bastante estigmatizadas. Ninguém quer ficar perto de um catador ou gari. O que acontece é que, com a ambientalização da sociedade, os resíduos sólidos passam a ser considerados de valor. Aos poucos, a nossa visão vai mudando em relação a esses profissionais do lixo. Mas isso não é algo tão simples e romântico, pois, como disse, eles ainda são estigmatizados. Grande parte dos programas de coleta seletiva ainda não aproveita o catador, pois é preciso pensar em dar melhores condições de vida e trabalho para esses profissionais. O Brasil comemora uma estatística boa em termos de reciclagem de materiais, mas, por outro lado, não há o que comemorar em relação à qualidade de vida dos catadores. A melhoria ambiental e social ainda está distante uma da outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IHU On-Line - O que devemos mudar nos nossos hábitos de consumo para que possamos contribuir para diminuir os efeitos do aquecimento global?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eliana Saraiva - Devemos considerar o ciclo de vida de um produto do momento em que é concebido até sua destinação final. Por isso, o ideal é que pensemos desde o momento da concepção, ou seja, precisamos pensar bem antes de produzir ou consumir. Precisamos cuidar, no dia-a-dia, dos nossos alimentos, no que diz respeito à escassez, ao preço. é preciso que mudemos muitos hábitos e isso deve fazer parte da educação. Devemos iniciar com as crianças, porque para nós, adultos, essa mudança de hábito talvez seja um pouco difícil. Por isso, existe tanta confusão em relação ao que devemos ou não mudar, se podemos ou não nos valer das novas tecnologias. é um começo difícil, mas é a solução para as mudanças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Instituto Humanitas Unisinos&lt;br /&gt;(Envolverde/Adital)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-5203650600449598098?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/5203650600449598098/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=5203650600449598098' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/5203650600449598098'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/5203650600449598098'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2009/01/consumo-e-cultura-agenda-poltica-da.html' title='Consumo e cultura: a agenda política da cozinha'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-2498029734397713975</id><published>2009-01-09T10:55:00.000-08:00</published><updated>2009-01-09T11:00:39.060-08:00</updated><title type='text'>Crise financeira deixa psiquiatras em alerta</title><content type='html'>Luciana Lima, da Agência Brasil&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A discussão sobre a crise financeira mundial ganhou espaço entre psiquiatras do mundo inteiro reunidos em Brasília no Congresso Brasileiro de Psiquiatria. O sobe-e-desce das Bolsas de Valores, a incerteza no mercado, as grandes perdas de capital, para especialistas, podem ter efeitos graves sobre a sociedade, que vão desde o agravamento de sinais de depressão e de distúrbios mentais até o aumento de casos de suicídio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tema não chegou a ser título de alguma palestra, mas permeou várias discussões. Entre os especialistas, há um consenso: quanto mais uma sociedade coloca o dinheiro como um valor maior, mais transtornos psíquicos ocorrem em tempos de crise financeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“É sim uma questão de valor. O indivíduo coloca o dinheiro como um grande fim, como um valor maior, quando ele vê isso desmoronando, quando vê tudo isso ruindo, fica sem perspectiva, se vê sem saída”, disse o psiquiatra Marco Antônio Brasil, especialista no tratamento da depressão e professor do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Já existem estatísticas que comprovam que há um aumento de suicídio em momentos de crise econômica. Durante a Grande Depressão em 1929 [quebra da Bolsa de Nova York] houve um aumento de suicídio. No Brasil, durante o Plano Collor, que confiscou a poupança, também houve um aumento de suicídio”, citou o especialista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Marco Antônio Brasil, é necessário lembrar que as doenças mentais ocorrem por um série de fatores, inclusive, externos ao indivíduo. “O que ocorre é que pessoas que já têm uma predisposição para determinados distúrbios mentais, diante de uma situação de estresse e, sobretudo, de perda de perspectiva de saída, acabam cometendo suicídio. A sensação de se ver sem saída é o problema maior nessas crises. É quando a pessoa não vê alternativa. Não vê a luz no final do túnel”, explicou o professor, que coordena palestras gratuitas em cidades de todo país, informando a população, principalmente as pessoas que não podem pagar um tratamento psiquiátrico, sobre problemas mentais como a depressão e outros distúrbios psíquicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso de uma crise financeira como a que vem se desenhando no cenário internacional e com efeitos sentidos nas negociações na Bolsa de Valores no Brasil, as pessoas da classe média acabam tendo menos condições de lidar com a nova realidade. “Isso é comum na classe alta. Em pessoas que constroem toda uma vida em termos de poder, de conquista, de ter ganhos e, de repente, perdem tudo. Quem investe na Bolsa, geralmente tem muito dinheiro e, de repente, se vê sem nada, e ainda devendo muito”, destacou o psiquiatra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já as classes mais pobres da população, de acordo com o especialista, têm uma capacidade maior de lidar com as adversidades. “Muitas vezes vemos pessoas pobres, que perdem a casa, perdem todos os objetos pessoais, sobrevivem a isso e ainda têm garra para reconstruir. Chega a ser tragicômico quando a gente vê na televisão reportagens sobre enchentes. É comum vermos a mulher falando que perdeu tudo e os meninos acenando para a câmera como se fosse o seu momento de fama”, exemplificou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A possibilidade de aumento de suicídio e de enfermidades mentais já preocupa a Organização Mundial de Saúde (OMS), que lançou uma nota na semana passada. Durante uma reunião com especialistas em saúde mental, em Genebra, na Suíça, a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, disse que “não devemos nos surpreender ou menosprezar as perturbações e as possíveis conseqüências da crise financeira”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Ronaldo Laranjeira, psiquiatra especialista em dependência química, a crise poderá ter um efeito no aumento do consumo de drogas, especialmente do álcool. Coordenador da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas da Faculdade de Medicina Universidade Federal do Estado de São Paulo (Unifesp), ele considera que os efeitos no Brasil ainda não foram sentidos nos consultórios, mas acha que, ao longo do tempo, mesmo entre os que não aplicam na Bolsa de Valores, a crise poderá provocar casos de depressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Na medida em que essa crise provocar recessão, menor crescimento econômico e, conseqüentemente, menos empregos, poderá ocorrer um aumento de casos depressivos”. Quanto ao índice de suicídio, Laranjeira, que fez doutorado na Inglaterra, disse que considera interessante analisar o que vai acontecer na Islândia, “um país muito rico, que quebrou e que já tinha um altíssimo grau de suicídio”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O professor Milton Marques Sá, que dá aulas de psicologia clínica na Universidade Federal de Pernambuco, apontou as crises financeiras como uma grande “mola” para desencadear doenças psíquicas. “Tudo que aumenta o estresse pode cumprir esse papel e a crise financeira poderá ser uma grande mola para aumentar doenças psíquicas. Mas não só isso, poderá também ter efeito em pessoas que já possuem traços de anormalidade ou hereditários e provocar também infarto e outros males.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele destaca um traço cultural do povo brasileiro que pode amenizar os efeitos: o bom humor. “O bom humor está no gene do brasileiro que ri da própria miséria. Muitas vezes, a gente se depara com aquela piada na qual a pessoa que está contando é a própria vítima.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Agência Brasil)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-2498029734397713975?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/2498029734397713975/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=2498029734397713975' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/2498029734397713975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/2498029734397713975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2009/01/crise-financeira-deixa-psiquiatras-em.html' title='Crise financeira deixa psiquiatras em alerta'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-481439574011485308</id><published>2009-01-09T10:53:00.000-08:00</published><updated>2009-01-09T10:55:02.536-08:00</updated><title type='text'>Questões éticas e comportamento de consumo</title><content type='html'>O meio ambiente é, certamente, nos últimos anos, um dos assuntos que mais tem ganhado espaço no cotidiano da sociedade. Isso porque não apenas está em discussão um “meio ambiente” longe das grandes cidades, mas sim a nossa vida, as questões éticas em relação a nossa forma de viver, de ser e de consumir. A preocupação com a ecologia está crescendo, mas, segundo o professor André Lacombe, os quesitos relacionados às marcas e preços dos produtos ainda têm mais relevância para o consumidor do que as questões que envolvem a preocupação ambiental no que diz respeito à produção de determinado produto. “As formas de comportamento vão melhorar conforme as empresas ou quem quer que ofereça as opções ao consumidor nos tragam melhores alternativas do que temos hoje”, afirmou ele em entrevista, realizada por e-mail, à IHU On-Line.André Lacombe Penna da Rocha é graduado em Administração, pela PUC-Rio. Obteve os títulos de mestre e doutor em Agricultural Economics pela University of London, na Inglaterra. É professor na PUC-Rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confira a entrevista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IHU On-Line - Em sua opinião, por que muitas pessoas têm consciência ecológica, mas não transpassam essa consciência para suas atitudes de consumo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;André Lacombe - Realmente, o interesse pelas questões do meio ambiente tem aumentado. A própria mídia tem relado isso. Agora, você estar preocupado com uma coisa e você reagir a ela são duas coisas diferentes. Uma delas está relacionada ao que chamamos de comportamento de consumo. O marketing trabalha com o conceito da atitude favorável que facilita o consumo. Em alguns casos, observamos que a população não acredita muito no que as empresas dizem, mas, além disso, quando fazemos simulações com os entrevistados sem dizer ao certo o objetivo da pesquisa, o que se revela é que há variáveis em relação ao produto - como preço - que vêm em primeiro lugar e acabam tomando conta do processo decisório. Então, por exemplo, fazendo entrevistas sobre um detergente, observamos que as pessoas têm uma marca preferida, depois relevam o preço, o tipo de embalagem, o aroma e o quesito biodegradável. Ou seja, o que estamos medindo, que é a questão que envolve o consumo ecológico, fica em terceiro ou quarto lugar nessas pesquisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, se pegarmos um inseticida, que também tem um “q” de poluidor no ar, começamos a observar que o fato desse produto tem esse quesito de poluição, e a ordem do biodegradável passa a ser mais importante do que em comparação com a pesquisa sobre detergentes. Em pesquisas com hidratantes, que é algo usado principalmente pelo público feminino, que é mais vaidoso, a questão do biodegradável é ainda mais forte. Mas, quando partimos para uma fase mais exploratória na entrevista, para compreender por que as pessoas escolhem mais ou menos um produto que tem um quesito ecológico, sentimos que a preocupação maior é com a saúde, com o bem-estar e não necessariamente com o meio ambiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em uma pesquisa que fizemos sobre consumo de pneus, a variável do ecológico foi muito baixa. As pessoas não gostaram, não viam segurança, não tinham confiança. Os seja, as indústrias têm de fazer não só um alarde melhor sobre o que essas variáveis ecológicas estão oferecendo para o consumidor como precisam demonstrar que as opções novas que estão surgindo e em desenvolvimento são muito melhores do que as que já conhecemos. Então, no fundo, outros atributos - como marca e preço - ainda são mais fortes do que a consciência ecológica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IHU On-Line - Quais as maiores dificuldades para a transformação da forma de consumo das pessoas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;André Lacombe - Bom, em primeiro lugar vou te fazer uma pergunta: você usa automóvel próprio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IHU On-Line - Eu não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;André Lacombe - Bom, eu moro no Rio de Janeiro, onde o transporte público não é muito bom. Assim, eu uso automóvel e o meu é a álcool. Será que um carro movido à álcool me faz uma pessoa ecologicamente correta? Não sei. Talvez sim, talvez não. Eu tenho um segundo carro, mas esse é à gasolina; é um carro popular e gasta pouco. O fato de ser econômico me faz uma pessoa ecologicamente correta? Não sei. Também não sei se eu seria mais ecologicamente correto se usasse serviço público de transporte, porque ele também polui, apesar de dividir a sua poluição entre tantas pessoas que o utilizam. O fato é que, para usar esse serviço, eu teria de acordar pelo menos uma hora e meia mais cedo e depois dormir uma hora e meia mais tarde. Eu chegaria muito cansado no meu destino, e isso prejudicará o meu rendimento. As opções de transportes que temos são muito melhores hoje no privativo do que no coletivo, muito melhor, portanto, o “mais poluidor” do que o “menos poluidor”. As soluções vão começar a surgir, ou seja, as formas de comportamento vão melhorar conforme as empresas ou quem quer que ofereça as opções ao consumidor nos tragam melhores alternativas do que temos hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, as pessoas só vão mudar suas atitudes se isso que elas utilizam hoje for trocado por algo melhor. Se o que vier trouxer um sacrifício, será assimilado bem por aqueles que tiverem em sua natureza uma preocupação e um engajamento maior. No entanto, eu acredito que a maioria da população vai demorar mais para mudar o seu comportamento de consumo porque nós somos individualistas antes de valorizarmos o coletivo. Infelizmente, tem sido assim no Brasil e na maior parte da civilização mundial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IHU On-Line - De que forma é preciso modificar o modo de produção da sociedade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;André Lacombe - Uma das coisas que devem acontecer na sociedade é deixar de se valorizar o dinheiro, o que é muito difícil de ocorrer. Porque, quando você tem uma alternativa melhor sob o ponto de vista ecológico, mas eventualmente mais caro, as coisas que você faz normalmente terão de ser alteradas. Assumindo que isso custa mais caro, a ação vai parar numa balança para sabermos se pagamos mais caro ou não por aquilo. As simulações que fazemos revelam com os produtos usados no dia-a-dia podem ter uma adesão maior quando houver uma alternativa ecológica disponível, mesmo que o preço desta seja mais alto. Agora, quando a pessoa joga de toda a forma para que o salário dê para todo o mês, qualquer aumento de preço que se apresente como oferta precisa ter um benefício extraordinário ou ele não vai poder ceder a essa demanda. Uma parte da população que é muito sensível ao preço não vai se pré-dispor a pagar mais caro. É uma solução complicada. Nós, como cidadãos, devemos pressionar para que a mudança não afete nosso orçamento, e o governo tem de agir incentivando a produção a alterar certas coisas. Quem realmente está preocupado com o consumo pode ver nesta crise que estamos passando uma alternativa para fazer diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IHU On-Line - Como o senhor analisa os limites e possibilidades da politização do consumo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;André Lacombe - Antes de penalizar o consumidor, há o outro lado da moeda. Penalizar o consumidor não é de todo justo porque no fundo nós escolhemos por alternativas que nos são oferecidas. Você compra o produto porque de alguma maneira é permitido que aquele produto esteja lá. Se fosse uma coisa muito danosa, talvez não estivesse na prateleira. Então, se o governo for alterar, moldar ou ponderar sobre isso, pode não funcionar também. Seria mais fácil e mais seguro ir à origem da produção e separar o que é ou não viável, legal etc., e dali fazer uma penalidade qualquer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IHU On-Line - Como o senhor analisa a questão da identidade dos produtos que se modificaram culturalmente a partir dos apelos ecológicos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;André Lacombe - Esse é um fator importante: as empresas precisam se capacitar ainda mais. Com isso, elas podem conscientizar as pessoas através de políticas de comunicação, que façam produtos bem feitos e interessantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(IHU On-Line)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-481439574011485308?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/481439574011485308/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=481439574011485308' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/481439574011485308'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/481439574011485308'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2009/01/questes-ticas-e-comportamento-de.html' title='Questões éticas e comportamento de consumo'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-1932287798593427617</id><published>2009-01-09T10:52:00.000-08:00</published><updated>2009-01-09T10:53:37.049-08:00</updated><title type='text'>Reflexões sobre crise, consumo e sustentabilidade</title><content type='html'>Andrea Vialli*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fim de ano chegando, e os apelos do comércio começam a pipocar em milhões de luzes coloridas e enfeites de Natal. Em meio aos já presentes efeitos da crise financeira, essa temporada de compras vai ter lá suas particularidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os presidentes, daqui e de acolá, mandam o povo gastar. Comprem, se endividem ao menos um pouquinho, já que o consumo é o motor da economia. De fato, no atual modelo de produção e consumo - seguido de descarte dos bens já não tão desejados - a freada nos gastos pode ser a pá de cal nos negócios de empresas que, durante décadas, reinaram soberanas. A indústria automobilística americana que o diga: lá estão elas, GM, Ford e Chrysler de chapéu na mão, implorando pelo dinheiro do contribuinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obviamente que o consumo tem seu lado positivo. Gera divisas, arrecada impostos, mantém empregos, sustenta famílias, diverte. Mas foi preciso uma crise financeira dessas dimensões para mostrar que o lado patológico do consumo, o consumismo, traz danos irreversíveis para a conta bancária das pessoas e para o meio ambiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como já foi dito aqui. Um dia, um atendente da área de computadores de uma grande rede me contou que há pessoas que compram um computador novo quando descobrem que chegou uma nova versão, com pouco um pouco mais de memória (não seria caso só para um upgrade?). Ou trocam o notebook do filho de dez anos a cada dois meses (as crianças andam precisando assim de notebooks tão modernos?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na crise, segunda mão vai bem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como boa parte das mulheres, também adoro ir às compras. Difícil resistir à tentação de um sapatinho novo, um perfume… Mas para desgosto da indústria a minha televisão está comigo desde os 15 anos - estou com 33 - e adoro coisas de segunda mão, de móveis a vestuário. Reformo, envernizo, costuro, e no final dá tudo certo. E em tempos de crise mundo afora, descobri que a economia “second hand”, vai bem, obrigada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos EUA, a National Association of Resale and Thrift Stores (a associação que reúne os lojistas de coisas usadas) afirma que 85% dos associados já registram aumento no número de clientes - e muitos deles chegam pela primeira vez. O aumento nas vendas, comparado ao mesmo período do ano passado, supera 35%. Além da falta de dinheiro e crédito, a economia de segunda mão também é ecofriendly, pois poupa recursos naturais e energia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Europa, a febre do momento são as swap communities - comunidades de troca pela internet, que funcionam como redes sociais, como a Swapstyle. As pessoas se cadastram, se comunicam e fazem negócios, a maior parte na base do escambo. E o Brasil não está de fora: há uma infinidade de bazares e brechós online, para alegria de compradores e vendedores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crises - econômicas, ambientais, de valores - servem, afinal, para nos ensinar que desperdícios, de qualquer espécie, estão cada vez mais fora de questão - e de moda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Andrea Vialli é jornalista com especialização em sustentabilidade pela Schumacher College, do Reino Unido. Desde 2004 escreve uma coluna voltada para o tema no caderno de Economia&amp;Negócios do Estadão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado originalmente no blog Sustentabilidade, editado pela autora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-1932287798593427617?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/1932287798593427617/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=1932287798593427617' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/1932287798593427617'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/1932287798593427617'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2009/01/reflexes-sobre-crise-consumo-e.html' title='Reflexões sobre crise, consumo e sustentabilidade'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-1050724368039056640</id><published>2009-01-09T10:51:00.000-08:00</published><updated>2009-01-09T10:52:27.962-08:00</updated><title type='text'>Todas as crises de 2008 afetam os países pobres</title><content type='html'>Louis Michel*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ano de 2008 foi de crises mundiais. Todas inter-relacionadas e representando uma forte ameaça para a estabilidade internacional. A crise dos combustíveis do início do ano fez com que os preços do petróleo subissem vertiginosamente. A crise alimentar, provocada por uma combinação de problemas climáticos (fundamentalmente secas) e pela inflação dos preços locais dos alimentos, levou milhões de pessoas à pobreza e à fome. E, mais recentemente, a crise financeira atingiu as economias globais, forçando os governos dos países desenvolvidos a destinarem mais de dois trilhões de euros aos seus bancos para estabilizar o sistema financeiro internacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De forma bastante estranha, esses mesmos países agora têm dificuldades para cumprir seus compromissos como doadores e para reunir os cem bilhões de euros estabelecidos para a assistência anual ao desenvolvimento. Vejamos as cifras envolvidas: os Estados Unidos mobilizaram cerca de US$ 1 trilhão em fundos de garantias para resgate financeiro e o pacote do Reino Unido é de, pelo menos, 400 bilhões de libras. Em comparação, estima-se que poderíamos erradicar a pobreza mundial em dois anos com 700 bilhões de euros em ajuda ao desenvolvimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos dos países mais vulneráveis são fortemente dependentes da Assistência Oficial ao Desenvolvimento (AOD), mas as previsões indicam uma queda de mais de 30% devido à crise econômica. Em 2007, a AOD somou US$ 117,5 bilhões, metade proveniente dos países da União Européia (UE). Mas, apesar de sua liderança entre os doadores, no mesmo ano a UE experimentou uma ligeira queda na ajuda ao desenvolvimento. A crise financeira chegou quando os países em desenvolvimento já batalhavam desesperadamente para conter o encarecimento dos alimentos e dos combustíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os distúrbios motivados pela fome registrados no Haiti, na Costa do Marfim e em Camarões, no começo de 2008, são uma prova do fato de que a pobreza extrema catalisa a angústia e a violência. A distribuição dos recursos financeiros nunca antes foi tão desigual, com 10% da população mundial possuindo atualmente mais de 80% da riqueza, enquanto a metade mais pobre tem menos de 2%. Embora a crise econômica tenha começado nos países mais ricos, seus efeitos serão mais tangíveis no mundo em desenvolvimento. Além das reduções em investimentos na área de ajuda externa, a crise do crédito terá seus principais efeitos nas remessas de dinheiro pelos emigrantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em países como Zimbábue e Somália, o dinheiro enviado por parentes que vivem no exterior é um salva-vidas para milhões de pessoas e frequentemente a única fonte de sustento. A recessão econômica deixa evidente que a atual arquitetura financeira é frágil e insatisfatória. Os chamados internacionais em favor de uma reforma do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial - que chegam com atraso - devem ser implementados com particular precaução, de modo a se garantir o crescimento econômico sustentável e a prosperidade compartilhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As cotas de votação dentro do FMI refletem os desequilíbrios socioeconômicos existentes no mundo. Os países emergentes têm escassa influência dentro do Fundo. Por exemplo, Bélgica, Luxemburgo e Holanda possuem mais votos do que Brasil, China e Índia. Devido ao importante papel que o FMI tem no mundo em desenvolvimento, é inevitável uma redistribuição das cotas de votação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A liberalização do comércio é outro fator vital para o crescimento econômico e para a sustentabilidade nos países em desenvolvimento, que, ao mesmo tempo, pode ter um impacto positivo na integração regional e na governabilidade. Por isso, é de extrema importância concluir as negociações em curso da Agenda de Desenvolvimento de Doha da Organização Mundial do Comércio, levando em consideração diferentes interesses e necessidades dos países em desenvolvimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante desse cenário, é preciso encontrar novas fontes para o financiamento da ajuda ao desenvolvimento. Um exemplo é a longamente discutida Taxa Tobin, um imposto sobre as transações monetárias. Este deveria ser o ponto de partida de um debate para obter os fundos adicionais destinados às necessidades internacionais urgentes derivadas das crises. A crise financeira foi uma sacudida para as economias mundiais, mas também pode ser a faísca de novas idéias para a política de desenvolvimento. Por mais danos que esta crise esteja causando, também proporciona uma oportunidade única para criar um sistema que reflita melhor as exigências das nações em desenvolvimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(*) Louis Michel é comissário para o Desenvolvimento e a Ajuda Humanitária da Comissão Européia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(IPS/Envolverde)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-1050724368039056640?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/1050724368039056640/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=1050724368039056640' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/1050724368039056640'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/1050724368039056640'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2009/01/todas-as-crises-de-2008-afetam-os-pases.html' title='Todas as crises de 2008 afetam os países pobres'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-4134636918225832447</id><published>2009-01-09T10:50:00.000-08:00</published><updated>2009-01-09T10:51:26.959-08:00</updated><title type='text'>Há erro nas estimativas de biomassa na Floresta Amazônica</title><content type='html'>Fábio de Castro, Agência FAPESP&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calcular a biomassa presente em uma floresta é fundamental para estimar a quantidade de carbono que seria emitida em caso de queimada e, consequentemente, para fazer avaliações ambientais e atribuir valor à floresta em pé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, de acordo com um estudo realizado por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), as equações utilizadas para fazer esses cálculos têm distorcido os dados na região do arco do desmatamento na Floresta Amazônica, superestimando sua biomassa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coordenado por Philip Martin Fearnside, o trabalho foi realizado por Euler Melo Nogueira, Bruce Walker Nelson, Reinaldo Imbrozio Barbosa e Edwin Willem Hermanus Keizer. Os resultados foram publicados em setembro na revista Forest Ecology and Management. O artigo está entre os mais consultados da publicação desde então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os resultados mostram que a emissão de gases de efeito estufa proveniente da queima de biomassa florestal na Amazônia é bem inferior ao que se pensava. A estimativa de biomassa é feita com o auxílio de um modelo alométrico: uma equação matemática que relaciona algumas variáveis das árvores, como o diâmetro e a altura, com a biomassa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas essas equações, feitas com base nas características da floresta densa, não funcionam bem, segundo Fearnside, quando aplicadas à floresta aberta do arco do desmatamento - que corresponde a um terço da Amazônia e gera 80% das emissões por desmatamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As novas equações alométricas criadas pelos pesquisadores, mais adequadas à realidade da floresta aberta, indicam que a floresta emite anualmente 24 milhões de toneladas de carbono a menos do que se imaginava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agência FAPESP - O grupo do Inpa coordenado pelo senhor desenvolveu recentemente novas equações alométricas que permitem realizar estimativas mais precisas da biomassa da floresta no arco do desmatamento. O que havia de errado com as equações usadas até agora?&lt;br /&gt;Philip Fearnside - O problema dos cálculos feitos até agora é que eles se baseiam na extrapolação de dados obtidos exclusivamente na Amazônia central. Até hoje, todos os dados são das regiões de Manaus, Belém e de áreas de florestas densas perto do rio Amazonas. Mas no arco de desmatamento o que existe é um outro grupo de florestas, a floresta aberta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agência FAPESP - Trata-se de que tipo de dados?&lt;br /&gt;Fearnside - Dados como a densidade de madeira, forma e altura das árvores. Na falta desses dados, para calcular a biomassa no arco do desmatamento eram usadas equações com base nas áreas da Amazônia central. O inventário brasileiro sobre as emissões de carbono, por exemplo, utilizou equações que foram feitas aqui em Manaus, para florestas densas, e aplicou ao arco do desmatamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agência FAPESP - E essa extrapolação dos dados induzia a erro?&lt;br /&gt;Fearnside - Sim, foi uma coisa que descobrimos em pesquisas anteriores: as árvores de lá são mais leves do que as da Amazônia central. A madeira é menos densa e, portanto, tem menos biomassa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agência FAPESP - Os cálculos feitos até agora estavam superestimados?&lt;br /&gt;Fearnside - Sim. O procedimento normal para as estimativas de biomassa começa ao se medir as árvores grandes de diversas parcelas de floresta. Com a equação alométrica, essas medidas são convertidas em volume de madeira. Para calcular a biomassa, multiplica-se o volume pela densidade. A partir daí se pode calcular a quantidade de carbono da floresta para estimar qual será a quantidade de emissões em caso de desmatamento. Mas, se a madeira é mais leve, com o mesmo volume de madeira temos menos biomassa e menos emissões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agência FAPESP - Quando se descobriu que as árvores da floresta aberta são mais leves do que as da Amazônia central?&lt;br /&gt;Fearnside - Em pesquisas feitas desde 1997 mostrávamos que as espécies mais leves apareciam com mais frequência no arco do desmatamento. O que descobrimos agora é que as árvores da mesma espécie também são mais leves por lá. Além disso, o teor de água na madeira é maior do que na área de floresta densa. Quando a madeira é mais leve, ela contém mais água. Então, quando se multiplicavam os valores por uma constante, para extrair o peso certo, sempre se usavam dados da área de Manaus. Além disso, observamos que as árvores de diâmetro semelhante nas duas regiões são mais curtas na área de floresta aberta. Tudo isso contribuiu para um grande exagero nas estimativas de biomassa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agência FAPESP - Qual foi a magnitude desse exagero?&lt;br /&gt;Fearnside - Cada fator desses que mencionei acrescenta uma redução de biomassa e, quando se soma tudo, a diferença é gritante. No caso do desmatamento de 2004, por exemplo, quando houve um pico de desmatamento de 27,4 mil quilômetros quadrados desmatados em um ano, a diferença de cálculo é de 24 milhões de toneladas de carbono. E é preciso lembrar que a parte mais considerável dessa devastação se deu no arco do desmatamento e, portanto, essa diferença se aplica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agência FAPESP - Os cálculos feitos até agora, então, estavam completamente errados?&lt;br /&gt;Fearnside - Sim, estavam errados. Houve um exagero considerável: 24 milhões de toneladas de carbono em um ano equivalem ao triplo das emissões na cidade de São Paulo. É impressionante. Mas temos que encarar isso como o processo contínuo, normal, do melhoramento dos números da ciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agência FAPESP - A pesquisa conclui que a emissão potencial de carbono é muito menor do que se imaginava. Isso prejudica de alguma forma a argumentação contra o desmatamento?&lt;br /&gt;Fearnside - Ao contrário, os argumentos contra o desmatamento se fortalecem, porque os cálculos estão mais corretos. Por acaso, os valores de emissões eram mais baixos do que os previstos. Mas o importante é ter certeza se os dados são ou não confiáveis. O fato de sempre haver muita incerteza é um dos principais argumentos para não dar valor à floresta. O resultado da pesquisa joga a favor da preservação. Não tenho a menor dúvida disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ler o artigo Estimates of forest biomass in the Brazilian Amazon: New allometric equations and adjustments to biomass from wood-volume inventories, de Euler Melo Nogueira e outros, clique aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Agência FAPESP)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-4134636918225832447?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/4134636918225832447/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=4134636918225832447' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/4134636918225832447'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/4134636918225832447'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2009/01/h-erro-nas-estimativas-de-biomassa-na.html' title='Há erro nas estimativas de biomassa na Floresta Amazônica'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-1232848300474780905</id><published>2009-01-09T10:48:00.000-08:00</published><updated>2009-01-09T10:50:23.134-08:00</updated><title type='text'>Agronegócio pode perder R$ 7,4 bilhões com clim</title><content type='html'>Carlos Rangel&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As mudanças climáticas podem causar fortes perdas no agronegócio brasileiro já a partir de 2020, prevê estudo o "Aquecimento Global e a Nova Geografia de Produção", da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O aumento da temperatura pode gerar perdas financeiras de R$ 7,4 bilhões daqui a 11 anos e quase o dobro, R$ 14 bilhões, em 2070. A geografia da produção agrícola no Brasil pode ser profundamente alterada, informam os pesquisadores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paradoxalmente, o agronegócio, uma das áreas que mais devem sofrer com o aquecimento global no País, é a principal responsável hoje pelas emissões de gases-estufa. Cerca de 75% das emissões de dióxido de carbono (CO2) e outros gases que causam as mudanças climáticas vêm do desmatamento e das queimadas, procedimentos amplamente usados por pecuaristas, agricultores, madeireiros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com o estudo da Embrapa, diversas práticas agrícolas conhecidas podem diminuir as emissões de carbono e aumentar o sequestro de gás da atmosfera, como a integração lavoura e pecuária, a utilização de sistemas agroflorestais e o plantio direto. O estudo informa que a agricultura, o aquecimento global e os danos que as mudanças climáticas devem causar na produção agrícola mundial compõem um importante ciclo de causas e efeitos relacionados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A soja pode sofrer as maiores perdas, 21,6%. O café terá uma redução de quase 10% de área em 12 anos, tornando inviável a sobrevivência no Sudeste, enquanto a mandioca pode desaparecer da região do semiárido. No Sul, "restrita a culturas adaptadas ao clima tropical por causa do alto risco de geadas, deverá experimentar uma redução desse evento extremo, tornando-se assim propícia ao plantio de mandioca, café e cana-de-açúcar, e não mais ao da soja, uma vez que a região deve ficar mais sujeita a estresses hídricos". E a cana-de-açúcar pode se espalhar pelo País e quase triplicar a área dos atuais 6 milhões para milhões para 17 milhões de hectares, rendendo R$ 27 bilhões mais que a safra de 2006. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No cenário, que parece desolador, algumas perdas podem ser inevitáveis, porque o País só agora atenta para a vulnerabilidade, mas ainda não tomou as atitudes para evitar os impactos. Sem medidas para reduzir os efeitos das mudanças climáticas e adaptar as culturas à nova situação, deve ocorrer uma migração de plantas para regiões em busca de condições climáticas favoráveis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o pesquisador da Embrapa e autor do estudo, Eduardo Assad, o mais importante é investir em pesquisa. "Sem isso, não adianta querer mudar simplesmente de um local para outro. É preciso planejamento", afirma. Pesquisas da Embrapa, de empresas estaduais de pesquisa e de universidades brasileiras vêm buscando soluções. Em termos de adaptação, variantes genéticas de soja, milho, feijão, café, mandioca e algumas frutas mais tolerantes às altas temperaturas e escassez de água estão sendo desenvolvidas em laboratório. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja as principais estimativas de perdas: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soja - R$ 4 bilhões - Perda = -21,6% &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milho - R$ 1,2 bilhão - Perda = - 12% &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Café - R$ 638 milhões - Perda = - 6,75% &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arroz - R$ 368 milhões Perda = - 8,50% &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feijão - R$ 154 milhões - Perda = - 4,30% &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mandioca R$ 109 milhões - Perda = - 2,50% &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só está previsto ganho na cana-de-açúcar ~- R$ 29 bilhões - Ganho = 183%&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-1232848300474780905?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/1232848300474780905/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=1232848300474780905' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/1232848300474780905'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/1232848300474780905'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2009/01/agronegcio-pode-perder-r-74-bilhes-com.html' title='Agronegócio pode perder R$ 7,4 bilhões com clim'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-1856229628582047541</id><published>2009-01-09T10:47:00.000-08:00</published><updated>2009-01-09T10:48:56.132-08:00</updated><title type='text'>Crise global provoca redução dos orçamentos de ONGs e fundações</title><content type='html'>Cibelle Bouças&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O aprofundamento da crise financeira internacional preocupa organizações não-governamentais e fundações, que dependem de doações de empresas e órgãos internacionais para desenvolver seus projetos de responsabilidade socioambiental.  O Instituto Ethos tem para 2009 orçamento 30% menor que o obtido no ano passado, situando-se entre R$ 10 milhões e R$ 11 milhões.  "É absolutamente natural que haja redução nos orçamentos em todas as áreas.  O problema é a natureza do corte.  Você põe o seu recurso onde põe a sua palavra", afirma o presidente do Instituto Ethos, Ricardo Young.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o executivo, muitas empresas reduzirão os recursos concedidos ao terceiro setor proporcionalmente à redução em suas margens de lucro.  Mas há também empresas que usam a crise como justificativa para cortar gastos ou demitir.  "A crise vai revelar quais empresários estão realmente comprometidos com a responsabilidade socioambiental", afirma Young.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Fundação SOS Mata Atlântica, fundada em 1986 para promover a preservação das áreas remanescentes da Mata Atlântica, também passa por situação semelhante.  A diretora de gestão do conhecimento da entidade, Márcia Hirota, estima redução no orçamento de 7,2%, passando de R$ 19,4 milhões para R$ 18 milhões neste ano.  A fundação trabalha com doações fixas de 36 empresas, sendo duas fundos internacionais e uma ONG internacional.  A parcela mais importante de recursos, porém, vem de pessoas físicas, que possuem o cartão Bradesco Visa ou adquirem títulos de capitalização Pé Quente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Temos mantido em torno de 200 mil contribuintes pessoas físicas, mas já tivemos 250 mil.  Não sei como será o reflexo da crise sobre essas contribuições no ano que vem", afirmou.  Em relação às empresas-parceiras, Márcia Hirota ainda não prevê redução no número de colaboradores.  "Não tivemos nenhuma mudança drástica.  As empresas já têm a causa ambiental interiorizada em sua política de gestão.  O que pode ocorrer é a empresa fazer mais ou menos ações pontuais de acordo com o seu fluxo de caixa", diz a diretora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Associação Brasileira de Ongs (Abong) realizou no fim do ano passado um levantamento entre 32 entidades filiadas para ter um diagnóstico mais preciso da crise.  Do total, 24 responderam e 17 delas informaram apresentar algum tipo de déficit orçamentário.  Das organizações com problemas financeiros, 71% possuem até duas fontes de financiamento.  "A maioria dessas organizações tem como principal fonte de financiamento recursos advindos de órgãos de cooperação internacional, que com a crise reduziram drasticamente a destinação de recursos para todo o mundo e especialmente para o Brasil", afirma a diretora da Abong Tatiana Dahmer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rede de cooperação internacional surgiu após a Segunda Grande Guerra e é formada por fundos públicos e privados, focados em ações para erradicar a pobreza em países atingidos pela guerra ou em situação de risco social.  De acordo com Tatiana Dahmer, as ONGs brasileiras têm acessado mais recursos públicos e privados recentemente, mas ainda continuam extremamente dependentes de recursos internacionais.  "Os recursos internacionais têm se restringido drasticamente.  A rede de cooperação reduziu o recurso disponível e tem preferido disponibiliza-lo a países em condições mais precárias, como os da África."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A oferta de recursos do setor privado também está mais escasso, garante o secretário-geral do Grupo de Instituições, Fundações e Empresas (Gife), Fernando Rossetti.  O Gife reúne as 116 entidades de maior orçamento do país, que juntas, tiveram em 2007 um orçamento próximo a R$ 1,15 bilhão.  Dentre as entidades, 80% são corporativas, como Fundação Vale, Fundação Bradesco, Fundação Kellog e as outras 20% são instituições independentes ou familiares.  O Gife não tem projeções de orçamento para 2009.  "Certamente haverá um enxugamento do orçamento, linear à redução de receita das empresas, que será maior ou menor dependendo de como a crise irá se desenvolver", afirma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com Rossetti, a perspectiva de orçamento mais enxuto tem levado as entidades a reforçar alianças e parcerias.  E tem estimulado, ainda, a diversificação das atividades.  "As organizações mais estruturadas estão ampliando o portfólio com a venda de produtos, consultorias e prestação de serviços", diz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Márcia Hirota, da SOS Mata Atlântica, afirma que a ONG já está adotando medidas para economizar água e energia elétrica e está buscando parcerias para a realização de projetos de preservação da Mata Atlântica.  "Estamos procurando otimizar os recursos para dar continuidade aos projetos já iniciados", afirma.  Ricardo Young, do Instituto Ethos, também reavalia os custos.  "Cada projeto tem um orçamento.  Aqueles que não tenham cobertura financeira vamos cancelar ou postergar.  Os que não tiverem captação de recursos serão desativados.  Nossa prioridade é a manutenção do capital humano", afirma.  A entidade mantém 55 funcionários em São Paulo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-1856229628582047541?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/1856229628582047541/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=1856229628582047541' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/1856229628582047541'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/1856229628582047541'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2009/01/crise-global-provoca-reduo-dos.html' title='Crise global provoca redução dos orçamentos de ONGs e fundações'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-4064759139605391495</id><published>2009-01-09T10:45:00.000-08:00</published><updated>2009-01-09T10:47:39.053-08:00</updated><title type='text'>Minc pretende acelerar as concessões de florestas</title><content type='html'>Serviço Florestal pode virar autarquia para aumentar oferta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Ministério do Meio Ambiente vai dar celeridade ao processo de concessão de florestas.  A idéia do ministro Carlos Minc, revelada ao JB, é fazer do Serviço Nacional de Florestas uma autarquia, com regras bem claras, para aumentar a oferta das florestas brasileiras, já autorizadas no plano de manejo sustentável.  O projeto é o principal tema a ser debatido em reunião com o ministro de Assuntos Estratégicos do governo, Mangabeira Unger, numa reunião que ele terá com Minc na terça-feira.  À mesa, os dois vão retomar a pauta de implantação Plano Amazônia Sustentável (PAS).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até agora, apesar de todo o trabalho em campanha nacional sobre a concessão de florestas, só uma empresa se interessou pelo manejo sustentável ­ muito realizado em países de primeiro mundo, onde a forma consciente e organizada de exploração localizada não agride o meio ambiente e evita o desmatamento.  A idéia do ministro é investir no manejo e também na regularização de terras.  Num encontro recente com quatro governadores, o ministro pediu agilidade na concessão de títulos de terras.  E explicou: ­ Não se resolve crimes ambientais só com ação policial.  Em 2008, foram cadastrados 211 milhões de hectares de florestas públicas incluindo, pela primeira vez, florestas estaduais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os primeiros contratos de concessão para manejo sustentável foram assinados e devem gerar uma arrecadação anual direta de R$ 3,8 milhões para o país.  As áreas concedidas estão localizadas dentro da Floresta Nacional do Jamari, em Rondônia.  Dos 220 mil hectares da Flona, 96 mil foram divididos em três lotes de manejo.  Os contratos possuem vigência de 40 anos e não podem ser renovados.  O Serviço Florestal espera que, até o final do ano, existam 4 milhões de hectares em processo de concessão florestal.  O edital para o segundo lote de concessão sairá até o final deste mês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontro&lt;br /&gt;Os ministros Minc e Mangabeira pretendem marcar para fevereiro a reunião com os nove governadores da Amazônia Legal, a fim de esclarecer as medidas do PAS ­ entre elas, a regularização fundiária.  ­ Sem a regularização, não podemos fazer nada, não sabemos de quem é a terra para fiscalizarmos, apreendermos e multarmos ­ disse Carlos Minc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O PAS é coordenado num grupo de seis ministérios.  Entre outras metas do plano, que será apresentado aos governadores num encontro em Brasília, estão também o plano de treinamento de agentes do Ibama, detalhes da criação da guarda florestal nacional, transformação da matéria-prima da floresta explorada em mais produtos fármacos e cosméticos ­ por meio de pesquisa e fomento às indústrias que poderão ter um selo de parceiras.  ­&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queremos também aproveitar mais a tecnologia limpa na região, dar vazão aos materias de sobra de explorações ou apreendidos ­ complementou o ministro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-4064759139605391495?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/4064759139605391495/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=4064759139605391495' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/4064759139605391495'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/4064759139605391495'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2009/01/minc-pretende-acelerar-as-concesses-de.html' title='Minc pretende acelerar as concessões de florestas'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-6926261146090357495</id><published>2009-01-09T10:42:00.000-08:00</published><updated>2009-01-09T10:45:17.555-08:00</updated><title type='text'>Metade da população mundial terá que enfrentar drástica falta de alimentos</title><content type='html'>Fonte: Agência FAPESP - (09/01/2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O acelerado aumento nas temperaturas afetará seriamente a agricultura no planeta, especialmente nas regiões tropicais e subtropicais.  Se nada for feito, até o fim do século pelo menos metade da população mundial terá que enfrentar uma drástica falta de alimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A afirmação é de um estudo publicado na edição de 9 de janeiro da revista Science por David Battisti, professor do Departamento de Ciências Atmosféricas da Universidade de Washington, e Rosamond Naylor, diretor do Programa de Segurança Alimentar e Ambiental da Universidade Stanford, ambos nos Estados Unidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O impacto do aquecimento global na agricultura deverá afetar particularmente as regiões mais pobres e que apresentam as maiores taxas de crescimento populacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Os efeitos apenas da temperatura na produção global de alimentos serão enormes, isso sem levar em conta as fontes de água impactadas pelo aquecimento”, disse Battisti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Precisamos investir na adaptação.  Está claro que essa é a direção em que estamos indo, em termos de temperatura, e serão necessárias décadas para desenvolver novas variedades de cultivos que possam enfrentar melhor um clima mais quente”, disse Naylor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao combinar observações diretas com dados de 23 modelos climáticos globais - produzidos no âmbito do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) -, Battisti e Naylor concluíram que há uma probabilidade superior a 90% de que em 2100 as menores temperaturas durante os períodos de cultivo nas regiões tropicais e subtropicais serão maiores do que qualquer temperatura registrada até hoje nas mesmas áreas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo o estudo, nos trópicos as temperaturas mais altas deverão reduzir a produção de grãos primários, como milho e arroz, de 20% a 40%.  Mas o aquecimento deverá prejudicar também a umidade do solo, o que levaria a uma diminuição ainda maior na produção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Temos que repensar os sistemas agrícolas como um todo e não apenas buscar novas variedades, além de reconhecer que muitos deixarão de ser agricultores e abandonarão as terras onde vivem e trabalham”, disse Naylor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atualmente, cerca de 3 bilhões de pessoas vivem nas regiões tropicais e subtropicais, um número que deverá dobrar até o fim do século.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O artigo Historical warnings of future food insecurity with unprecedented seasonal heat, de David Battisti e Rosamond Naylor, pode ser lido por assinantes da Science.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-6926261146090357495?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/6926261146090357495/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=6926261146090357495' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/6926261146090357495'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/6926261146090357495'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2009/01/metade-da-populao-mundial-ter-que.html' title='Metade da população mundial terá que enfrentar drástica falta de alimentos'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-7689480028457825221</id><published>2009-01-09T10:41:00.000-08:00</published><updated>2009-01-09T10:42:49.684-08:00</updated><title type='text'>Falso presente</title><content type='html'>Por Marina Silva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia 24 de dezembro, o Ministério de Minas e Energia publicou portaria no "Diário Oficial", abrindo para consulta pública o Plano Decenal de Expansão de Energia 2008-2017.  A realização de consulta pública é um avanço, tendo em vista o padrão histórico de relação do setor elétrico brasileiro com a sociedade.  Mas o período de festas de final de ano e o prazo exíguo de 30 dias, em plena temporada de férias, não parecem estimular interessados a ler um documento de 766 páginas e encaminhar suas contribuições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Definitivamente, não é o caminho razoável para estabelecer uma discussão madura e construtiva sobre nossa matriz energética.  E há muito o que discutir.  Por exemplo, o capítulo sobre análise socioambiental do sistema elétrico demonstraria, em princípio, aceitação de critérios ambientais no planejamento setorial, o que é fundamental para dar curso a uma política ambiental integrada.  Um olhar mais atento, porém, mostra situação bem mais complicada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo o documento, essa análise foi feita a partir de reuniões "com agentes setoriais, públicos e privados".  Seria ótimo se esse universo não se resumisse a 16 empresas, grande parte estatais, e cerca de 50 profissionais.  Nenhuma universidade é citada, nem pesquisadores independentes ou entidades da sociedade civil.  Muito pouco para um país de mais de 180 milhões de habitantes e uma sociedade ativa e participativa.  Outro aspecto polêmico está na projeção da capacidade instalada de geração de energia elétrica para 2017, por fonte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O maior crescimento, de cinco vezes nos próximos dez anos, será o das usinas térmicas a óleo combustível e óleo diesel, o que contradiz o Plano Nacional de Mudanças Climáticas e o anúncio recente, na Conferência de Mudanças Climáticas da Polônia, de metas internas de redução de emissão de gases de efeito estufa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, a energia eólica -que, segundo o Atlas do Potencial Eólico Brasileiro, tem potencial de gerar 143,5 GW-, somada à biomassa (sobretudo resíduos da produção de etanol), tem expansão prevista de 5 GW, menos que 10% da energia adicional a ser gerada pelo sistema e no máximo 3,5% de sua capacidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez o setor elétrico tenha os seus motivos.  O problema é que a sociedade não os conhece e nem conhecerá, nessa consulta a toque de caixa.  O MME não deveria deixar no ar essa sensação de consulta pública "pró-forma", como falso presente de Natal destinado a legitimar um plano decenal que ainda precisa ser devidamente desembrulhado e retirado da embalagem para entendermos melhor suas engrenagens e seu funcionamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;© Amigos da Terra - Amazônia Brasileira - conheça a nossa política de privacidade&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-7689480028457825221?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/7689480028457825221/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=7689480028457825221' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/7689480028457825221'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/7689480028457825221'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2009/01/falso-presente.html' title='Falso presente'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-5829061813386062228</id><published>2009-01-09T10:36:00.000-08:00</published><updated>2009-01-09T10:40:55.842-08:00</updated><title type='text'>Colapso econômico e empregos ambientais</title><content type='html'>Por Carlos Gabaglia Penna em 08/01/2009&lt;br /&gt;Fonte: O Eco &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A grande preocupação dos governos, diante da crise econômica, é com os empregos.  É compreensível que essa seja a prioridade, embora eu desconfie que os políticos, secretamente, estejam realmente preocupados é com a queda na receita de impostos, os quais sustentam verdadeiras máquinas de desperdício de dinheiro público.  No Brasil, isso é flagrante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As primeiras medidas adotadas pelos governantes visam estimular o consumo, o máximo possível e de qualquer coisa (pouco importa se útil ou não).  Entre essas medidas encontra-se o incentivo à compra de carros, uma iniciativa irrefletida, pois a fabricação de automóveis emprega bem menos operários por unidade de investimento do que vários outros segmentos econômicos mais sustentáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O governo brasileiro retirou os impostos dos carros mais baratos, naturalmente com o objetivo primordial de entulhar de vez as ruas das médias e grandes cidades brasileiras.  Para os políticos brasileiros e, pelo jeito, para uma porcentagem expressiva da população, a poluição do ar das grandes cidades e a sua contribuição ao efeito estufa são questões desprezíveis, assim como as muitas milhares de horas mensais de trabalho perdidas em engarrafamentos e os decorrentes custos econômicos e de saúde pública.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse modelo de desenvolvimento, que é ainda perseguido praticamente no mundo todo, baseado no consumo intenso (e crescente) de mercadorias industriais, é claramente insustentável e apresenta uma relação custo-benefício bastante desfavorável, pois é baseado na produção de bens com alta demanda de recursos naturais e baixa oferta de empregos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É fácil ilustrar o equívoco das políticas destinadas a minimizar o desemprego.  Por causa do enorme aumento de produtividade por trabalhador, a indústria manufatureira norte-americana, por exemplo, perdeu 9% dos seus empregos entre 1967 e 2001, mas no coração da produção industrial do país – o nordeste e o meio-oeste – a perda ultrapassou os 40%.  Será que nesse período a economia americana sofreu recessão?  Longe disso, expandiu-se em mais de 183%.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse processo é muito similar ao declínio histórico da mão-de-obra no campo, no qual um número cada vez menor de pessoas é responsável por uma produção crescente de alimentos.  Apesar de variadas questões econômicas também influenciarem o mercado de trabalho, o fato é que o desenvolvimento tecnológico tem proporcionado às empresas a oportunidade de aumentar o lucro enquanto reduzem o contingente de trabalhadores.  No último terço do século XX, a indústria norte-americana perdeu 2,5 milhões de empregos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2006, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) anunciou que o desemprego afetava 192 milhões de trabalhadores, apesar da expansão de 4,3% da economia global.  Se o sub-emprego for também considerado, esse montante sobe para cerca de um bilhão de pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um das poucas e melhores opções para se reduzir as conseqüências dessa mazela social é a criação de “empregos ambientais”.  Investimentos na proteção do meio ambiente, além de vários outros benefícios óbvios, promovem uma grande demanda de mão-de-obra, em geral mais duradouros do que os empregos em outros setores da economia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Medidas de proteção contra os impactos do aquecimento global envolvem investimentos de larga escala em novas tecnologias, equipamentos, imóveis e infra-estrutura, criando grandes oportunidades para a manutenção e a transformação dos empregos existentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As indústrias de energia renováveis estão entre as de maior crescimento do setor industrial.  A de energia eólica emprega, no mundo, em torno de 300 mil trabalhadores, a de energia solar fotovoltaica 170 mil e a solar térmica acima de 600 mil.  Mais de um milhão de empregos são encontrados na florescente indústria de biocombustíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A climatização de imóveis, ou seja, a adaptação das construções a sistemas e métodos que aumentem a eficiência energética, executada em 200 mil apartamentos da Alemanha, entre 2002 e 2004, criou 25 mil novos empregos e ajudou a manter 116 mil postos de trabalho existentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como bem lembra o Worldwatch Institute em uma de suas publicações, o setor de transporte é uma das bases da economia moderna e, naturalmente, uma das principais causas de degradação do ambiente natural.  Apesar disso e do fato de que representa apenas 3,1% dos empregos no setor automobilístico mundial, a mão-de-obra na fabricação de veículos relativamente verdes (híbridos, elétricos) utiliza aproximadamente 250 mil profissionais e encontra-se em notável expansão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prevê-se que a substituição, em 2009, de 6.100 velhos ônibus poluentes por outros movidos a gás natural comprimido (ônibus híbridos-elétricos), em Nova Delhi, Índia, criará 18 mil novos empregos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na área de reciclagem e refabricação, milhões de empregos são criados, no mundo inteiro.  Calcula-se que na China cerca de dez milhões de pessoas trabalhem nessas atividades e, nos Estados Unidos, mais de um milhão.  No Brasil, que apresenta um dos mais altos índices de reciclagem de latas de alumínio, estima-se que cerca de 170 mil pessoas trabalhem na coleta desse material e 500 mil no setor de reciclagem como um todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A produção de alimentos em áreas urbanas reduz expressivamente o custo e a quantidade de desempregados nas cidades, além de utilizar bem menos produtos químicos e evitar o transporte de média e longa distâncias, reduzindo assim a emissão de gases e partículas na atmosfera.  Cuba criou 160 mil empregos nesse setor nos últimos anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas outras atividades de conservação da qualidade ambiental e, consequentemente da qualidade de vida humana, requerem, de forma crescente, novos trabalhadores.  Embora a agricultura orgânica ainda seja limitada, é uma atividade que demanda intensivamente mão-de-obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além da citada produção urbana de alimentos, tratamento de efluentes, controle de poluição atmosférica, reflorestamento e arborização urbana estão também em alta.  Mais de um bilhão de pessoas depende de atividades florestais não-madeireiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os esforços para se enfrentar o fantasma do desemprego devem ser concentrados na área ambiental.  Para tanto, não é necessário mais do que vontade política e um pouco de imaginação...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-5829061813386062228?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/5829061813386062228/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=5829061813386062228' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/5829061813386062228'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/5829061813386062228'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2009/01/colapso-econmico-e-empregos-ambientais.html' title='Colapso econômico e empregos ambientais'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-3192197427814685592</id><published>2009-01-09T10:34:00.000-08:00</published><updated>2009-01-09T10:35:51.529-08:00</updated><title type='text'>A Sustentabilidade em período de crise</title><content type='html'>A Conferência Internacional da BSR ("Business for Social Responsibility") em Nova York, realizada no início de Novembro deste ano, ocorreu na mesma semana das eleições presidenciais norte-americanas e em meio à maior crise financeira internacional que se tem notícia.  Esse momento singular representou um contexto interessante de reflexão, inclusive para se saber em que medida a agenda da sustentabilidade deverá sofrer com a turbulência e ao ambiente de contenção financeira generalizada em curso na economia internacional.  O tema da Conferência - "Sustainability: Leadership Required" já antecipava o que estava por vir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De todas as apresentações, painéis e sessões de debates, alguns temas levantados merecem um exame da rica avaliação dos participantes da Conferência.  Uma dessas avaliações aponta surpreendentemente para a idéia que a crise, na realidade, é também uma grande oportunidade para as empresas focarem em seus projetos mais estratégicos de sustentabilidade e melhorarem sua performance.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse sentido, a necessidade de se encontrar soluções para o aquecimento global e os efeitos das mudanças climáticas é considerada, não apenas como mandatória para o futuro da humanidade, mas possivelmente como a maior oportunidade de superação da crise atual da economia mundial.  Algumas opiniões destacam que a solução do problema climático terá que vir de uma revolução tecnológica associada à transformação para uma matriz energética mais limpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lideranças norte-americanas, por seu lado destacam que os EUA dispõe de recursos estratégicos na corrida pela nova "Economia Verde", em função de sua base de pesquisa tecnológica e do nível de sofisticação de seu sistema financeiro para financiar inovações e levá-las ao mercado.  Durante a Conferência, o Presidente da Generation, empresa de investimentos, mencionou estimativas de que a economia associada às mudanças climáticas deverá movimentar a nível global, a cifra da ordem de US$ 800 bilhões por ano por um período de 30 anos, ou seja, US$ 24 trilhões, implicando no desenvolvimento de novas indústrias focadas nesse tema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juntamente com essa possibilidade, falar-se cada vez mais nos "empregos verdes", que serão gerados por empresas, organizações e governos em segmentos relacionados á mencionada economia verde, com o potencial para absorver parte dos empregos perdidos na economia convencional devido à crise econômica.  A essa tendência associa-se o enorme desafio de se capacitar uma vasta força de trabalho com os conhecimentos necessários para atuar nas novas indústrias emergentes, na velocidade requerida para evitar um "apagão de mão de obra" nesse novo front.  Esse desafio deverá ser enfrentado não apenas pelas empresas, mas também por todo o sistema educacional e requererá políticas públicas que promovam esse desenvolvimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CEOs de grandes empresas com foco na sustentabilidade de suas operações, destacaram também a nova natureza da relação de seus empregados com suas empresas.  A agenda de sustentabilidade, que se iniciou a partir da liderança das empresas, internalizou-se na cultura interna das empresas a ponto de seus empregados exercerem pressão interna permanente pela manutenção e aprofundamento da agenda da sustentabilidade.  Estes depoimentos destacam também a maior capacidade da empresa em atrair talentos quando as pessoas percebem seu genuíno compromisso com a sustentabilidade, especialmente em períodos de crise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebe-se por fim, que os esforços mais bem sucedidos estão sempre baseados na convergência dos resultados financeiros e dos objetivos de sustentabilidade e na crença da interdependência de ambos.  Empresas prósperas e saudáveis financeiramente são consideradas vitais para a sustentabilidade e da mesma forma tais empresas podem ver seu futuro seriamente comprometido sem sustentabilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Transportando essa discussão para a realidade brasileira, as percepções acima descritas somente reforçam as oportunidades que os novos tempos podem trazer para o nosso país.  A experiência brasileira na indústria de biocombustíveis, por exemplo, poderá determinar um novo papel a ser desempenhado pelo país na economia mundial, além de atender à demanda interna por fontes de energia limpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naturalmente, uma grande expectativa permanece sobre os caminhos que serão tomados pelo novo governo do Presidente eleito norte-americano no que tange aos principais temas e políticas relacionadas à sustentabilidade socioambiental, que influenciarão muitos dos caminhos a serem seguidos em todo o planeta no futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Orlando Lima é consultor em Estratégia e Gestão de Sustentabilidade, articulista fixo da Plurale e ex-Diretor de Desenvolvimento Sustentável da Vale.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-3192197427814685592?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/3192197427814685592/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=3192197427814685592' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/3192197427814685592'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/3192197427814685592'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2009/01/sustentabilidade-em-perodo-de-crise.html' title='A Sustentabilidade em período de crise'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-216096950373136519</id><published>2009-01-09T10:32:00.000-08:00</published><updated>2009-01-09T10:34:38.833-08:00</updated><title type='text'>Responsabilidade Social Corporativa. O que é isto?</title><content type='html'>O papel da empresa no mundo moderno tem evoluído ao longo do tempo, da simples ação de acumulação de resultados para a moderna visão corporativa, onde a empresa é vista como um agente integrado a realidade econômica social e política, um ser múltiplo com responsabilidade , direitos e obrigações, um verdadeiro pacto ou contrato é celebrado entre a empresa seus acionistas, gestores, administradores, funcionários, fornecedores, clientes, consumidores e o publico em geral.  O lucro é uma obrigação da gestão eficiente, sua maximização é imperativa, contudo, restrições são impostas , tais como: defesa do meio ambiente, prestação de contas e transparência dos atos, responsabilidade com os desequilíbrios microeconômicos e, acima de tudo, defesa de valores e posturas eticas e padrões de comportamento e competição .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém discorda que a Responsabilidade Social Corporativa (RSC) é, ao mesmo tempo, um pré-requisito e um produto do desenvolvimento sustentável.  Se fizéssemos um questionário com duas opções, “sim” e “não”, não haveria dúvidas sobre o resultado da pesquisa.  Mas, quando se trata de conceituar a RSC, encontramos numerosas variação sobre o tema.  Até mesmo a natureza da atividade de uma empresa pode influenciar a conceituação de sua responsabilidade perante a sociedade.  Portanto, o conceito de cada uma será o retrato de sua personalidade empresarial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um conceito amplo, seria assim expresso: “É a conduta ética da empresa direcionada para a sociedade.” Em particular, seria resumido desta forma: “Agir responsavelmente no relacionamento com os grupos de interesse legitimamente relacionados com o negócio e não apenas com os acionistas.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando levamos a questão a vários empresários, não esperávamos obter a unanimidade, sempre duvidosa.  Mas, claro, é necessário um consenso, uma definição que concilie as diferentes opiniões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Definições à parte, há muitas e variadas maneiras de interpretarmos a RSC fora dos parâmetros econômicos e sociológicos.  A ecologia, por exemplo, nos ensina que é muito difícil a sobrevivência dos organismos em ambientes cujo equilíbrio foi rompido.  E as empresas são organismos, mais ou menos simples, conforme seu porte e ramo de atividade.  Mas, da mesma forma que os organismos vivos, desde os mais simples aos mais complexos, apresentam identidades.  A RSC é uma forma de o organismo-empresa buscar a recuperação do equilíbrio perdido no ambiente sociedade.  A interdependência dos muitos constituintes do sistema, todos eles complexos, torna árdua essa tarefa de reconduzir o ambiente ao ponto mínimo de equilíbrio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observa-se que a busca do lucro pelas empresas, numa visão contemporânea, está condicionada a padrões éticos de comportamento, no que diz respeito aos seus mais diferentes públicos.  Entretanto, este papel, apesar de essencial, ainda é insuficiente.  São inúmeros os exemplos da participação das empresas em atividades de interesse social, em vários países do mundo.  No Brasil, em particular, que acumulou tantos desequilíbrios sociais nas últimas décadas, a sociedade tem se organizado para vencer o desafio do desenvolvimento.  As empresas, como agentes relevantes e integrados a esta sociedade, têm sido peça fundamental deste esforço, como pode ser constatado através dos balanços sociais, que já se tornaram usuais no país.  É, portanto, por meio do esforço de competitividade e pelas ações sociais realizadas ou financiadas diretamente pela fundações mantidas pelas empresas que o setor privado tem contribuído para a construção de uma sociedade mais igualitária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos nas assertivas acima, dois pontos em comum: o reconhecimento de que a sociedade mudou, está evoluindo, e o uso da palavra “competividade.” “Competição” é uma palavra fácil nos textos de ecologia.  Quando duas espécies competem, uma pode sobrepor-se a outra, simplesmente, ou uma delas buscará um nicho desocupado, ou, pelo menos, no qual a competitividade seja menor.  Pode ser até que uma das espécies venha a se extingüir, mas o resultado terá sido evolução.  E, se o ambiente muda, as espécies precisam também mudar rapidamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo asssim a RSC é um conjunto de atitudes e ações, por parte de empresas e corporações governadas de acordo com os princípios do desenvolvimento sustentável, que guarda compromissos com o crescimento pleno de Homem, única garantia para um meio ambiente harmonizado, em todas as dimensões, com as necessidades de crescimento econômico e de geração de riqueza nova.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As empresas modernas adotam uma nova filosofia de trabalho.  Já não é somente o lucro que norteia suas atividades, mas surge uma preocupação maior com a qualidade de vida da sociedade e de seus empregados.  As estratégias de negócios são mais abrangentes e compatíveis com o uso sustentável dos recursos naturais.  O desenvolvimento social, para essas empresas, não é problema apenas do Governo, mas de toda a sociedade.  A RSC torna-se um diferencial para a empresa, pré-condição para ocupar seu lugar frente à concorrência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A empresa que se esquiva de sua responsabilidade social não respeita o ser humano, nem a sociedade, e muito menos a sua marca corporativa.  A busca da excelência empresarial envolve também o aprimoramento contínuo das relações com a comunidade, agregando valores sociais à imagem corporativa da organização nos mesmo níveis de qualidade e eficiência dedicados à produção e ao desempenho econômico.  A marca corporativa é um valor sagrado, que reflete seus princípios internos (missão, valores e objetivos) e identifica todas as suas ações, tanto as de natureza econômico-financeira, quanto às de incentivo ao desenvolvimento humano e social da comunidade, bem como as políticas e práticas internas em relação à preservação do meio ambiente, à segurança e à qualidade de vida de seus colaboradores.  Hoje, portanto, é inconcebível que uma entidade integre uma comunidade e não esteja alinhada com os valores e as expectativas de seus colaboradores, seus acionistas e a sociedade onde está inserida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diga-se logo que não há nada de errado no fato de uma empresa usar suas ações de RSC como diferencial de marketing.  Na natureza, predadores e presas contribuem uns para a evolução dos outros.  Por exemplo: o guepardo caça, preferencialmente, gazelas-de-thompson.  Só consegue alcançar, é claro, as mais lentas.  Estas são devoradas e as que se reproduzem e retransmitem seus genes são as mais velozes.  Se um guepardo não conseguir caçar as gazelas que se tornaram mais velozes, morrerá de fome.  Apenas os mais ligeiros passarão seus genes para outras gerações.  Nesse processo, chamado co-evolutivo, predadores e presas aperfeiçoaram-se.  Logo, a concorrência, dentro dos limites da ética, é boa para todos os competidores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma mudança nitidamente visível no novo ambiente é a certeza de que o Estado, sozinho, não poderá realizar todas as mudanças necessárias para criar uma sociedade razoavelmente justa, que assegure ao cidadão um mínimo de dignidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A RSC está intrinsecamente relacionada com o compromisso da empresa de que suas ações se traduzam em benefícios econômicos, sociais e ambientais para as comunidades onde atuam, além da maximização da sua performance e do fornecimento de produtos e serviços de qualidade aos seus consumidores.  As desigualdades e questões ambientais do mundo atual, e a constatação de que o Estado, sòzinho, não será capaz de resolver as questões decorrentes trazem um novo desafio às organizações, que têm um novo papel no estabelecimento de novas relações entre consumidores, ONGs, governos e comunidades.  A RSC requer que a empresa tenha conhecimento do ambiente político-social onde atua, bem como uma participação ativa no esforço de contribuir para um mundo melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É bom, aliás, especialmente no caso brasileiro, que os próprios empresários se preocupem com o papel a ser efetivamente desempenhado pelo Estado.  Durante muito tempo, a economia dependeu das verbas oficiais, fato que levou a uma situação de risco, que, segundo as leis naturais, se denomina “superespecialização”.  Isto ocorre, por exemplo, quando uma determinada espécie tem sua sobrevivência dependente de um único tipo de alimento.  É o caso do panda-gigante, que come apenas bambu e vive em regiões da China que estão sendo desmatadas.  O bambu é um alimento muito pouco nutritivo e o panda precisa de enormes quantidades por dia para se manter.  Quando acabar o bambu, adeus simpático urso mascarado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muito a empresa deixou de ser apenas uma unidade de produção e comercialização de produtos, com vistas ao lucro, que ia direto para os cofres do patrão, para se transformar em uma comunidade de trabalho, voltada para a satisfação da sociedade onde atua, visando ao lucro legítimo, sem perder de vista a sua função social, de retribuição ao trabalho e ao capital, e, também, geradora de novas riquezas.  Indutora do desenvolvimento econômico e social do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A RSC compreende o total cumprimento das leis nacionais e das leis de comércio internacionais, a competição justa, o manuseio seguro de produtos, a preocupação de todos com a segurança ocupacional e com a segurança das fábricas, a proteção ambiental, o uso responsável e o respeito às fronteiras éticas da engenharia genética, a pesquisa para a defesa dos direitos dos consumidores , respeitando-se os direitos dos outros, o compromisso de evitar conflitos de interesses, o comportamento social de justiça e respeito, a cooperação com as autoridades e o comprometimento e a disciplina de cada colaborador na obediência a essas diretrizes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez a mais importante lição a tirar da conceituação teórica acima exposta é que as empresa devem entender que o sucesso das companhias depende de sua adaptação ao ambiente.  Este mudou, e as empresas também estão mudando.  Os horizonte se alargaram e agora é preciso olhar bem além dos limites da produção e do consumo.  É preciso entender um sistema em que todos os personagens se comportam como seres vivos, em perpétua mutação.  Alguns evoluem, outros extinguem-se.  Os que evoluem são os mais adaptados.  No caso, os que se preparam antecipadamente para tudo que o futuro possa trazer.  E, em nossos dias de globalização e incertezas crescentes, onde a crise internacional demandar mudanças dramáticas no ambiente sócio- econômico, os elementos ambientais deveram ter preocupações dominantes .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Renê Garcia é economista, professor da FGV, ex-diretor da Comissão de Valores Mobiliários e Titular da Superintendência de Seguros Privados (Susep).  Também integra o grupo fixo de colunistas exclusivos de Plurale.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-216096950373136519?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/216096950373136519/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=216096950373136519' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/216096950373136519'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/216096950373136519'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2009/01/responsabilidade-social-corporativa-o.html' title='Responsabilidade Social Corporativa. O que é isto?'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-2480074561510953164</id><published>2009-01-09T10:30:00.000-08:00</published><updated>2009-01-09T10:32:56.165-08:00</updated><title type='text'>Os riscos da energia nuclear</title><content type='html'>Por José Goldemberg em 09/01/2009&lt;br /&gt;Fonte: ComCiência &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem três riscos associados ao uso de energia nuclear: físicos, econômicos e estratégicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como riscos físicos, consideram-se aqueles que resultam da produção e uso de grandes quantidades de radioatividade, o que é inerente ao uso de energia nuclear.  Eles incluem a produção de combustível nuclear (urânio enriquecido), seu uso nos reatores nucleares, onde podem ocorrer acidentes que liberem radioatividade no meio ambiente (como ocorreu em Chernobyl), e na armazenagem dos resíduos altamente radioativos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como riscos econômicos, tem-se a questão dos custos da energia nuclear, e como riscos estratégicos, estão a questão da possibilidade de usar produtos usados no ciclo nuclear (urânio enriquecido) ou produtos formados pelo funcionamento dos reatores nucleares (plutônio), para produzir armas nucleares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras formas de energia também têm riscos, mas não na escala da energia nuclear; barragens de usinas hidroelétricas já ruíram no passado, inundando vastas áreas e provocando mortes, mas esses foram acidentes localizados.  Usinas termoelétricas que utilizam gás já foram paralisadas devido a problemas políticos relacionados com o fornecimentos de gás (como já ocorreu na Ucrânia, quando a Rússia cortou o fornecimento de gás), mas eram mais relacionados com o preço do gás do que com problemas estratégicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com energia nuclear, todos esses problemas e os riscos associados adquiriram uma seriedade muito maior.  Os Estados Unidos se envolveram numa dispendiosa guerra com o Iraque devido a suspeitas de que esse país estivesse desenvolvendo armas nucleares.  A situação com o Irã e a Coréia do Norte também não é tranqüilizadora a este respeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejamos então quais são esses riscos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Riscos físicos - a grande maioria dos reatores nucleares em operação no mundo (cerca de 400) usa “urânio enriquecido”, que é feito do urânio que se encontra na natureza e que passa por um processo especial que aumenta a fração dos átomos que são apropriados (U235) para a reação nuclear que resulta na produção de energia.  Na natureza, a percentagem de U235 é de 0,3%, mas reatores nucleares usam em geral “urânio enriquecido” a 3%.  Sucede que o “enriquecimento” de 80% (ou mais) torna o urânio capaz de explodir numa explosão nuclear.  Nos reatores nucleares e nas explosões nucleares é produzida uma imensa quantidade de radioatividade.  Os danos que explosões nucleares podem causar foram evidentes em Hiroshima e Nagasaki, e os danos que resultam de espalhar a radioatividade produzida nos reatores nucleares é evidente em Chernobyl.  Essa radioatividade dura milhares de anos.  O problema é, portanto, o de impedir que ela escape dos reatores nucleares em funcionamento e o de armazenar os resíduos radioativos (o “lixo nuclear”).  Não se conseguiu até hoje fazer um reservatório adequado para guardar esse “lixo” que seja definitivo, apesar de já existirem 70 mil toneladas guardadas em depósitos provisórios no próprio local onde se encontram os reatores nucleares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Riscos econômicos - as preocupações com a segurança dos reatores nucleares têm conseqüências que aumentam muito seu custo.  Reatores nucleares são caros e, mesmo sem as preocupações geradas pelos riscos físicos, a eletricidade produzida por eles tem dificuldades em competir com a eletricidade gerada de outras fontes como carvão, gás e hidroeletricidade.  Os riscos nucleares discutidos acima agravam esse problema, pelas seguintes razões:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Sistemas de segurança de reatores são mais sofisticados do que os sistemas de geração não-nuclear, o que torna a eletricidade produzida mais cara;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Interromper o funcionamento dos reatores é mais freqüente do que em usinas não-nulceares, justamente devido à preocupação com riscos nucleares;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Atrasos na construção de reatores são freqüentes - o que aumenta muito o seu custo de capital, devido aos juros - devido à oposição de grupos antinucleares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Riscos estratégicos - adquiriram enorme importância, devido aos esforços de vários países de produzir armas nucleares, agravando os problemas de proliferação nuclear.  Como se sabe, o Tratado de Não Proliferação Nuclear adotado em 1967 tinha como objetivo “congelar” a posse de armas nucleares às 5 potências nucleares da época: Estados Unidos, União Soviética, Inglaterra, França e China.  Na prática, o que se viu é que a Índia, o Paquistão e Israel adquiriram também armas nucleares, criando sérios problemas no cenário internacional.  Além disso, o Iraque tentou produzir armas nucleares, uma das causas das guerras do Oriente Médio, bem como África do Sul, Líbia, Irã e Coréia do Norte.  Até o Brasil e a Argentina desenvolveram atividades nessa direção durante o período militar, só desistindo delas através de um acordo firmado em 1992, que criou uma área desnuclearizada na América Latina e uma agência brasileira-argentina para fiscalizar sua observância (ABACC - Agência Brasil-Argentina de Contabilidade e Controle.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos anos, o governo Bush, dos Estados Unidos decidiu reativar a construção de novos reatores nucleares no mundo através de uma “renascença nuclear”.  A agressiva atuação das empresas produtoras de equipamentos nucleares - alimentada por subsídios do governo americano - levou mais de 30 países em desenvolvimento a se interessar por reatores nucleares, negligenciando, em muitos casos, opções mais atraentes do ponto de vista econômico, como a geração de energia elétrica com usinas hidroelétricas.  Com isso, aumentou muito o perigo de uma nova onda de proliferação nuclear, dada a natureza dual da energia nuclear, que se presta tanto para aplicações pacíficas como militares, sem falar dos problemas físicos de segurança nuclear que podem ser sérios em alguns países do Terceiro Mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* José Goldemberg é professor da Universidade de São Paulo e ex-Ministro de Ciência e Tecnologia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-2480074561510953164?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/2480074561510953164/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=2480074561510953164' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/2480074561510953164'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/2480074561510953164'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2009/01/os-riscos-da-energia-nuclear.html' title='Os riscos da energia nuclear'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-7108256245120762716</id><published>2009-01-09T10:29:00.000-08:00</published><updated>2009-01-09T10:30:51.330-08:00</updated><title type='text'>Serão necessários dois planetas Terra para atender ao consumo, diz estudo</title><content type='html'>Segundo o relatório da WWF, Planeta Vivo 2008, a quantidade de recursos naturais consumidos atualmente coloca em risco a futura prosperidade do planeta com impacto no custo de alimentos, água e energia.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daqui há 30 anos o mundo precisará de mais um planeta para que o estilo de vida de seus habitantes seja mantido.  Isso porque, conforme constatou o relatório Planeta Vivo 2008, a demanda atual por recursos naturais ultrapassa em quase um terço o que o meio ambiente tem condições de fornecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elaborado pela organização WWF em parceria com a Zoological Society e o Global Footprint Network, o estudo mostra que , a quantidade de recursos naturais consumidos atualmente coloca em risco a futura prosperidade do planeta com impacto no custo de alimentos, água e energia.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Se a nossa demanda por recursos do planeta continuar a aumentar no mesmo ritmo, até meados dos próximos anos 30 (década entre 2030 e 2040), nós precisaremos do equivalente a dois planetas para manter o nosso estilo de vida", disse o diretor da WWF International, James Leape.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os ambientalistas afirmam que o planeta está em direção a uma "crise de crédito ecológica".  "Os eventos dos últimos meses têm servido para mostrar que é uma tolice extrema viver além dos nossos meios.  A crise financeira global tem sido devastadora, mas não é nada comparado à recessão ecológica que estamos enfrentando", disse o presidente internacional da WWF, Emeka Anyaoku, em entrevista à rede BBC.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Anyaoku, as perdas de cerca de US$ 2,8 trilhões sofridas pelas instituições financeiras com a crise - segundo estimativa recente do Banco da Inglaterra - são pequenas perto do equivalente a cerca de US$ 4,5 trilhões em recursos destruídos a cada ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O documento afirma ainda que mais de três quartos da população do mundo vivem em países onde os níveis de consumo ultrapassam as condições de renovação ambiental.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso faz com que eles sejam "devedores ecológicos", o que significa que estão usando recursos agrícolas, florestais e marítimos que possuem e ainda os de outros países para sustentá-los.  Os países com o maior impacto no planeta são os Estados Unidos e a China, que, juntos, representam cerca de 40% da pegada ecológica do mundo - que mede a quantidade de terra e água necessária para fornecer os recursos utilizados e absorver os resíduos deixados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já outros países, como o Brasil, são "países credores ecológicos", já que "ainda possuem mais recursos ecológicos do que consomem", e "exportam" sua biocapacidade para os devedores.  O relatório, divulgado bianualmente, traz dois indicadores da saúde da Terra.  Um deles é o Índice Planeta Vivo, que reflete o estado dos ecossistemas do planeta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-7108256245120762716?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/7108256245120762716/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=7108256245120762716' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/7108256245120762716'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/7108256245120762716'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2009/01/sero-necessrios-dois-planetas-terra.html' title='Serão necessários dois planetas Terra para atender ao consumo, diz estudo'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-8827395123021899590</id><published>2008-11-29T17:50:00.000-08:00</published><updated>2008-11-29T17:52:05.578-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_YRJeTabUfRY/STHxt5cIpdI/AAAAAAAAAB8/Be5hpYGBE7U/s1600-h/educacao_ambiental_2.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 238px; height: 309px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_YRJeTabUfRY/STHxt5cIpdI/AAAAAAAAAB8/Be5hpYGBE7U/s320/educacao_ambiental_2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5274262409442797010" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-8827395123021899590?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/8827395123021899590/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=8827395123021899590' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/8827395123021899590'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/8827395123021899590'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2008/11/blog-post_29.html' title=''/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_YRJeTabUfRY/STHxt5cIpdI/AAAAAAAAAB8/Be5hpYGBE7U/s72-c/educacao_ambiental_2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-6921774427405065312</id><published>2008-11-18T16:07:00.000-08:00</published><updated>2008-11-18T16:12:19.712-08:00</updated><title type='text'>Programas antipobreza dão pouca importância à distribuição dos benefícios</title><content type='html'>Os planos dos países de renda baixa ou média para combater a pobreza priorizam o crescimento econômico e a criação de empregos, mas raramente explicitam estratégias para que esses processos beneficiem mais os pobres. Essa é a conclusão de um estudo que analisou o texto-base de programas de 22 nações em desenvolvimento, todos eles preparados após o lançamento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM, uma série de metas socioeconômicas que os países da ONU se comprometeram a atingir até 2015).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto, intitulado “Os ODM são prioridade em estratégias de desenvolvimento e programas de ajuda? Apenas alguns são!”, analisou planos de 14 países africanos, dois da América Latina e Caribe, dois asiáticos, um árabe e dois ex-comunistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Todos os Documentos de Estratégia de Redução da Pobreza enfatizam o crescimento econômico como o principal meio de alcançar o objetivo geral de reduzir a pobreza, mas nem todos especificam políticas de crescimento que favoreçam os pobres”, afirma a autora do estudo, Sakiko Fukuda-Parr, professora de Relações Internacionais da New School University, em texto publicado pelo Centro Internacional de Pobreza, uma instituição de pesquisa do PNUD em parceria com o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Embora quase todos os documentos vejam tanto a pobreza quanto o crescimento como prioridades, a maioria não apresenta estratégias para aumentar a produtividade e o emprego, nem para gerar crescimento de uma maneira que assegure que os benefícios sejam mais amplamente distribuídos”, escreve a economista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema desse enfoque, indica Fukuda-Parr, é que parte do pressuposto de que a expansão econômica se refletiria sempre em redução da pobreza. Tal concepção tem raízes em teorias da década de 80 e ignoram as pesquisas mais recentes na área, segundo as quais a pobreza “é mais do que falta de renda; é uma privação multidimensional nas vidas humanas e suas causas repousam não apenas na falta de crescimento, mas na falta de participação, nas vulnerabilidades a choques e em obstáculos a oportunidades”, diz a autora. “O impacto do crescimento da redução da pobreza não é de modo algum automático”, destaca ela, que acrescenta que o crescimento do PIB pode levar apenas a mais aumento de renda da parcela mais rica, e não da mais pobre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os planos mostram concepção também em outras áreas, como ao dar ênfase ao emprego, mas não ao trabalho decente - como se o aumento no número de postos de trabalho, por si só, pudesse automaticamente ajudar na redução da pobreza. Dos 22 programas analisados, 21 tomam a criação de empregos como prioridade, mas apenas sete colocam em destaque a geração de trabalho decente e nenhum estipula metas nessa área.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concepção semelhante aparece em alguns dos 20 planos de países ricos voltados ao mundo em desenvolvimento examinados no estudo. “Há uma forte ênfase no crescimento como o principal meio de reduzir a pobreza. Não é dada muita atenção ao impacto das escolhas da política econômica na distribuição dos benefícios, na criação de empregos e em outros temas pró-pobres”, afirma Fukuda-Parr.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A autora identifica, nesses enfoques, uma pouca atenção às desigualdades. Todos os planos consideram a escola primária uma prioridade, mas só em 17 a igualdade de homens e mulheres no acesso à educação tem o mesmo status. Quase todos os programas (21) colocam a saúde em destaque, mas a ampliação do acesso à saúde e aos medicamentos é sublinhada em apenas nove. Também 21 vêm o respeito à lei como prioridade, mas o direito das minorias é destacado em apenas quatro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Poucos Documentos de Estratégia de Redução da Pobreza mencionam a igualdade como um objetivo ou uma preocupação política”, observa a autora. “Essa interpretação dos ODM está longe das metas originais de transformar a globalização em algo mais inclusivo e de implementar princípios fundamentais da Carta das Nações Unidas”, afirma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(PNUD)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-6921774427405065312?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/6921774427405065312/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=6921774427405065312' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/6921774427405065312'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/6921774427405065312'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2008/11/programas-antipobreza-do-pouca_18.html' title='Programas antipobreza dão pouca importância à distribuição dos benefícios'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-8233885386833669050</id><published>2008-11-18T16:01:00.000-08:00</published><updated>2008-11-18T16:07:28.324-08:00</updated><title type='text'>Públicos estratégicos são chamados para ação em São Paulo</title><content type='html'>Naná Prado, do Mercado Ético&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É na diversidade de públicos que o Global Forum América Latina vem conquistando espaço e ganhando parceiros. Depois do evento de Curitiba, realizado em junho, outros dois encontros - o Call for Action Curitiba e a reunião preparatória em São Paulo - somaram esforços nessa ação coordenada por Rodrigo Rocha Loures, presidente da Federação das Indústrias do Paraná (FIEP).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na próxima semana, acontecerá em São Paulo o Global Forum América Latina (GFAL) - Call for Action um movimento que tem por objetivo incentivar a criatividade dos participantes para estimular a cooperação entre instituições, organizações e a sociedade em prol de um mundo sustentável, com a perspectiva de que sustentabilidade pode ser também considerada como uma grande oportunidade de negócios. O evento ocorrerá no Centro de Convenções Fecomercio, no bairro da Bela Vista, nos dias 20 e 21.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Professor Ronald E. Fry, da Case Western Reserve University, de Cleveland, Ohio, coordenará o evento, aplicando a Investigação Apreciativa, metodologia da qual é co-formulador juntamente com o professor David Cooperrider, PhD. A Investigação Apreciativa permite construir um conhecimento em grupo a partir do que há de melhor nas pessoas, na reflexão coletiva, inspirada pela cooperação com um objetivo comum. O método segue quatro passos, a Descoberta (a apresentação de experiências), o Sonho (visualização da situação ideal), o Desenho (concepção de um plano de ação) e o Destino (implementação e início das atividades de transformação).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os participantes terão mais subsídios para reavaliarem a forma como atuam, seja dentro de suas empresas, instituições de ensino ou organizações sociais, e contribuírem com o fortalecimento das relações entre o mundo acadêmico, empresarial e da sociedade em geral, a partir da construção de um repertório comum sobre educação em sustentabilidade, e a elaboração de políticas públicas com o mesmo objetivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Queremos com esse evento proporcionar uma transformação cultural. Em São Paulo, pelas características da região, o foco é nas escolas de negócios”, afirma Rocha Loures. Cada vez mais haverá distanciamento entre o que o mercado demanda e o que as escolas formam, principalmente, se forem levados em conta os Objetivos do Desenvolvimento do Milênio (ODM) e os princípios do Global Compact.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Os encontros que seguem o Global Forum, de Curitiba, fazem parte de um processo. O Brasil foi escolhido como protótipo para na seqüência podermos implementar as ações sugeridas. Temos que dar seqüência e avaliar como o Call for Action deve acontecer em cada região do Brasil, já que temos públicos completamente diferentes”, comenta Loures.&lt;br /&gt;Nos próximos meses outros encontros acontecerão em Manaus (25 a 27 de março de 2009) e João Pessoa (15 e 15 de abril de 2009). Para essas regiões, os públicos que serão chamados para a ação serão outros, que não apenas as escolas de negócios. “Na região da Amazônia o foco será nas comunidades tradicionais, principalmente os indígenas. Já para a região nordeste focaremos as cooperativas, que são importantes públicos para agir localmente”, comenta Ilma Barros, consultora da Federação das Indústrias do Estado do Paraná, coordenadora do BAWB Brasil e parceira da Case Western Reserve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, os encontros do Global Forum têm a sustentabilidade como pano de fundo, mas sempre tratada no seu sentido mais amplo, em todas as dimensões, do social ao ambiental, cultural, econômico e ético. Segundo Rocha Loures, trata-se da customização da sustentabilidade, em que o pré-requisito é a inovação, que pressupõe tecnologia e pesquisa, por isso a participação dos representantes das universidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Queremos colocar os atores para conversarem entre si. A cada encontro evoluímos em propostas e projetos implementados. O que foi discutido em Curitiba será validado em São Paulo e acrescido de outras propostas que complementem e que sirvam mais para o público que aqui estará”, comentou. Do Call for Action São Paulo sairão propostas que serão validadas em Manaus e assim o movimento segue envolvendo públicos diversos e formando redes. A lógica dos eventos proporciona espaços de aprendizado compartilhado para criação conjunta. “Nesse cenário se instalam comunidades que se beneficiam de uma rede global - é um princípio de redes”, avalia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Serviço&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Datas e horários: 20 e 21 de novembro, das 9 às 18 horas&lt;br /&gt;Local: Centro de Convenções Fecomercio - Rua Dr. Plínio Barreto, 285 - Bela Vista - São Paulo - SP&lt;br /&gt;Investimento: R$ 120,00 ou R$ 60,00 (para estudantes ou professores)&lt;br /&gt;Inscrições através do site www.globalforum.com.br&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais informações para público: (11) 3255.7205&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Mercado Ético/Global Forum)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-8233885386833669050?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/8233885386833669050/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=8233885386833669050' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/8233885386833669050'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/8233885386833669050'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2008/11/pblicos-estratgicos-so-chamados-para-ao.html' title='Públicos estratégicos são chamados para ação em São Paulo'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-8252851614899621645</id><published>2008-11-18T16:00:00.000-08:00</published><updated>2008-11-18T16:01:27.789-08:00</updated><title type='text'>Os pobres também vão pagar pela crise</title><content type='html'>Gustavo Capdevila, da IPS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os países em desenvolvimento não estão a salvo dos efeitos da crise financeira nascida nos Estados Unidos, com originalmente foi insinuado, mas, até agora, o impacto não foi tão dramático, segundo Michael Herrmann, economista da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad).&lt;br /&gt;Em entrevista a IPS, Herrmann afirmou que os mais expostos são os Estados mais pobres do mundo, em razão da queda dos preços dos produtos básicos, tendência que já é notada, pois muitos deles são exportadores desses bens, alertou o especialista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IPS- Como repercute nos países do Sul a crise do sistema financeiro norte-americano que já afeta boa parte do mundo rico?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Michel Herrmann- Nas nações em desenvolvimento esta crise arroja resultados diretos que se transmitem através dos mercados de capitais e do comportamento assumido pelas instituições financeiras uma vez surgido o problema. Mas, também há efeitos indiretos, como as conseqüências da depressão econômica global, entre elas a redução dos preços dos produtos básicos, e também as possíveis derivações na assistência ao desenvolvimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre este ponto da Assistência Oficial ao Desenvolvimento (AOD), cabe esclarecer que nenhuma lógica nos diz que essas contribuições dos países industrializados devem diminuir em resposta a uma crise econômica, embora, naturalmente, existam razões políticas para que isso ocorra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IPS- quais são os aspectos destacáveis dessas conseqüências diretas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MH- Por exemplo, vemos a queda das bolsas de valores ns países em desenvolvimento e o aumento nesses mercados emergentes dos spread (custo de operações financeiras), as diferenças de rendimentos dos ativos. Também vemos que as instituições financeiras se mostram menos inclinadas a emprestar a outras entidades similares e as empresas menos dispostas a realizar investimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IPS- No começo da crise se disse que os países em desenvolvimento sairiam menos prejudicados devido aos seus menores vínculos com os mercados principais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MH- Vemos que a idéia de um desacoplamento desses países com o resto do mundo não é correta. Mas, até agora os efeitos nas nações em desenvolvimento não são tão dramáticos quanto poderíamos ter pensado há algum tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IPS- A que atribui essa aparente situação cômoda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MH- Essa relativa resistência saudável do Sul provém basicamente do fato de alguns desses Estados disporem de elevados excedentes de conta corrente. Além disso, a propósito apresentam taxas de câmbio ligeiramente desvalorizadas, têm uma competitividade exportadora muito sólida e recursos suficientes para se autofinanciarem. Não dependem muito dos recursos financeiros externos. Portanto, são bastante resistentes às comoções. No entanto, há outros no mundo em desenvolvimento que provavelmente serão prejudicados, porque têm alto déficit de conta corrente, taxas de câmbio supervalorizadas e baixa competitividade exportadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IPS- O que representa a crise para os países menos avançados (PMA)?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MH- Numerosos países desse grupo serão afetados. Na realidade, os PMA não estão solidamente integrados aos mercados financeiros internacionais, mas também pagarão as conseqüências da mudança de comportamento dos bancos que hospedam. Por exemplo, na África central e ocidental operam muitos bancos franceses, e creio que na África meridional atual bancos ingleses. Agora, esses entidades estão sob tensão em seus países de origem e por isso podem se mostrar menos dispostas a manter suas operações nos PMA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IPS- Os PMA continuarão crescendo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MH- Os efeitos indiretos da crise repercutem com maior pressão sobre os PMA. É o caso da contração econômica mundial. O Fundo Monetário internacional revisou seu prognóstico de 2009 para a economia mundial. Em abril projetava crescimento de 3,8% e em seu último informe de outubro previa apenas 3%. Isto significa que o produto retrocede no mundo em desenvolvimento, mas ocorrerá o mesmo nos países industrializados e nas economias em transição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IPS_ Já são notados sinais desse comportamento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MH- Sim, esta tendência já mostra efeitos negativos, por exemplo, nos investimentos. A menor demanda trará menos investimentos. O mesmo já se nota nas exportações. Também se vê as conseqüências negativas no dinheiro que os emigrantes enviam aos seus países de origem. Na medida em que perdem seus empregos nos países industrializados, as remessas são menores ou mais espaçadas, e, inclusive, muitos voltam para casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IPS- O que acontece com os preços dos produtos básicos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MH- Naturalmente, com a contração da economia mundial, vimos uma queda dos preços das matérias-primas, com ocorre com o petróleo e outros produtos que seguem a mesma tendência. São numerosos os efeitos associados com a depressão da economia e afetam todos os países e todos os setores, embora com intensidade que irá variar segundo países e setores econômicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por exemplo, a recessão nos Estados Unidos, com redução da demanda interna e depreciação do dólar, determina uma queda das importações nesse país, o que afetará diferentes nações muito dependentes de suas vendas ao mercado norte-americano, como China e México. Esta nações e outras serão afetadas principalmente em termos absolutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IPS- Os PMA também serão alcançados?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MH- Sim, não se deve esquecer que numerosos PMAs exportam porcentagens significativas de sua produção para os Estados Unidos, e, especialmente, para a União Européia. Uma queda na demanda nessas duas potências afetará os PMAs. Por outro lado, estes países pobres provavelmente sairão prejudicados pela redução dos preços dos produtos básicos, pois muitos deles são exportadores desses bens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IPS- Haverá outros inconvenientes para os PMAs?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MH- Não, porque a contração da economia mundial, os custos associados com o programa de resgate aos bancos e também os relacionados com as políticas anticíclicas estimularão os principais doadores a reduzir os fundos para assistência ao desenvolvimento. Essa possível queda da ajuda afetará principalmente os países mais pobres, que são os PMAs. São os que mais dependem da Assitencia Oficial ao Desenvolvimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IPS: Resumindo…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MH- Em conjunto, se comprova que não ocorre o desacoplamento diante da crise entre países em desenvolvimento e industrializados, com alguns supunham. Todos serão afetados, mas, devemos estar conscientes de que os efeitos variarão no tempo e na intensidade. As nações integradas aos mercados financeiros mundiais serão as afetadas diretamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, tudo dependerá da posição econômica em que se encontrem. Por exemplo, se apresentam superávit ou déficit em conta corrente, se suas taxas de câmbio estão super ou subvalorizadas. Quanto aos demais países, menos integrados aos mercados financeiros globais, incluídos os PMAs, em sua maioria os efeitos serão indireto, mas, nem por isso menos duros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IPS- Assim, o panorama é sombrio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MH- Naturalmente, devemos estar conscientes de que os efeitos da crise podem ser muito mais graves. Mas, uma piora dependerá também das respostas macroeconômicas dos países industrializados e das nações em desenvolvimento. Por exemplo, com políticas econômicas anticíclicas pode ser possível uma redução dos efeitos da contração econômica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IPS- O que recomenda em especial para as nações em desenvolvimento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MH- As políticas que podem ser aplicadas por esses países dependerão de cada um deles. Creio que não há recomendações gerais. De todo modo, penso que devem evitar, se puderem, as políticas monetárias rígidas, bem como as políticas fiscais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naturalmente não estou dizendo que se enfrentarem taxas de inflação muito altas, impossíveis de serem manejadas, deverão afrouxar suas políticas monetárias e fiscais. Embora esteja claro que agora a ameaça de inflação é menor. E, por fim, para estimular suas economias deveriam considerar a possibilidade de realizar investimentos públicos, em especial na infra-estrutura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Envolverde/IPS)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2596357047173007640-8252851614899621645?l=mrsgroove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mrsgroove.blogspot.com/feeds/8252851614899621645/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2596357047173007640&amp;postID=8252851614899621645' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/8252851614899621645'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2596357047173007640/posts/default/8252851614899621645'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mrsgroove.blogspot.com/2008/11/os-pobres-tambm-vo-pagar-pela-crise.html' title='Os pobres também vão pagar pela crise'/><author><name>mrs groove</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11561463040983376323</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_YRJeTabUfRY/SA_qGGjQ4kI/AAAAAAAAAAQ/oeIfCpCiU8c/S220/DSC00771.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2596357047173007640.post-5044402411785120142</id><published>2008-11-18T15:58:00.000-08:00</published><updated>2008-11-18T16:00:19.360-08:00</updated><title type='text'>Cúpula do G-20 choca-se com o ceticismo</title><content type='html'>Abid Aslam, da IPS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os líderes das 20 maiores economias mundiais reivindicaram com êxito sua cúpula do final de semana em Washington, convocada para atender a crise financeira internacional. Em âmbitos-chave ainda reina o ceticismo. A cúpula do Grupo dos 20 acordou usar o gasto público para combater a recessão, garantir o controle sobre os mercados, atacar o protecionismo e reanimar as negociações rumo a um acordo multilateral de comércio, hoje bloqueadas. Os avanços na matéria deverão ser analisados brevemente, no final de março. Os chefes de governo reiteraram seus compromissos com os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e com a modernização das instituições financeiras internacionais, nas quais se deverá dar mais poder a países hoje com escassa representação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas da cúpula em Washington não surgiu nenhuma indicação sobre o que significarão estas promessas, em um contexto de caos financeiro e queda-livre da ajuda internacional ao desenvolvimento do Sul pobre. A delegação liderada pelo presidente George W. Bush salvou seu prestígio: o grupo de 20 nações ricas e pobres avaliou, na declaração final, que a catástrofe desatada nos Estados Unidos se deveu a falhas na regulamentação dos mercados em “alguns países avançados”. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, afirmou que tanto ele quanto os demais governantes da União Européia, bloco que pressionou pela realização da cúpula, obteve “virtualmente tudo” o que pretendia da reunião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A UE e seus membros procuravam maior regulamentação das empresas financeiras. Nesse sentido, a cúpula acordo instalar um “colégio de supervisores” para que os órgãos de controle dos países troquem dados sobre firmas bancarias e de investimento que operam através das fronteiras. Sarkozy sugeriu que as conseqüências da cúpula vão além de seus resultados concretos: “os Estados Unidos ainda são a potência mundial número um. Mas, será a única? Não”, disse em uma entrevista coletiva ao fim do encontro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, também presidente em exercício do G-20, teve oportunidade de dizer mais ou menos o mesmo sobre o Grupo dos oito países mais poderosos do mundo (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália, Japão e Rússia). “Falamos do G-20 porque o G-8 já não tem nenhuma razão de ser. As economias emergentes devem ser levadas em conta no mundo globalizado de hoje”, afirmou Lula. Brasil e China derrotaram a oposição de alguns países ocidentais e conseguiram o compromisso de aumentar o poder de decisão das economias emergentes no Fórum de Estabilidade Financeira, com sede na Suíça, do qual participam ministros das finanças e representantes de bancos centrais. A cúpula do G-20 também reafirmou as promessas de dar às nações em desenvolvimento mais poder no Fundo Monetário Internacional e no Banco Mundial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As deliberações do final de semana deram a Bush a oportunidade de limpar um pouco a sua imagem internacional, manchada por anos de unilateralismo. Sarkozy havia proposta considerar a crise financeira em uma cúpula do G-8, mas o presidente norte-americana cobrou que fosse aberto o diálogo para as economias emergentes e propôs realizar uma do G-20, que representa 80% da economia mundial e dois terços da população. “A primeira decisão que tive de tomar foi sobre quem viria para a reunião. E, obviamente, decidi que deveria ser o G-20″, disse Bush aos jornalistas. “Com tantas nações de seis diferentes continentes, que representam distintas fases de desenvolvimento econômico, seria possível alcançar acordos substantivos? Me agrada informar que a resposta a essa pergunta é: naturalmente”, acrescentou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem todos se mostraram convencidos a respeito. “Apesar das tentativas de Bush, ninguém deve se surpreender por a cúpula de emergência ter conseguido poucos resultados em termos de soluções substantivas para problemas que vão além da ameaça imediata ao crescimento global”, disse em seu editorial o jornal econômico Business Standard, publicado em Mumbai, capital financeira da Índia. “O Banco Mundial, o FMI, a Organização Mundial do Comércio (OMC), o Banco de Pagamentos Internacionais (BIS) e o Fórum de Estabilidade Financeira são os organismos que devem atender estes problemas e tomar decisões rapidamente”, acrescentou o jornal indiano. “E a OMC está paralisada pelos desacordos, o FMI e o Banco Mundial andam escassos de recursos. O BIS alertou para esta crise, mas ninguém ouviu. O G-20 pode ter um papel de ampla gama, dando boas idéias, mas não pode substituir o trabalho” nessas instituições, afirmou o Business Standard. Por sua vez, o jornal madrilenho El País considerou em seu editorial que a declaração final&lt;br /&gt;da cúpula “apenas propôs princípios genéricos de reforma do sistema financeiro e linhas muito gerais de atuação econômica”. The Telegraph, de Londres, afirmou que “a admissão da culpabilidade financeira do G-20 pode ser o primeiro bom passo para muitos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O porta-voz da organização humanitária Oxfam Internacional Gawain Kripke pediu urgência à Organização das Nações Unidas para que assuma um papel mais ativo. “Há alguns vazios importantes no plano de ação” surgido da cúpula, disse Kripke. As Nações Unidas “deveriam ter um papel de liderança no desenvolvimento e na implementação de propostas para dar a essas medidas uma base mais profunda de transparência, responsabilidades e representação”, acrescentou. as negociações na ONU entrarão em uma nova fase na próxima semana, com sua conferência sobre financiamento para o desenvolvimento, em Doha, capital do Qatar. A próxima 
