domingo, 16 de novembro de 2008

A indústria do conhecimento e do empreendedorismo

Thiago Romero, da Agência FAPESP
O Brasil precisaria de investimentos, públicos e privados, da ordem de R$ 10,2 bilhões nos próximos cinco anos para que seu sistema nacional de inovação e empreendedorismo dê um salto de qualidade. A condição, entretanto, é que esse salto seja impulsionado com a aplicação desses recursos na estruturação de cerca de 20 parques tecnológicos em regiões estratégicas do país.
Essas são as proposições do estudo Parques Tecnológicos no Brasil, organizado pela Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec) e divulgado nesta quinta-feira (13/11) durante a 4ª edição da Nanotec, feira do setor de nanotecnologia que se encerra hoje (14/11), em São Paulo.
“O estudo propõe estratégias para que o país comece a se preparar para a criação efetiva de uma indústria do conhecimento, tendo como ponto de partida uma nova estrutura de parques tecnológicos no Brasil”, disse o conselheiro da Anprotec e coordenador do levantamento, José Eduardo Fiates, à Agência FAPESP.
Os setores empresariais mais estimulados por esse universo de parques são os de tecnologias da informação e da comunicação, energia, biotecnologia, eletrônica, instrumentação, serviços, meio ambiente e agronegócios.
“Os parques tecnológicos são o ambiente favorável para as empresas por oferecerem os três elementos principais para que o conhecimento se transforme em desenvolvimento: acesso à tecnologia, relacionamento para a criação conjunta de soluções inovadoras e alta capacidade de penetração no mercado”, disse Fiates.
O trabalho foi realizado em parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), no período de fevereiro de 2007 a março de 2008, sob encomenda dos ministérios da Ciência e Tecnologia e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
Fiates explica que cerca de 50 entidades participaram da elaboração do estudo, da geração ao processamento dos dados, de associações de classe a órgãos estatais, passando pelas comissões de ciência e tecnologia da Câmara dos Deputados e do Senado, além de dezenas de universidades e institutos de pesquisa.
“Dez workshops foram realizados com a presença de especialistas em parques tecnológicos, brasileiros e do exterior, para a discussão dos dados e indicação dos resultados, após as sucessivas pesquisas de campo nos parques brasileiros, cujos dirigentes responderam a uma série de questionários”, disse Fiates.
O sistema de parques tecnológicos no Brasil foi comparado, no cenário internacional, a iniciativas semelhantes na França, Reino Unido, Espanha, Irlanda, Finlândia, Japão, China, Índia, Coréia do Sul, Taiwan, Cingapura, Malásia, Nova Zelândia e Estados Unidos.
“As simulações de investimentos do estudo foram feitas com base em comparações dos recursos destinados aos parques desses países. Tivemos acesso a números exatos de quanto se investiu nesses empreendimentos e fizemos ponderações, a partir dos dados coletados nos parques nacionais, para chegar aos números dos investimentos públicos e privados de que o Brasil necessita”, detalhou.
No mundo, são mais de 1,5 mil parques tecnológicos em atividade, sendo que, de acordo a Anprotec, nas experiências bem-sucedidas as empresas instaladas geram, em média, US$ 3 de receita anual para cada US$ 1 investido na implantação do parque.
Os resultados do estudo confirmam a iniciativa do Sistema Paulista de Parques Tecnológicos, projeto que teve origem em 2002 na Secretaria de Desenvolvimento do Estado de São Paulo, com apoio da FAPESP.
A meta do governo paulista é ter parques instalados em alguns dos principais centros de desenvolvimento econômico e tecnológico no estado, como a Grande São Paulo, Campinas, São Carlos, Ribeirão Preto e São José dos Campos. Além dessas, diversas outras cidades são candidatas a receber parques, como Piracicaba, Santa Bárbara do Oeste, Sorocaba e São José do Rio Preto.
Sérgio Risola, coordenador geral do Centro Incubador de Empresas Tecnológicas (Cietec) da Universidade de São Paulo (USP), destaca que São José dos Campos é o primeiro a entrar em funcionamento no estado com o conceito de parque tecnológico.
O objetivo do governo de São Paulo é apoiar o setor privado para alavancar esses centros de inovação e implantar o Sistema Paulista de Parques Tecnológicos, criando sinergias que possam assegurar a competitividade do estado.
Áreas prioritárias
Com as informações do estudo em mãos, a Anprotec pretende estimular os gestores públicos a definir quais serão os 20 parques, considerados de excelência, que estarão aptos a receber os incentivos.
O levantamento da Anprotec sugere ainda que, dos R$ 10,2 bilhões necessários para alavancar os parques tecnológicos no Brasil, cerca de R$ 1,9 bilhão tenha origem em investimentos públicos e o restante em aplicações privadas.
As políticas públicas sugeridas pelo estudo, segundo ele, são baseadas em dois eixos centrais. O primeiro se concentra na concepção da infra-estrutura dos parques tecnológicos e nos investimentos em projetos âncora de ciência, tecnologia e inovação. “O incentivo a esses projetos científicos é fundamental, caso contrário o parque pode acabar se tornando um condomínio industrial de empresas de base tecnológica”, disse Fiates.
O segundo pilar das políticas e estratégias sugeridas se baseia nos investimentos a pesquisa e desenvolvimento realizados dentro das empresas instaladas nos parques, incluindo recursos para a instalação de laboratórios e contratação de recursos humanos qualificados.
“Todas essas proposições partem do pressuposto de que o Brasil já conta com instrumentos legais para o apoio a essas iniciativas. O que precisamos é orientar melhor esses marcos legais nas direções de interesse e aplicar mais recursos nesses instrumentos”, afirmou Fiates.
Mais informações: www.agencia.fapesp.br/arquivos/estudo-sobre-parques-mais-completo.pdf
(Agência FAPESP)

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